Software como Serviço

Software como Serviço

Em sua volta como articulista do Portal Transporta Brasil, Anírio Neto traz uma reflexão sobre a aplicação de software nos negócios com o conceito de SAAS

Repercussão do frio nos motoristas e motociclistas
A crise do abastecimento nas grandes cidades
Vibração na direção veicular

Estou feliz por escrever novamente para o Transporta Brasil. Iniciarei esta retomada com um tema atual que, se bem empregado, revoluciona a forma como pensamos em sistemas corporativos.

No mundo da Tecnologia, muito já se falou e se escreveu sobre SAAS (Software As A Service – Software Como Serviço). No mundo dos Negócios temos ótimos exemplos de aplicações, mas no mundo do Transporte e Logística, este conceito ainda não chegou com força e por isso, ainda não recebemos os benefícios que esta evolução traz.

De uma forma ou de outra, todos somos usuários de algum tipo de aplicação na nuvem (programa ou informação que não esteja instalado diretamente em seu computador). Um dos melhores exemplos de aplicação na nuvem é o e-mail. Você usa algum tipo de WebMail (Hotmail, Gmail, UOL, BOL, IG, etc.) ou até mesmo webmail corporativo? Então você já é um usuário da nuvem. Você tem acesso ao Facebook ou Twitter ou Instagram ou Linkedin ou qualquer outra rede social ? Então você já é um usuário da nuvem.

Você acessa seu Internet Banking ou Paypal ou PagSeguro ou site do seu Cartão de Crédito e faz transações financeiras com estas instituições ? Então você já tem confiança de que a nuvem é segura. Ou você só faz o cadastro depois de saber onde está o servidor que armazenará suas informações? Você se preocupa com qual linguagem ou banco de dados seu Banco está usando ? Não, você simplesmente confia. Isto porque o nível de segurança é altíssimo e os investimentos são volumosos para deixar o usuário tranquilo, mantendo-o como cliente sem que este precise usar as estruturas físicas destas instituições.

O mesmo raciocínio vale para as empresas. Quantas transações eletrônicas (de todas as formas e para todas as direções) sua empresa realiza hoje ? É quase impossível saber. Estes processos funcionam ? São confiáveis ? Sim, têm que funcionar e serem confiáveis, senão sua empresa não existiria mais.

Voltando para o mundo do Transporte e Logística … Agora não dá mais para dizer que você não acredita nesta tal nuvem. Que tem medo que suas informações sejam roubadas ou repassadas para o concorrente. Seria leviano se afirmasse que isso é impossível de acontecer. Caso ocorra, prefiro dizer que o projeto não foi correto ou o fornecedor não era o adequado. É sempre válida a comparação com o sistema financeiro. Você paga taxas mais altas para os bancos de primeira linha porque acredita que eles não vão falir amanhã e bloquearem suas economias. Então não vai escolher qualquer serviço na nuvem para deixar as informações de sua empresa. Deve conhecê-la, fazer testes, ter referências e benchmarking que lhe deem a mesma confiança que o sistema financeiro vigente.

Nos últimos anos venho acompanhando o crescimento e aprimoramento de diversas aplicações para o nosso setor de transporte e logística. Então comecei a incentivar empresários a pararem de se preocupar com questões técnicas que não levam a nada, e olharem para os benefícios que este conceito SAAS pode trazer para sua empresa. Depois de 2 horas de reunião com um importante player do TRC, perguntei a ele: você é empresário de transporte ou de tecnologia ? Pergunto isso porque vejo você mais preocupado com questões de infraestrutura de TI que com seu negócio. Depois de alguns outros debates, ele me perguntou: se você criasse sua transportadora, qual sistema compraria ? Respondi facilmente: nenhum, usaria excelentes opções que existem em SAAS. Assim me manteria focado no meu negócio.

Grifei o verbo usar, pois esta é a essência do SAAS. Simplesmente use o que está pronto e pague apenas pelo que usar. Como se trata de um serviço, aqui o software não é um ativo, então só pagamos quando usamos e pelo volume que usamos. No mundo dos carros, é como se você tivesse um Fusca, mas de vez em quando quer andar de Ferrari. Entretanto, não tem dinheiro para comprar uma Ferrari. Então nasceu o serviço de locação de carros e agora, quando quiser, pague somente pelos dias que utilizou a Ferrari.

Como o software não sofre desgastes físicos, tem vida longa e pode ser compartilhado por vários usuários ao mesmo tempo. A analogia com pedágios é dolorida, mas é verdadeira. Nenhum empresário pensa em construir sua própria estrada para levar mercadorias de São Paulo para o Rio de Janeiro. Os investimentos e a burocracia são altíssimos e o volume de viagens (por maior que seja) não compensa. Então, todos usam (compartilham da) a mesma rodovia (construída e mantida por especialistas nesta área) e paga uma tarifa toda vez que passar por ela. Tem viagem, paga. Não tem viagem, não paga.

Porque não pensar da mesma forma com alguns tipos de softwares que usamos no TRC?

Porque construir algo que já existe? Ou pagar milhões para ter alguns tipo de softwares em casa?

Porque manter uma infraestrutura cara e sempre insuficiente?

Há mais de 20 anos luto no TRC para que as empresas tenham a Tecnologia como sua aliada nas estratégias de negócios. E é justamente nesta linha que estou estudando muito o SAAS, pois para TI ser estratégica não precisa ser dispendiosa. Claro que a implantação deste conceito deve ser estudada com cautela e inteligência. E o primeiro passo é pensar na possibilidade de não ver seu servidor no CPD (ou na TI ou Datacenter interno) todos os dias.

O debate está aberto.

Anírio Neto é especialista em Tecnologia da Informação aplicada ao Transporte de Cargas e à Logística.
neto@transportabrasil.com.br

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