UNICAM não adere à greve dos caminhoneiros

De acordo com o presidente da entidade, argumentos para a greve não contemplam as necessidades dos transportadores de cargas brasileiros

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A União Nacional dos Caminhoneiros (UNICAM) informou por meio de nota que não irá aderir à greve dos transportadores de carga organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, programada para o dia 25 de julho, uma vez que, segundo a entidade, a manifestação não representa os interesses dos transportadores autônomos de cargas do Brasil.

“A chamada manifestação nacional dos transportadores de cargas poderá prejudicar todo o trabalho que vem sendo realizado por aqueles que desejam realmente melhores condições de trabalho e dignidade em sua atividade”, afirma o presidente da Unicam José Araújo “China” da Silva.

O MUBC contatou no último mês, as entidades que representam os caminhoneiros autônomos em todo o País (inclusive a Unicam) para tentar organizar uma desmobilização do setor no dia do padroeiro dos motoristas, para reivindicar a revisão do uso do cartão frete, imposto pela resolução 3.658, da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que determinou o fim da carta-frete, e exigir uma atitude da agência sobre a defasagem na remuneração destes trabalhadores, após a alteração na resolução que flexibilizou o acesso ao Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Carga (RNTC).

O movimento afirma que essas medidas inviabilizam o exercício da atividade para pequenos e médios transportadores. Segundo Nélio Botelho, presidente do MUBC, as recentes resoluções aplicadas pela ANTT desconfiguram as leis que poderiam beneficiar o setor transportador e impedem o desenvolvimento, principalmente dos caminhoneiros autônomos e contratados, pois não garantem remunerações adequadas aos custos exigidos pelas normas.

Botelho afirma que a carta-frete era usada por menos de 7% dos caminhoneiros no Brasil e que a norma imposta pela ANTT tem dimensões desnecessárias. “A grande culpada da atual situação do setor é a ANTT, pois faltou competência na aplicação dessas medidas. Os RNTCRs (registros obrigatórios) têm que ser suspensos em sua totalidade, pois estão todos irregulares”, afirma.

Botelho já apresentou as reivindicações ao Ministro dos Transportes, Paulo Passos, e aguarda a convocação da ANTT para negociações. Caso isso não ocorra, está previsto um ato de desmobilização do setor, em que, segundo ele, nenhum caminhão vai sair da garagem.

“A adesão a esta paralisação seria um retrocesso para a categoria, já que o Governo têm se mostrado sensível aos pleitos do setor e está disposto a atender as nossas propostas de mudanças através de negociação, devendo em breve fazer os ajustes necessários nas novas regulamentações para dar melhores condições de trabalho aos transportadores de cargas”, afirma China.

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