Segurança Patrimonial e o 5S

Qual o motivo das guaritas e portarias de segurança patrimonial serem sujas, bem com os materiais/ferramentas de uso diário não serem identificados, e paralelamente a isso, serem desorganizados, haja vista serem locais de trabalho, instaladas em empresas e organizações, conceituadas, certificadas com ISO, programas de qualidade, entre outros? Descubra neste artigo de Teanes Carlos Santos Silva, especialista no assunto

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O estímulo à cultura da qualidade, desenvolvida pelas empresas japonesas na década de 70 e mundialmente difundidas no ocidente nos anos 80 e 90, ocasionou melhorias no âmbito empresarial. Kaoru Ishikawa em 1950 no Japão instituiu a técnica dos 5S (Seiri, Seiton, Seisoh, Seiketsu e Shitsuke). O método demonstrou ser tão eficaz enquanto reorganizador das empresas e da própria economia japonesa que, até hoje, é considerado um dos principais instrumentos de gestão da qualidade e produtividade utilizada naquele país.

No Brasil, a partir de 1991, houve uma tradução para nossa língua, e para não perder o conceito dos “S”, foi então colocada à palavra Senso no início de cada tradução para o português, ficando assim definidos:

1. Senso de Utilização – SEIRI,
2. Senso de Ordenação – SEITON,
3. Senso de Limpeza – SEISOH,
4. Senso de Saúde – SEIKETSU,
5. Senso de Autodisciplina – SHITSUKE.

Na prática, a implantação do Sistema de Gestão pela Qualidade é iniciada pelo 5S, por muitas empresas brasileiras.

Tempos depois foram lançados outros 3 Sensos:

6. Shikari Yaro – Senso de Determinação e União,
7. Shido – Senso de Treinamento
8. Setsuyaku – Senso de Economia e Combate aos Desperdícios.

E, outro iluminado, sugeriu mais um S – Shisei Rinri – Senso dos Princípios Morais e Éticos, que pode ser definido como sendo o 9º S.

O 10ºS, Sekinin Shakai – Responsabilidade Social, vem sendo implementado, inovando a prática dos conceitos e, é certo que lentamente, por onde passou, é puro sucesso.

O resultado pós-implantação do 5S, basicamente se resume em:

  • Bem estar do homem,
  • Melhoria da qualidade,
  • Prevenção de acidentes,
  • Aumento de produtividade,
  • Redução de custos,
  • Conservação de energia,
  • Prevenção quanto à parada por quebras,
  • Incentivo a criatividade,
  • Aprimoramento do ambiente de trabalho,
  • Melhoria do moral dos empregados,
  • Higienização mental da companhia, entre outros.

O programa 5S é uma proposta que visa:

  • Reeducar as pessoas,
  • Aumentar a produtividade,
  • Não descuidar da saúde,
  • Aculturar a Segurança,
  • Recuperar valores,
  • Buscar a melhoria nos ambientes,
  • Modernizar as organizações, e, acima de tudo, buscar a conscientização das pessoas para práticas de cidadania.

Não me alongarei nas vantagens e desvantagens do programa 5S, estendido em alguns casos até o 10 S, pois não é este o objetivo deste artigo que visa, humildemente, proporcionar uma discussão muito simples, principalmente em ambientes empresariais sem gestor/administrador, direto ou especialista em segurança patrimonial/empresarial, tais como:

  • A segurança patrimonial está no contexto da organização?
  • A segurança patrimonial é envolvida nos programas de melhoria?
  • A segurança patrimonial tem valor e importância no organograma?
  • A segurança patrimonial tem “missão e visão” claramente estabelecidas?
  • Os objetivos da segurança patrimonial estão alinhados com a organização e aprovados pela alta administração?
  • A Segurança Patrimonial tem Política de Segurança aprovada e autorizada pela alta administração?

Espero que você leitor, tenha respondido sim para as questões acima, ao avaliar a sua empresa.

Diante do exposto, é fácil imaginar a perplexidade de um cidadão, quando visita uma empresa, e na portaria, enquanto aguarda o atendimento, constata que são ambientes:

  • Sujos,
  • Sem conservação,
  • Mal iluminados,
  • Ventilação inadequada, entre tantos outros problemas.

Normalmente a vigilância patrimonial é terceirizada. Sendo assim, a quem compete a fiscalização dos ambientes?

Afirmo que a fiscalização compete ao tomador e ao prestador, ou conforme escopo e contrato.

O prestador deve fiscalizar, para assegurar um ambiente que atenda as condições mínimas aceitáveis, visando o cumprimento do contrato e legislações.

