Ar condicionado veicular pode causar riscos à saúde

Conheça, neste novo artigo do Dr. Dirceu Rodrigues Alves Jr., os riscos à saúde que podem ser acarretados pelos sistemas veiculares de ar condicionado e climatização

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A evolução da tecnologia nos leva ao conforto térmico no interior de veículos. Enquanto do lado de fora temos 35º C, lá dentro temos 20 a 22º C. Para esse conforto, não podemos esquecer que riscos importantes poderão trazer consequências que variam de leves a graves.

Nessas condições, somos submetidos a riscos físicos e biológicos. O risco físico, devido à variação térmica abrupta, tanto quando entramos, como quando saímos do veículo. O risco biológico existirá sempre pela presença de fungos, vírus, ácaros, bactérias e bacilos insuflados no meio pelo equipamento de refrigeração. A utilização do ar quente e do ar frio repercute de maneira similar.

Risco Físico

Mas o que causaria esta variação térmica e quando aconteceria? Poderemos citar três situações:

1. Quando se sai do veículo.

Percebe-se:

A sensação de calor lá fora é muito maior. Elevação súbita da temperatura. Pele quente;

  • Não há tempo suficiente para adaptação;
  • Ressecamento súbito dos condutos nasais;
  • Ocorre uma vasodilatação periférica;
  • Redução súbita do fluxo sanguíneo cerebral;
  • Perda líquida rápida através da pele tentando equilibrar a temperatura corporal;
  • Redução da frequência cardíaca e respiratória.
  • E quais são os sinais e sintomas decorrentes dessa saída súbita do automóvel, com ar condicionado ligado, para a rua, onde a temperatura está elevada?
  • Calor intenso;
  • Queda da pressão arterial;
  • Tonturas,
  • Desmaios;
  • Desequilíbrio hidro-eletrolítico;
  • Os hipotensos (pressão baixa) tornam-se mais hipotensos;
  • Sonolência;
  • Torpor;
  • Fraqueza.

2. Para quem fica no veículo

No momento da abertura da porta, o ar quente domina o ambiente. Ocorre súbito aumento da temperatura podendo produzir sinais e sintomas idênticos aos descritos anteriormente, porém minimizados.

3. Para quem entra no veículo

  • Ocorre uma queda brusca da temperatura;
  • Sensação de variação térmica é maior;
  • Cartuchos nasais não têm tempo hábil para adaptar-se, não conseguindo aquecer o ar, hipertrofiam-se;
  • Pode ocorrer sensação de nariz úmido e coriza.
  • Dependendo da sensibilidade individual, os sintomas serão maior ou menor.
  • Ar frio chegando à faringe, cordas vocais, traqueia e brônquios, resfria o tecido de revestimento interno produzindo maior umidade no trajeto;
  • Vaso constrição periférica;
  • Aumenta o fluxo sanguíneo cerebral;
  • Hipertensos se tornam mais hipertensos;
  • Aumenta frequência cardíaca e respiratória.

E o que se sente nestas condições?

  • Irritação no nariz com espirros e sensação de umidade;
  • Coriza;
  • Frio intenso;
  • Tosse;
  • Rouquidão;
  • Sensação de obstrução ou entupimento nasal;
  • Sensação de obstrução do conduto auditivo por comprometimento da trompa que ventila o ouvido médio;
  • Dor muscular;
  • Dor nevrálgica;
  • Paralisias comprometendo nervos periféricos;
  • Cefaleia.

Risco Biológico

Ocorre a presença de microorganismos insuflados no ambiente pelo equipamento. A umidade do ambiente permite também proliferação de microorganismos levados para o interior do carro através roupas, sapatos, etc., que alojados nos assentos e carpetes do veículo proliferam.

Com o desligamento do sistema de ar condicionado, a temperatura sobe, atingindo condições ideais para crescimento de micro-organismos. O ácaro, elemento altamente sensibilizante da via respiratória, capaz de produzir quadros alérgicos respiratórios como a rinite, traqueíte e bronquite.

Mas além de tudo isso, esquecemos que o insuflador de ar frio e quente necessita de manutenção permanente, não só na troca do filtro, mas em todo o seu conteúdo. A umidade que persiste no seu interior, somada ao calor ambiente quando desligado, permite proliferação de bactérias, fungos, bacilos e vírus. No dia seguinte ao ligar novamente o aparelho serão lançados no espaço confinado do veículo.

As pessoas presentes, ao respirarem, permitirão a entrada de tais organismos na via respiratória, podendo evoluir para infecções importantes. Contaminam ainda pele, mucosas, olhos. Dependendo da virulência (poder de destruição do micróbio) e também do estado imunológico do indivíduo poderá evoluir com um quadro infeccioso que aparecerá no decorrer dos dias.

Risco Ambiental

Os gases utilizados nos aparelhos de ar condicionado como o 134 A, HFC, Freon, R12, destroem a camada de ozônio (R12) e criam o efeito estufa (HFC e Freon). Contribuem para as mudanças climáticas de nosso planeta e nossa autodestruição.

A indústria de refrigeração evolui para a utilização de produtos menos agressivos ao meio ambiente.

Às vezes, torna-se difícil caracterizarmos para um indivíduo, o nexo causal entre o seu quadro clínico e a utilização do ar condicionado do seu veículo.

É o caso, por exemplo, da hemiparalisia facial de Bell, que apareceu subitamente com o possível resfriamento da musculatura e inervação quando estava aproveitando o conforto do seu veículo. Ou quando relacionamos o quadro de bronquite desencadeado à noite após ter passado o período da tarde no ar condicionado do veículo.

Não temos dúvida dessa relação, porém muitas vezes o paciente vai buscar outros agentes causais para definir o seu mal.
Não podemos esquecer que o desenvolvimento tecnológico, o conforto, a sensação de bem estar aparente, muitas vezes traz repercussões desastrosas e consequências indesejáveis.

Para quem se utiliza do ar condicionado nesse ambiente confinado, não podemos deixar de recomendar permanente higienização do interior do veículo e manutenção de todo o sistema de ar condicionado.

Para quem já tem história de problemas de alergia respiratória, evitar carpetes ou revestimentos internos que armazenem poeiras, ácaros ou outros microorganismos.

O ar condicionado deve ser evitado quando se salta continuamente do veículo. Ele é ideal para trajetos longos.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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