ABC Paulista desiste da restrição aos caminhões

Momento econômico desfavorável foi uma das justificativas do Consórcio Intermunicipal. Entre as alternativas para a solução do problema do trânsito na região está a implantação de rodízio de veículos, que passará por aprovação popular e pode entrar em vigar ainda esse ano

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O GT (Grupo de Trabalho) de Mobilidade do Consórcio Intermunicipal, entidade que reúne os sete prefeitos da região do ABC Paulista, recuou e desistiu da restrição a circulação de caminhões que teria início no próximo dia 08.

O presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Diadema, Mário Reali, explicou que o momento econômico não é favorece a medida e que qualquer decisão nesse sentido poderia prejudicar o setor industrial e o desenvolvimento econômico. “Os números do primeiro trimestre mostraram que o setor industrial sofreu impacto importante. Estamos preocupados e atentos a isso.”

O aumento do custo do frete, devido ao horário diferenciado em que os profissionais teriam de atuar e o impacto na competitividade dos empreendimentos regionais foram os argumentos que mais implicaram na decisão contraria à ação. Na avaliação de especialistas, a restrição também não era bem vista, uma vez que o projeto é uma solução a curto prazo e provocaria um novo horário de pico.

O Consórcio procura manter um diálogo com o setor industrial e os sindicatos para encontrar medidas de consenso com o setor. De acordo com Reali, durante as reuniões com as empresas, o setor se mostrou interessado em integrar o GT de Mobilidade e participar mais ativamente da discussão. “Eles se propuseram a reduzir, de maneira voluntária, o volume de caminhões nos horários de pico, mesmo sem a fiscalização”, disse.

Apesar do comprometimento das empresas em reduzir, por conta própria, a quantidade de carretas nos horários de pico, Reali não descarta a possibilidade de a medida voltar a ser obrigatória, caso a discussão entre Consórcio, empresas e sindicato não evolua. “O que estamos propondo é uma trégua para fazer algo mais consensual. Mas isso não quer dizer que o decreto não seja feito. Até porque a proposta está pronta”, disse.

Reali assegurou que levará o assunto para o Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, que reúne representantes dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo. “Nosso principal problema é o tráfego de cargas de passagem trazido ao ABC devido à restrição na capital. Já estive falando com o prefeito Gilberto Kassab sobre o assunto e temos de pensar em uma solução”, disse.
A restrição de caminhões teve início na capital paulista em setembro de 2010, e englobava apenas a marginal Pinheiros e a avenida Bandeirantes. Em 5 de março passado, o prefeito Gilberto Kassab ampliou a medida para a marginal Tietê. O problema é que, mesmo após a restrição, dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) revelam que, na média, os congestionamentos aumentaram 5,8% no período da manhã.

Para especialistas, a ineficácia da ação pode ser explicada pelo aumento da quantidade de automóveis. Antes, devido aos congestionamentos, as vias eram evitadas pelos carros pequenos, mas com a restrição de caminhões passam a ser ocupadas pelos automóveis. Em suma, tira-se um caminhão e entram seis carros no lugar, o que piora ainda mais o trânsito.

Reali pediu ontem que o GT Mobilidade acelerasse a pesquisa de opinião pública sobre a implantação do rodízio de veículos do ABC. Para realizar a pesquisa, o Consórcio contratará um instituto por meio de processo licitatório e investirá cerca de R$ 100 mil. Pelos cálculos, entre a licitação e a pesquisa, o processo levará cerca de cinco meses para ser concluído. “Se a população aprovar, a medida será implantada ainda este ano”, assegurou Reali.

Apesar de viável, do ponto de vista técnico, o presidente no Consórcio não esconde que a medida possui um período curto de validade, porque muitas pessoas compram um segundo veículo para ter opção de circular. “Assim como aconteceu na capital paulista, no começo, o impacto no tráfego será grande, mas depois, com a compra do segundo veículo, a medida perde força”, disse.

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