O tomador, para assegurar que o seu patrimônio esteja conservado, e dentro do escopo estabelecido no contrato e legislações.

Pasmem: em alguns casos, tanto o tomador, quanto o prestador são certificados.

Então, qual seria o motivo para tanto descaso?

Sim, descaso! Este é o sinônimo que parece mais adequado.

Todo processo de 5S e similares, necessita de auditoria, visando garantir a continuidade de implantação e implementação, bem como, a identificação de oportunidade de melhoria, ou em alguns casos, a constatação de não conformidades.

Para elucidar melhor, descrevo exemplos:

No município de Guarulhos, SP, uma transportadora que também emprega o conceito dos 5S, esqueceu-se da portaria. Lá, encontra-se cadeira quebrada, chão sujo, mesa suja, entre outros, além da desorganização.

Um operador logístico, localizado no interior do estado de São Paulo, conceituado pela qualidade, também deixa a desejar quando o assunto é portaria/guarita. Na guarita elevada, a escada está semi solta, as certeiras obstruídas, pregos simulando cabides e assim por diante.

Uma grande indústria localizada em Indaiatuba, SP, certificada pela ISO 9001, OSHAS 18001, ISO14001, entre outras certificações de clientes, também não teve, aparentemente, interesse em assegurar a mínima organização na sua portaria, haja vista, que na portaria não tem banheiro, ventilador ou condicionador de ar, não se consegue identificar o que é carregador de rádio comunicador ou celular. As tomadas não são identificadas em sua tensão e o balcão de atendimento está com altura incompatível, entre outros problemas.

E não para por aí a seleção de locais desorganizados. Não escapa nenhum tipo de empresa, negócio, região ou mesmo tamanho, seja em faturamento ou estrutura física, com ou sem profissional responsável pela segurança ou qualidade.

Um condomínio de alto padrão, situado na grande São Paulo, referencia em segurança, tinha apenas a referencia, pois na prática, a situação estava caótica. Livro para passagem de serviços rasgados e incompletos, além de serem guardados em um armário sem identificação. Os arquivos de ocorrências existiam por existir, porém sem a menor forma de localizar facilmente, devido à desordem no arquivo.
Cadeiras a menor, em relação ao números de vigilantes e porteiros, sem contar que algumas tinham o encosto quebrado, outras os pés e pernas quebrados, e assim por diante.

Já no hospital da zona oeste da capital paulistana, o horror se repetiu. Por ser um hospital esperava-se o mínimo de limpeza e organização. Ledo engano, para ter limpeza é necessário que os porteiros ou vigilantes façam diariamente, ou seja, qual o foco, manter limpo ou limpar?

Caro leitor, neste momento você deve estar se perguntando: será que onde trabalho é assim?

Recomendo fazer uma visita na portaria ou guarita no local onde você trabalha. Não se esqueça de pedir autorização caso queira fotografar.

Por outro lado, nem tudo está perdido.

Em São Paulo, zona norte, tem um modelo a ser seguido. Uma transportadora entendeu o conceito. Na sua portaria, encontra-se a verdadeira organização, seguindo o exemplo das demais áreas. Os processos funcionam bem, tudo tão organizado, que se pensa que a portaria é a recepção, sim recepção, que normalmente é um local melhor cuidado.

  • Tomadas identificadas,
  • Carregadores identificados,
  • Cadeiras limpas e identificadas,
  • Formulários identificados,
  • Pranchetas identificadas,
  • Arquivos identificados, conservados e limpos,
  • Pastas identificadas,
  • Banheiros identificados,
  • Sinalização de restrições e permissões,
  • Rádios comunicadores identificados e conservados,
  • Ramais identificados,
  • Acessórios do dia a dia com fácil localização, limpos e conservados,
  • Materiais para atendimento de ocorrências, devidamente identificados e guardados em local apropriado.

Os itens acima são alguns exemplos da organização, limpeza, identificação, ou seja, o que se utiliza diariamente deve ser funcional, e estar fácil, à mão e no lugar certo e identificado. O que se usa eventualmente deve ser guardado em local apropriado e devidamente identificado. O que não se usa, não deve fazer parte do local.

Algumas reflexões:

  • Caro leitor, se não praticamos um S inteiro, ou as curvas de cada S, será que um dia chegaremos aos 10S?
  • Será que algum dia alcançaremos um nível mínimo de qualidade aceitável?
  • Será que algum dia alcançaremos a excelência na prestação de serviços de segurança patrimonial?

Portanto, fica aqui um alerta! Estamos cuidando do patrimônio de forma organizada e como deveríamos?

Teanes Carlos Santos Silva, gestor de Segurança Empresarial.
teanes@transportabrasil.com.br

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