Petrobras bate recorde de processamento de petróleo no Brasil

Petrobras bate recorde de processamento de petróleo no Brasil

Apesar de positivo, fato expõe deficiência brasileira de falta de investimentos em refinarias. Maior capacidade de produção é prevista para este ano com a unidade de Abreu e Lima (PE). Enquanto isso, preços mantêm estabilidade ao consumidor final

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A produção de derivados do petróleo e gás natural parece estar próxima de seu limite nas refinarias brasileiras, sendo que qualquer aumento de demanda deverá levar o País a importar combustível. Um reflexo disso é o esforço da Petrobras em aumentar a produção local por meio de melhorias operacionais, já que essas unidades de processamento estão próximas de sua capacidade nominal.

A estatal informou que alcançou no dia 7 de junho o seu maior nível de produção nas refinarias, com o processamento de 2.029.021 barris, quase o mesmo volume que a empresa extrai de seus poços.

O recorde anterior é de julho de 2010, com o processamento de 2.020.200 barris/dia de petróleo. Segundo a petroleira nacional, essa nova marca foi obtida por meio de melhorias nas plantas que buscam “a máxima eficiência operacional, aproveitando-se todas as oportunidades para aumentar a carga processada, dentro dos limites dos equipamentos e sistemas das refinarias”.

Apesar do viés positivo que a noticia tem para o País, essa busca por melhoria expõe uma deficiência estrutural que só mudará quando as novas unidades que estão em construção e fazem parte do Plano de Negócios da empresa saírem do papel.

O projeto mais adiantado é o da primeira refinaria brasileira após cerca de 30 anos de paralisia no setor, a de Abreu e Lima (PE), que deveria entrar em operação ainda este ano com 230 mil barris de óleo processados, porém a unidade tem sofrido com diversas greves. Além disso, há o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) que terá capacidade de processar 165 mil barris ao dia na etapa que a Petrobras chama de 1º. Trem. A partir de então, os planos da empresa colocam uma carga adicional de 300 mil barris apenas em 2016 com a refinaria Premium I no Ceará e um ano depois mais 300 mil barris de capacidade com a refinaria no Maranhão, e segue com o segundo trem do Comperj (165 mil barris em 2018) e termina com o segundo trem da refinaria Premium I em 2019.  Para essa área de atuação da empresa, de acordo com o Plano de Negócios que está em vigência, a empresa destinará cerca de US$ 35 bilhões, porém, esse valor será até 2015 apenas, ou seja, deverá se elevar ainda mais.

Esse investimento adicional vem na esteira do crescimento da produção brasileira de hidrocarbonetos e da meta da empresa de elevar a produção de petróleo e gas de cerca de 2 milhões de barris ao dia para 6 milhões até 2020.

Segundo os mais recentes dados publicados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de petróleo no Brasil em abril foi de 2,022 milhões de barris/dia (bbl/d), apresentando redução de 1,5 % em relação ao mesmo mês de 2011. Na comparação com o março, a queda foi de 3,2%. A produção de gás natural foi de aproximadamente 65 milhões de metros cúbicos/dia. Houve aumento de 4,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, e queda de 1,4% em relação ao mês anterior. Desse volume, a Petrobras respondeu por 94,3% da produção de petróleo e gás natural. Os campos marítimos foram responsáveis por 91,2% da produção de petróleo e 75,8% da produção de gás natural.

Preços

Apesar de a Petrobras, que controla todas as refinarias brasileiras, estar próxima da capacidade nominal de produção, os preços praticados pela empresa são item básico que o governo federal utiliza como forma de controle da inflação. Com isso, de acordo com levantamento da ANP, os valores dos combustíveis praticados no País apresentaram relativa estabilidade.

De acordo com a agência reguladora, o preço médio ao consumidor do diesel variou pouco, entre R$ 2,043 e R$ 2,047 em 7,5 mil postos pesquisados. Porém, o valor máximo se manteve sem variação em R$ 2,79, enquanto o mínimo ficou entre R$ 1,749 e R$ 1,789. Nesse mesmo período, os preços na distribuidora ficaram entre o mínimo de R$ 1,418 e R$ 2,361. Vale lembrar que o Brasil não tem capacidade instalada suficiente para produzir o combustível, que tem que ser importado.

Outro produto importante que sai das refinarias, a gasolina, apresentou o mesmo comportamento nas últimas quatro semanas. O preço médio ficou em R$ 2,741 e R$ 2,735, resultado da variação mínima de R$ 2,199 para todas as semanas e máxima de R$ 3,69 a R$ 3,719. A base de postos pesquisados foi de 8.680. Nas distribuidoras, relatou a ANP os valores mínimos de R$ 2 a R$ 2,01 e máximos de R$ 2,847 a R$ 2,92, este registrado na semana passada.

Para efeitos de comparação, o etanol, cuja produção independe das refinarias mas está intimamente ligado ao preço do açúcar no mercado internacional, ficou, em média, ao consumidor final entre R$ 1,95 e R$ 1,964.

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