Produção de caminhões recua, mas ainda sobe 12,8% até setembro

Produção de caminhões recua, mas ainda sobe 12,8% até setembro

Dados da Anfavea registram maior participação dos importados no País, crescimento de quase 60% na comparação com os números de 2010, mesmo com o aumento do IPI para os veículos que não são fabricados no Brasil. País já produziu quase 2 milhões de carros de passeio em 2011

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Pátio da Scania, em São Bernardo do Campo (SP). Foto de AeroFotoBR

A elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para importados, anunciado no mês passado pelo governo e a proximidade da entrada em vigor da norma Euro 5/ Proconve  7 não foram suficientes para elevar a produção nacional de caminhões no mês de setembro. De acordo com o levantamento mensal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), saíram das linhas de produção das montadoras instaladas no País 17% menos veículos no mês passado quando comparado a agosto deste ano. Com esse resultado, no acumulado do ano o crescimento na fabricação de caminhões recuou um pouco, passou de 13.1% para 12,8%.

Foram produzidas 159.024 unidades contra 140.924 nesse mesmo período de 2010, este resultado havia sido alcançado em agosto, portanto, o crescimento da atividade de caminhões equivale a  cerca de um mês a mais de produção neste ano.

A produção de setembro ficou em 18.243 caminhões. Dentre as categorias, os mais fabricados no ano continuam sendo os semipesados e pesados, com 55.134 e 48.523 veículos, respectivamente altas de 18,3% e de 6,2% ante mesmo período do ano passado. Apesar disso, em termos percentuais, são os leves que continuam liderando em crescimento no ano, 19,6% nos nove meses que se encerraram no último dia 31. Do total produzido 82% foram efetivamente vendidos no Brasil já que o número de licenciamentos foi de 14.960 veículos no mês de agosto. Os licenciamentos estão 15,9% acima do verificado até setembro de 2010.

Ranking de vendas

A MAN Latin America (que fabrica e comercializa marca própria e da Volkswagen) mantém-se à frente com folga, no acumulado do ano vendeu 38.749 veículos ao mercado nacional, um crescimento de 21,3% quando comparado a 2010. Esse não é o maior crescimento percentual. Este lugar continua com a Iveco com alta de 32,2%, porém, a subsidiária local da montadora italiana passou a ter companhia entre as que mais crescem. Dessa vez vem a Volvo, com 31,4% de expansão no ano, uma boa parte desse resultado justamente por causa do desempenho de setembro, quando deteve o maior índice de crescimento, 42,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em segundo lugar está a Mercedes-Benz com 32.293 veículos, alta de 8,8%. Em terceiro aparece a Ford, com 22.724, em quarto, a Volvo com 14.062 unidades, e, em quinto, a Iveco, com 10.701 caminhões no ano. A Scania continua a perder participação de mercado 9,7% em comparação a 2010 e está em sexto lugar no mercado brasileiro.

Dentre os segmentos que puxaram as vendas, os semipesados continuam à frente com elevação de 26,5%, leve recuo ante agosto. Assim como no mês passado, a Scania acelera as entregas dos veículos nessa categoria, a alta foi de 6.550%, isso porque a montadora sueca havia entregue apenas uma unidade em 2010 e neste ano já soma 133 veículos vendidos. Os semileves aparecem novamente com o segundo maior crescimento em comparação a 2010 com 18,5%, seguido dos leves com 16,9% de vendas a mais. Em número de unidades comercializadas os semipesados são os mais vendidos com 44.370 caminhões no ano e os pesados aparecem logo a seguir com 39.322 veículos, crescimento de 7,9% ante 2010. Esses dados são referentes às empresas que são associadas à entidade.

Por sua vez, cada vez mais os importados aumentam de forma representativa a sua fatia de mercado. Nos nove meses deste ano, o aumento em comparação a 2010 está em 59,8%. Os maiores segmentos que trazem caminhões do exterior são os leves com 1.800% e os pesados com 224,1% a mais. No total, foram importados no ano 2.784 veículos ante 1.742 do ano passado. Somente no mês passado, primeiro a vigorar o aumento do IPI o crescimento foi de 133,1% ante setembro de 2010.

Ônibus e automóveis

Na categoria para transporte de passageiros (incluindo chassis), as vendas consolidadas do semestre voltaram a crescer mais. Enquanto no mês de agosto o crescimento anual tinha sido de 18,9%, em setembro a expansão chegou a 20,2%, com 25.196 unidades. As líderes de mercado continuaram sendo a Mercedes e a MAN, que dominam 76% do total. A Iveco registrou expansão de 190,1%, um pouco menos do que em agosto.

Já em automóveis, a produção de setembro foi de 261.200 carros, queda de 6,2% quando comparada ao mesmo mês de 2010 e redução de quase 20% olhando para agosto. O presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, atribuiu esse desempenho a férias coletivas e greves que ocorreram no mês passado e que afetaram quase todas as montadoras instaladas no País.

A Fiat continuou como a marca mais vendida do ano com 442.424 unidades, que representam 22,6% do mercado. Em segundo lugar está a alemã Volkswagen com 440.031 carros comercializados, volume que corresponde a 22,5% do total licenciado no Brasil. Em terceiro lugar está a GM com 389.161 veículos e em quarto a Ford 182.649 unidades novas comercializadas. Aliás, a montadora norte-americana poderá ter essa posição ameaçada pela francesa Renault, atualmente em quinto lugar com 124.327 carros e que anunciou investimento de R$ 500 milhões para expansão da produção no Paraná. Alem disso, outra montadora francesa que pode crescer mais ainda é o grupo PSA Peugeot (que fabrica carros das marcas Peugeot e Citröen) que no ano já registra 123.714 unidades comercializadas.

No total, foram vendidos 1.956.736 carros de janeiro a setembro de 2011.

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