Diretor da CargaViva Export comenta sobre transporte aéreo de animais

Em entrevista exclusiva para o Portal Transporta Brasil, Sandro Cancian, diretor geral da empresa especializada importação e exportação de animais CargaViva Export, fala sobre os principais desafios, atual panorama e cuidados para quem quer viajar com animal de estimação

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– Quais são os maiores desafios quando se trata de transporte aéreo de animais?

São muitos desafios, pois o preparo para isso é muito longo. Por exemplo, cada país tem sua legislação a respeito do transporte de animais, e ainda por cima referente a cada espécie, o que aí já dificulta muito o procedimento. De cavalos, a gente precisa de, no mínimo, 45 dias para poder embarcar o animal. Ele tem que passar por uma série de exames laboratoriais aqui no Brasil, e tem que haver um entrosamento entre as exigências da lei e a companhia aérea. Para animais pet, alguns países são bastante exigentes. Por exemplo, nos EUA eu consigo até transportar um cão em quatro dias. Já na Europa, eu preciso de pelo menos quatro meses de burocracia; e no Japão, seis meses. Isso acontece porque alguns países exigem alguns exames e existe uma carência, por isso em alguns lugares exist e essa demora. E também outra particularidade é a Suíça, pois é um país que tem um respeito muito grande pelo direito dos animais. Então, animais que têm orelha cortada ou rabo cortado não podem entrar naquele país. Além disso, algumas raças são vetadas, como Pit Bull e Fila Brasileiro, as quais são consideradas agressivas.

– Atualmente, como está o mercado no Brasil?

O mercado de pet, hoje, é mais de exportação. É principalmente voltado para as pessoas que tem um animal de estimação e estão mudando para outro país. Esse é o volume maior no atual momento do nicho. Já o cavalo, por exemplo, é o inverso, ou seja, mais entra cavalo do que sai. E a demanda por cavalo é mais comercial. Nesse ano, em relação às importações, a gente já está sentindo certa queda. No ano passado foi importada uma grande quantidade de cavalos. Essa queda ocorre por conta da influência da queda na economia de vários países, por isso o pessoal está um pouco com o pé no freio. Por outro lado, a projeção para o próximo semestre é recuperar o volume e tentar balizar com o do ano passado. Em relação à exportações de pet, o crescimento é constante, em torno de 10% ao ano.

– Dentro do nicho, qual modalidade (turismo, comércio, esportes) conta com maior demanda e rentabilidade?

Importações de cavalos, a modalidade com maior demanda é para competição, e também para reprodução. Agora, para animais pet, é realmente mudança.

– O Brasil está bem preparado para lidar com essa logística?

Só para você ter uma ideia de como o Brasil está atrasado com a logística no segmento de transporte de animais, é mais fácil eu colocar um animal no exterior do que eu transportar um animal brasileiro via aérea para qualquer lugar do Brasil. Então, de São Paulo para Nova Iorque é mais fácil que transportá-lo de São Paulo para Florianópolis. Isso acontece por causa das companhias brasileiras, que não estão estruturadas para transportar animais, seja de pequeno porte ou grande porte. Já no caso das internacionais, normalmente elas têm um departamento voltado somente para isso, que sempre está estudando todos os procedimentos possíveis de uma série de espécies. E o entrave maior é que em tempos de crise, esse tipo de carga é a que sempre aponta para o crescimento na movimentação.

– E a legislação no Brasil, em relação de animais que vêm de fora e são trazidos para o nosso país? Como funciona?

Como aqui é um país que tem bastante doença, ele não tem condições de exigir muito de quem traz animal para cá. Falando de pet, exige-se que o animal tenha a vacinação contra raiva em dia. Por outro lado, países como a Austrália não aceitam animais que vem do Brasil, pois aqui existe a doença de raiva, e como lá o problema está controlado, eles nem aceitam o pet.

– Há uma espécie mais complicada para se consolidar uma operação, além de cavalos e pets (cães e gatos)?

Animais bastante burocráticos são aqueles geneticamente modificados, voltados para pesquisas, ou seja, roedores como camundongos. Por eles serem geneticamente modificados, existe um protocolo muito rigoroso a ser seguido. Então esses são uns dos mais difíceis. Porém, podemos incluir também aves. O Brasil, por ser o maior exportador de carne de frango, ele tem muito medo de trazer para cá algum animal portador de gripe aviária. Caso isso ocorra, no dia seguinte, todas as exportações são canceladas, e aí pode haver uma queda bastante séria de toda a cadeia, desde fabricantes de ração até os transportadores.

– Você tem algum conselho para quem planeja viajar levando consigo algum animal? Existe algum perigo de o animal ser impedido de viajar no momento do embarque?

Existe esse perigo, sim. É muito comum ver gente que chega no aeroporto sem nenhuma informação a respeito, que apenas fez a reserva na companhia aérea e chegou no terminal sem documento nenhum. O animal não embarcará. O que eu aconselho é que essas pessoas procurem alguma empresa especializada no procedimento para adquirir as informações corretas. Além disso, é necessário se planejar pelo menos dois meses antes do embarque. Vamos supor que a pessoa até conseguiu embarcar o animal. Chegando no destino, é feita toda a conferência documental e física do animal. Se nesse caso tiver qualquer problema, podem ocorrer três coisas: uma, é ele ser devolvido no primeiro voo para a origem; na segunda hipótese, ele pode ficar sob observação em uma quarentena; e por último, ele pode ser até abatido no terminal. Essa terceira opção eu nunca vi acontecer, mas todos os países têm esse direito de abater o animal casos o profissional suspeite de alguma doença.

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