Empresas de escolta e segurança eletrônica veem crescimento de demanda

Autair Iuga, representante do segmento de escolta armada, esclarece dúvidas e traça um panorama atual do setor comentando sobre o reforço na segurança das operações de transporte de cargas

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Leia na íntegra a entrevista exclusiva com Autair Iuga, que preside o Sindicato das Empresas de Escolta do Estado de São Paulo (Semeesp) e atua como vice presidente no Sesvesp, sindicato que representa a categoria econômica de segurança privada e eletrônica e dos cursos de formação e aperfeiçoamento de vigilantes no Estado.

Portal Transporta Brasil: A Região Sudeste é a mais afetada do País por esse tipo de crime. Por que isso ocorre, já que é onde mais se investe em segurança?

Autair Iuga: É onde está o bruto do Brasil. O eixo Rio/São Paulo, por exemplo, abraça quase 70% de todos os grandes negócios que acontecem. Quando a gente fala desses Estados, falamos dos grandes negócios e da maior parte de poder aquisitivo.

Portal Transporta Brasil: Há algum tipo de investimento sendo feito especialmente em segurança no transporte de cargas?

Autair Iuga: Hoje, quando se fala de transporte de cargas, nós temos que levar em consideração que cerca de 70% de tudo aquilo que se transporta no Brasil é feita por meio de um caminhão. A incidência de roubo sempre será muito grande. O Brasil é o país que mais sofre com roubos de carga, talvez por conta dessa alta dependência do modal rodoviário. Em termos de investimento, hoje para transportar uma mercadoria que tenha seu valor agregado, a empresa precisa ter uma excelente frota, colaboradores bem treinados e uma gerenciadora de risco que atue bem. Dentro destas atribuições, também devem ser considerados alguns ou vários tipos de tecnologia embarcada. Ainda complementando tudo isso, pode ser necessária a contratação da escolta armada. Então é uma série de cuidados que o transportador deve ter. Hoje não tem como transportar com segurança sem esses quesitos e a necessidade de contratar uma escolta armada vem crescendo constantemente.

Portal Transporta Brasil: Contratar um profissional que não esteja devidamente qualificado é tão ruim quanto não contratar nenhum ou é ainda pior do que não ter nenhum?

Autair Iuga: É pior. O que atrapalha muito hoje é a contratação de clandestinos. São pessoas fazendo bico, entregadores de pizza que dizem ser vigilantes quando estão atrás de uma carreta. Deve ser levado em consideração que isso é um enorme risco para a transportadora, uma vez que um sujeito como esse pode participar de uma quadrilha de assaltantes. Se ocorrer um sinistro com alguma empresa que contrata essas pessoas, a seguradora vai negá-lo, pois a primeira coisa que ela irá pedir será o contrato da empresa de escolta armada. É um risco desnecessário. Deve ser certificado se essa empresa de escolta armada está legalizada, se ela conta com um bom histórico e deve ser realizada também uma visita técnica, pois o transportador não pode acreditar apenas em um site ou em um folder.

Portal Transporta Brasil: Qual a diferença no treinamento de um profissional de segurança pessoal, por exemplo, para um que faz escolta de cargas?

Autair Iuga: Hoje temos vigilantes de segurança pessoal, patrimonial, de caro forte e também o vigilante de escolta armada. Para esse profissional de vigilância de escolta armada poder atuar é necessário que ele faça o curso de vigilante patrimonial, atuar na área durante um ano, e em seguida ele fará o curso de extensão de escolta armada, que é autorizado pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça. Ele também utiliza um armamento um pouco mais pesado que o vigilante convencional.

Portal Transporta Brasil: Como é feita a segurança desses profissionais?

Autair Iuga: Todo vigilante é obrigado a utilizar o colete balístico. E a empresa de escolta é obrigada a dar assistência médica e seguro de vida, portanto, se porventura, independente do local onde ocorrer algum incidente, ele deve ser atendido. Contra a escolta, temos o fato de que o carro forte, que faz transporte de valores, é blindado, já o carro da escolta armada não é. Neste caso, a probabilidade de ocorrer algo com esse profissional é bem maior. Cada vigilante, além do seu piso salarial, ele recebe o adicional risco de vida, que sai 25% a mais do piso da categoria por ele expor a sua vida.

Portal Transporta Brasil: Qual é o maior problema do setor enfrentado agora? Falta pessoal, investimento, treinamento?

Autair Iuga: Este segmento está em plena ascensão. As academias estão capacitando muitos profissionais, sem contar o dia a dia, que também capacita muito esses vigilantes.

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