Mercado de aviação comercial ensaia retomada em 2012

Mercado de aviação comercial ensaia retomada em 2012

As três maiores fabricantes de aviões do mundo, Boeing, Aribus e Embraer, aumentam as entregas no ano e revisam suas projeções de crescimento mesmo com poucos pedidos na feira de Farnborough, que registrou pouco mais da metade dos acordos, em dólares, anunciados na feira de Paris no ano passado

Infraero reinicia obras de recuperação da pista do aeroporto de Rio Branco (AC)
Paraná enfrenta crise em aeroportos municipais
TAP estende política de proteção ambiental ao kits de bordo

Com a divulgação dos dados da Embraer no início desta semana, as três maiores fabricantes de aeronaves do mundo demonstraram que o mercado começa a dar sinais de recuperação de demanda. Todas elas apresentaram aumento das entregas no segundo trimestre de 2012 em comparação a 2011 e no primeiro semestre do ano, mesmo com o menor nível de pedidos anunciados na feira de Farnborough, uma das maiores do setor e realizada no mês passado, na Inglaterra, que somou acordos de cerca de US$ 52,8 bilhões, contra os US$ 100 bilhões da Paris Air Show 2011.

O maior resultado foi registrado pela norte-americana Boeing, que reportou um aumento de 3%em seu lucro líquido entre abril e junho deste ano com ganhos de US$ 967 milhões, contra US$ 941 milhões no mesmo período do ano passado. As receitas da empresa nesses três meses somaram pouco mais de US$ 20 bilhões, aumento de 21% sobre o volume registrado no ano passado. No consolidado do primeiro semestre esses indicadores apresentaram crescimentos de 24% no lucro líquido (US$ 1,890 bilhão) e receita de US$ 39,388 bilhões, aumento de 25%.

Apesar dessa elevação a margem operacional da empresa apresentou recuo ante 2011. No segundo trimestre foi reduzida de 9,3% para 7,7% e no consolidado do semestre de 8,1% para 7,9% neste ano. A empresa, porém, destacou que foi justamente o aumento das entregas no ano que levaram ao crescimento da receita da empresa.

Na divisão de aviação comercial foram entregues 150 aeronaves no trimestre passado, que somadas às 118 unidades dos três primeiros meses do ano levam a 287 aviões novos entregues, aumento de 29%, número que significou a retomada da liderança do setor no primeiro semestre. Dos US$ 20 bilhões registrados pela empresa, US$ 11,843 bilhões, ou 69% do negócio da empresa entre abril e junho. Os 31% restantes vieram das demais áreas, entre elas, a de defesa, sistemas espaciais e serviços.

Com isso, a Boeing revisou as projeções para este ano e estima que a receita deste ano pode chegar a US$ 81,5 bilhões, boa parte como resultado das cerca de 600 entregas previstas para 2012. A carteira de pedidos da empresa (backlog) somou US$ 374 bilhões, resultado de US$ 13 bilhões de novos pedidos recebidos no trimestre.

Por sua vez, a EADS, holding que controla a Airbus, também utilizou os dados financeiros do segundo trimestre para revisar suas projeções para o ano. No consolidado dos seis primeiros meses do ano a companhia registrou o aumento de 14% em sua receita, que alcançou 24,9 bilhões de euros, a companhia teve um lucro líquido de 594 milhões de euros. O backlog da empresa alcançou 551,7 bilhões de euros, somadas todas as divisões da companhia. As entregas da Airbus somaram 279 aeronaves para a aviação comercial, aumento de 8% ante o mesmo período do ano passado.

A EADS acredita que a demanda do setor descolará da performance da economia mundial, principalmente a europeia, e continuará em crescimento. Se as previsões da empresa se confirmarem, a sua principal marca, a Airbus encerrará o ano com cerca de 580 entregas, cinco a menos que o patamar mínimo apontado pela sua concorrente que pode ficar entre 585 e 600 unidades. O destaque da empresa, nesse caso é para o numero de pedidos que serão maiores que o de entregas, entre 600 e 650 novos acordos até o final do ano. Enquanto isso, a receita está prevista para crescer 10% este ano.

A brasileira Embraer vem bem atrás, a empresa, registrou no segundo trimestre do ano receita de US$ 1,713 bilhão, originados em grande parte pela entrega de 35 jatos para a aviação comercial e 20 para a executiva. No ano a aviação comercial ficou com 56 unidades e a executiva com 33 unidades. Apesar do desempenho melhor que o registrado no ano passado, no primeiro semestre de 2011 a empresa havia registrado a entrega de 45 aeronaves comerciais e 31 executivas, a desvalorização cambial do real ante o dólar pressionou o lucro da fabricante que ficou 24% menor, a R$ 114,8 milhões, ou cerca de US$ 54,3 milhões.

O que preocupa o mercado, no entanto, é o backlog da empresa, que atingiu o menor nível dos últimos anos, com US$ 12,9 bilhões. Segundo o presidente da empresa Frederico Curado, esse montante está mais ligado ao momento de intensa atividade da companhia do que problemas com a equipe comercial da fabricante. Alem disso, afirmou em teleconferência com a imprensa que a empresa não pensa em reduzir o ritmo de produção.

Com isso, a Embraer também revisou suas projeções. Mas, por política da empresa, divulgou apenas as novas margens que prevê alcançar este ano. A meta para a margem Ebit passou de 8% a 8,5% para 9% a 9,5%, enquanto para margem Ebitda, a estimativa foi elevada de 11,5% e 12,5% para algo entre 12,5% a 13,5%.

A preocupação com o backlog da Embraer veio na esteira do que aconteceu na feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra. Nos últimos dias as duas maiores anunciaram contratos gigantescos que salvaram o evento, marcado por anúncios de relevância no cenário internacional. A Embraer apresentou apenas um acordo com a chinesa Hebei para a aquisição de 5 unidades do E 190, negócio avaliado em US$ 226 milhões de acordo com o preço-lista da unidade. Porém, o recente acordo com a Venezuela colocou um pouco de alívio sobre a carteira de pedidos com até 20 unidades desse mesmo modelo.

Para efeitos de comparação, a Boeing somou acordos que lhe renderam 393 novos pedidos e que a preço-lista podem somar mais de US$ 35 bilhões, já que nesse valor não foi incluído o pedido da Virgin Australia para 23 unidades do modelo 737 MAX.  Já no caso da Airbus os números são de 115 acordos para o fornecimento de novas aeronaves ao valor de US$ 16,9 bilhões.

COMMENTS