Software Como Serviço II

Na segunda parte do artigo sobre Software Como Serviço, Anírio Neto mostra exemplos de software com aplicações específicas para o transporte de cargas

Segurança Patrimonial e o 5S
Ação da aceleração nos veículos com bancos laterais
O planejamento tributário dando fôlego a um setor em plena transformação

No artigo anterior falei sobre alguns conceitos que envolvem o SAAS (Software As A Service – Software Como Um Serviço), e como houve um interesse surpreendente dos leitores, volto ao tema para explorá-lo um pouco mais.

O que já existe de SAAS para o mercado de transportes de cargas?

Tenho acompanhado de perto e sim, já existe coisa boa. É verdade que a cada dia me deparo com uma iniciativa interessante de penetração de SAAS no nosso mercado. Mas também é verdade que muitas delas ainda desfilam como startup ou ainda não estão bem adequadas ou aderentes às nossas necessidades do TRC e da Logística.

No primeiro artigo eu disse que não compraria nenhum software se fosse montar minha transportadora e isso gerou um bom debate. Mas é verdade, não precisaria mesmo. Eu começaria assim:

Sistema de Gerenciamento de Transportes

Existem 2 excelentes (que eu pude avaliar até agora) opções no mercado onde o sistema é usado e pago como um serviço. O modelo mais comum é pagar pela quantidade de documentos emitidos.

O restante do sistema está no pacote. Ou seja, terei todos os processos de Cadastros (clientes, motoristas, veículos, tabelas de preços, etc.), Controle de Coletas, Viagens, Entregas, Armazéns, EDI e todo o controle operacional pagando apenas pela quantidade de documentos que emiti. Isso é excelente para aqueles períodos onde o faturamento dá uma queda. Assim, pagarei somente pelo que usei (como o pedágio que falei no artigo anterior).

Alguns vão concluir logo: fazendo isso, automaticamente terei um sócio ligado diretamente ao meu negócio. Realmente esta é uma sensação que assusta no início. Mas, dê uma olhada no quanto você pagou de manutenção de sistemas (e customizações) no último ano. Verás que a conta é maior que a bilhetagem por documento emitido.

Na solução de TMS em SAAS que mais gostei está declarado na proposta do fornecedor que “nenhuma nova funcionalidade liberada, seja para atender a legislação, os clientes ou parceiros, é cobrada . Só cobramos por CTRC ou CT-e emitido, de forma simples e transparente”. Também vem na proposta “não há custo com suporte e infraestrutura (servidores, softwares, banco de dados, segurança, etc.), pois estes itens estão embutidos no modelo acima”.

O fornecedor sabe que está atuando na missão crítica da transportadora, então ele usa o lema “o caminhão não pode parar por motivo de sistema”.

Seu fornecedor atual trata estas questões assim?

Alguns podem concluir que o tal valor por documento emitido é muito alto para pagar todos estes benefícios. Aí é que entra o modelo de negócios SAAS, pois o compartilhamento de recursos é mais uma vez quem ajuda neste processo. O fornecedor não precisa cobrar caro por documento emitido, pois ele aposta na escala e ganha com o crescimento do seu cliente, não com intervenções técnicas ou sistêmicas unilaterais. Ele olha o todo e ganha sobre o todo.

Sistema Gestor de Frotas

Pude avaliar 2 boas opções até o momento. A forma de pagamento é bem simples: quantidade de veículos cadastrados e quantidade de usuários. Basta estruturar bem os processos que você pode ter 1 pessoa gerenciando 10 veículos e pagar mensalmente menos de R$ 200,00. Isso mesmo, ter todo o controle de frota por um valor muito, muito baixo por mês.

Neste modelo, a principal dica é ter poucos usuários nominais usando o sistema e TODOS os seus veículos. Dependendo do tamanho da frota, o preço por veículo pode chegar a R$ 3,00.

Como o fornecedor consegue obter lucros cobrando apenas R$ 3,00 por veículo controlado?

Simples. Toda a infraestrutura que ele usa está compartilhada com outros usuários. A questão de armazenamento de dados e o custo de processamento não são mais problemas quando se fala de grandes players de TI (Amazon, Sales Force, IBM, Oracle, Google, etc.), pois estes Datacenters estão preparados para um volume enorme de dados. Então, o compartilhamento de serviços entre diversos usuários permite que o preço seja muito acessível, como no exemplo acima.

E o usuário, o que precisa ter? E os custos com treinamento?

