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Produção de caminhões recua 40% no 1º semestre e Anfavea acha difícil setor se recuperar

Redução do IPI para os veículos leves levou a entidade a manter as perspectivas de crescimento do setor entre 4% e 5% para este ano, mas o setor de pesados ficará abaixo de 2011. Setor foi o principal causador da queda no uso da capacidade instalada medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)

10/7/2012

11h29

Maurício Ferla, repórter do Portal Transporta Brasil

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Linha de produção de caminhões da Scania, em São Bernardo do Campo (SP) - Foto: Scania do Brasil

O desempenho no primeiro semestre de 2012 para as montadoras de caminhões ficou 39,8% abaixo do registrado no ano passado. Até aí nenhuma novidade, pois, com a entrada em vigor da norma Proconve 7/ Euro 5, os veículos ficaram até 20% mais caros em comparação com o produto Euro 3, uma situação que já vinha sendo alertada por todos s agentes do setor.

Agora, é a própria Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que considera difícil uma recuperação nas vendas mesmo com os incentivos concedidos pelo governo federal.

De acordo com o presidente da entidade, Cledorvino Belini, no balanço divulgado na semana passada, a redução do IPI para os veículos leves levou a entidade a manter as perspectivas de crescimento do setor entre 4% e 5% para este ano, mas o setor de pesados ficará abaixo de 2011. Ainda no mês de abril, o presidente da MAN, Roberto Cortes, dizia acreditar em retomada das vendas de Euro 5, fato que não ocorreu.

“Eu continuo otimista em relação ao setor automobilístico, mas acho difícil o segmento de caminhões se recuperar no momento”, afirmou Belini.

Tanto é assim que as montadoras apresentaram retração de atividade no primeiro semestre e afetaram diretamente o desempenho da indústria nacional. De acordo com a pesquisa de uso de capacidade instalada da indústria brasileira (NUCI), realizada mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor produtivo reduziu a ocupação média das fábricas pelo nono mês seguido, passou de 81% para 80,7%. Desde o inicio de 2012 a atividade industrial recuou 1,4 pontos percentuais.

Um dos principais causadores dessa retração foi justamente o setor das montadoras. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a redução na fabricação de automóveis foi o que puxou a queda na principal atividade da indústria paulista, mas houve retração também nas linhas de montagem de caminhões e caminhões-tratores. “Além de(o setor)não ter capturado ainda a redução do IPI, a demanda já está um pouco saturada”, avaliou o economista do IBGE.

Um dos motivos ficou claro nestes seis primeiros meses, com as vendas em baixa, as montadoras desaceleraram a produção e até mesmo interromperam as atividades por pelo menos duas vezes neste período.

De acordo com o balanço consolidado da Anfavea para o primeiro semestre, foram fabricados apenas 62.926 unidades no primeiro semestre do ano contra os quase 105 mil do mesmo período do ano passado. Se considerar apenas o mês de junho, a queda foi de 55,8%. A categoria que porcentualmente apresentou maior retração foi a de semileves, com 70,3% menos veículos neste ano. Do outro lado, a que menos caiu foi a fabricação de semipesados com 27,8% negativos.

Enquanto isso, em termos de vendas – tanto no mercado interno quanto externo – o desempenho também está em terreno negativo, mas menor do que o desempenho da produção. Os emplacamentos até junho apresentam queda menos intensa com retração de 15,1% e as exportações estão 8,5%% menores. Na soma entre as exportações e os emplacamentos, de janeiro a maio foram 82.048 unidades comercializadas, o que mostra a redução de estoques em quase 19.122 veículos. Descontadas as importações de 2.579 unidades nos seis primeiros meses do ano, a redução os estoques foi de pouco mais de 16,5 mil unidades.

Ranking de vendas

As nove companhias associadas à entidade fecharam os cinco primeiros meses do ano com 70.405 unidades vendidas. A MAN é a líder com 21.955 unidades no ano (3.452 em maio), a Mercedes-Benz segue na vice-liderança com 18.042 veículos (2.676 no mês), a Ford aparece em terceiro lugar com 11.315 caminhões emplacados (1.651 em maio), a Volvo com 6.853 unidades (1.103 no mês passado), a Iveco está em quinto lugar com 5.414 caminhões (667 unidades em maio) e a Scania segue em sexto lugar com 4.727 unidades novas nas ruas (954 vendas no mês passado). Com isso, tirando as duas primeiras do mercado, as demais recuam mais de 20% no ano.

No primeiro semestre, os pesados apresentam a maior queda em termos de vendas com 24,2% a menos que no ano passado, seguidos por semileves com 24%, semipesados que recuaram 14,8% até o final de junho e os leves, cuja retração foi de 11,8%. No somatório dos primeiros seis meses de 2012, os médios estão na contramão dessa tendência com leve alta de 0,6%.

Ônibus e automóveis

Na categoria transporte de passageiros (incluindo chassis), o desempenho das vendas também continua no vermelho, 9,1% menor do que no primeiro semestre de 2012. Foram comercializadas 14.763 unidades de janeiro a junho deste ano.

De acordo com a Anfavea, a fabricação de veículos no primeiro semestre deste ano caiu 9,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, a média diária de produção, em junho, teve alta de 7,2% em relação a maio, já sendo o reflexo da redução do IPI para os veículos leves.  Com isso, os estoques atingiram um patamar considerado bom pela indústria, 29 dias.  O licenciamento total de autoveículos leves registrados pela entidade avançou 0,3%.

As quatro mais tradicionais empresas do setor mantiveram a posição de mercado no consolidado do ano. A Fiat ainda figura em primeiro com 361.770 unidades vendidas (75.240 no mês), a Volks vem em seguida com 338.398 (71.805 em junho) carros comercializados, a norte-americana GM com 290.530 (57.593 no mês passado) veículos e em quarto a Ford, 154.718 (33.727 nos últimos 30 dias) unidades novas colocadas no mercado.

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