Gol e TAM amargam prejuízos bilionários no primeiro semestre

Gol e TAM amargam prejuízos bilionários no primeiro semestre

Apenas no segundo trimestre de 2012, as duas maiores companhias aéreas do País registraram, juntas, um prejuízo que ultrapassa a marca de R$ 1,6 bilhão. Modelo de negócios das duas empresas dá sinal de esgotamento

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A reestruturação da Gol no início deste ano, com o corte de 1.500 funcionários e eliminação de 130 voos deficitários, não foi suficiente para impedir que a companhia registrasse no segundo trimestre, um prejuízo líquido de R$ 715 milhões, quase o dobro do apurado um ano antes (R$ 358,7 milhões). Com isso, a companhia fechou o primeiro semestre com prejuízo líquido de R$ 756,5 milhões, um aumento de 161,5% nas perdas em comparação com o mesmo período em 2011.

A TAM também divulgou na última semana um prejuízo de R$ 928 milhões no segundo trimestre. Os números refletem diretamente o impacto da desvalorização do real (de 23% no segundo trimestre ante mesmo período do ano passado) e a alta do querosene de aviação nos custos das empresas.

A dificuldade que as duas maiores companhias aéreas do País tem para controlar os prejuízos reflete um possível esgotamento do modelo de negócios das companhias, que operam aviões grandes, de mais de 160 lugares, conectando grandes centros.

Estudo do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) mostra que o movimento nos aeroportos que as duas companhias priorizam, como Congonhas (SP), Brasília e Santos Dumont (RJ), cresceu bem abaixo da média do país, de 8% no semestre.

No caso de Congonhas, principal fonte de lucratividade para as duas empresas, o movimento ficou negativo em 0,93%. Brasília cresceu 3,45%, e Santos Dumont, 4,57%. “A variação negativa em Congonhas indica um possível esgotamento da capacidade (de crescimento) desse aeroporto”, diz o Snea.

As duas companhias dependem do passageiro de negócios, principalmente da ponte aérea Rio-São Paulo, uma das mais caras ligações aéreas do mundo. Com o desaquecimento da economia e os cortes nas viagens a negócio, as empresas têm pouca margem para elevar preços e recuperar o aumento de custos.

“Não temos perspectiva de número positivo para o ano”, afirmou o novo presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoff.

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