Empresas mundiais apostam alto na produção de etanol no Brasil

Empresas mundiais apostam alto na produção de etanol no Brasil

British Group adquire quase totalidade de usinas em Goiás e Minas Gerais como parte de seu plano de fincar raízes no etanol brasileiro. Para presidente da Petrobras, problema de abastecimento no País será mantido por pelo menos três anos

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Enquanto os preços do etanol continuam em alta pelo País – e isso em plena safra 2011 – grandes corporações mundiais estão de olho no crescimento desse mercado, que foi impulsionado pela criação do carro bicombustível no Brasil, e que hoje responde por mais de 90% da produção nacional. Nesse conjunto de empresas está a Petrobras, que recentemente inaugurou uma nova usina em parceria com a Guarani, e nesta semana, foi a vez da britânica British Group, que atua em diversas áreas no Brasil (inclusive é a controladora da Comgás) anunciar o aumento de sua participação na Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), da LDC Bioenergia, que possui usinas em Itumbiara (GO) e Ituiutaba (MG).

A BP fechou um acordo para comprar mais 3% das ações da CNAA ao valor de US$ 25 milhões (cerca de R$ 43 milhões). Com mais essa aquisição, a companhia europeia finca de vez suas raízes no mercado de etanol brasileiro, pois cinco meses atrás já havia comprado 83% da companhia brasileira. Com mais esse negócio associado às dívidas da CNAA, a britânica fica com 99,97% das ações da empresa local, o restante do capital é de propriedade de acionistas particulares minoritários.

De acordo com a empresa, ter o controle da CNAA faz parte de um plano de negócios estabelecido em 2006, ano em que a BP anunciou investimentos de mais de US$ 2 bilhões em pesquisas, desenvolvimento e operações com biocombustíveis, além de investimentos em unidades produtoras na Europa, Brasil e Estados Unidos.  A BP Alternative Energy (braço da empresa britânica para os biocombustíveis) investirá US$ 8 bilhões nos mercados de biocombustíveis, energia eólica e energia solar. Deste valor, informa, US$ 6 bilhões já foram investidos.

Ainda ontem o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a empresa deverá investir fortemente para aumentar a oferta do combustível no Brasil. Porém, disse ele, em função da natureza do negocio, a estatal só deverá reforçar o abastecimento nacional em três ou quatro anos. No plano de negócios da petrolífera, os investimentos em biocombutíveis para os próximos cinco anos está orçado em  US$ 4,1 bilhões, ou 2% dos aportes da empresa nesse período, estimados em US$ 224,7 bilhões.

A contar pelo estudo da trading Czarnikow Group, que divulgou um estudo sobre o mercado de etanol e açúcar no Brasil, todos esses investimentos serão necessários porque em um cenário conservador, o País precisará de investimentos dignos do pré-sal. Até 2030, estima a companhia, seriam necessários entre US$ 340 bilhões e US$ 490 bilhões de aportes para atender a demanda local por estes dois produtos derivados da cana-de-açúcar.

Essa projeção revela a empresa, vem da perspectiva de crescimento do consumo de açúcar em 80 milhões de toneladas – metade desse volume fornecido pelo Brasil – e pelo aumento da frota de veículos no País já que praticamente todos os carros que saem das fábricas são bicombustíveis, fato que elevará a frota que pode optar pelo etanol a 85% dos automóveis em circulação em 2030 ante os atuais 45% que rodam nesta condição.

Para alcançar essa produção, a trading, empresa que compra e vende o produto agrícola em todo o mundo, o Brasil precisaria mais que dobrar a área de cultivo de cana nos próximos 20 anos. Passar dos atuais 7 milhões de hectares para 16 milhões de hectares com a planta.

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