Primeiro se livrar de paradigmas que o faz perder dinheiro. Segundo, o usuário vai precisar de um link de internet (o que virou item da cesta básica no mundo atual). O treinamento é rápido, simples e barato. Em algumas opções, o treinamento já está incluso no pacote de aquisição, ou seja, está embutido nos R$ 3,00 acima!

Os sistemas são completos e especialistas na gestão de frotas, fornecem módulos tais como Controle de Combustível, de Pneus, de Portaria, de Componentes, de Documentos, Gestão de Manutenção, Gestão de Custo da Frota, entre outros. Não perde em nada para os sistemas tradicionais e ainda evoluem numa ótima velocidade.

Controle Financeiro

Até agora, gostei muito de um produto que conheci. Todo o controle financeiro de uma empresa na nuvem. O custo é por usuário nominal e por módulo de controle. Ou seja, você paga de acordo com sua necessidade.

Comece usando os itens básicos de um controle financeiro, e pague apenas por estes itens. Quando precisar de outro módulo, ative-o e pague dali em diante. Por exemplo, você pode controlar seu financeiro, suas vendas, seu estoque e emitir nota fiscal eletrônica de forma rápida e simples, por um preço menor que R$ 25,00 por mês.

Acompanhei um cliente usando este sistema de perto e me surpreendi com a inteligência embutida quando, sem pedir, o sistema me apresentou uma estatística automaticamente de como estava o fluxo financeiro (neste caso, o cliente usava os módulos de contas a pagar e a receber). Esta inteligência embutida é fundamental para evolução dos processos e consequente crescimento das empresas.

É possível fazer isso num ERP tradicional?

Devo dizer que não sou contra os ERPs famosos (mesmo porque sou implementador deles também), mas gostaria muito que eles tivessem a flexibilidade e facilidade de uso que o modelo SAAS traz. Novamente vale o registro que toda implementação de sistema deve ser precedida de uma análise profunda da necessidade, do tipo de negócio, de estratégia, de tamanho da empresa, da maturidade de processos e de tantas outras variáveis que influenciam na escolha correta da solução.

Conceitos SAAS

A transição do sistema atual para um SAAS não é dispendiosa, pois basta você importar seus cadastros atuais (uma planilha Excel é suficiente) para o novo sistema e sair usando.

Empresas pequenas possuem processos simples e são capazes de usar este tipo de sistema rapidamente, realizando um treinamento rápido e on line. Empresas de médio porte podem necessitar de uma avaliação de seus processos para absorver a cultura do software sobre serviço. Entendo que para empresas de grande porte é fundamental uma avaliação mais profunda. Também existem boas empresas de consultoria que podem apoiar nesta revisão e avaliação de processos para que o sistema seja usado em sua plenitude.

No SAAS a aplicação deve ser a mais intuitiva, amigável e padronizada possível. Assim, o usuário, após receber um treinamento de 1 hora, já pode sair usando o sistema. Com um acompanhamento de um especialista online, em alguns dias o usuário já tem total domínio do sistema. O treinador passa 10% do conteúdo e o usuário conclui facilmente o restante.

O tal compartilhamento de recursos que falei tanto neste texto, faz com que os fornecedores de soluções SAAS estejam presentes em diversos clientes, assim ele investe em estudo e entendimento sobre as necessidades do setor. Já são especialistas naquilo que se propõe e com a visão de que sempre podem melhorar, implementam as melhores práticas em seus sistemas, ajudando os clientes a melhorar seus processos internos.

Em SAAS é absolutamente normal o usuário testar o sistema por um período sem pagar nada. E ele nem precisa se apresentar ao fornecedor, basta se cadastrar com informações básicas, e pronto, sai usando o sistema. Claro que o fornecedor tem interesse em manter este prospect, então em pouco tempo uma atendente entra em contato para auxiliar o novato com a navegação pelo sistema, sem custo, apenas para o usuário gostar ainda mais do produto.

Manter o cliente atualizado com as novidades, tendências e possibilidades é outra missão dos fornecedores em SAAS. Assim os clientes tem acesso a blogs, artigos, jornais e páginas Web que trazem informações sobre o negócio e que preparam os usuários para o futuro próximo.

Aqueles que se interessarem por conhecer quaisquer das soluções que mencionei acima, basta me acionar que terei enorme prazer em colaborar.

Anírio Neto é especialista em Tecnologia da Informação aplicada ao Transporte de Cargas e à Logística.

anirioneto@gmail.com

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