Quem quer ser caminhoneiro?

Aparentemente, pouca gente, dada a grande carência que o setor de transportes e logística vive atualmente, de profissionais do volante

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A crise da empregabilidade no Brasil está se agravando e o setor de transporte de cargas e logística é uma das vítimas mais evidentes do problema. Por alto, cerca de 10% da frota de caminhões das empresas estão ociosos por falta de motoristas.

Somente no Mato Grosso, um dos principais centros logísticos do País, as transportadoras estão com cerca de mil vagas em aberto, sem pretendentes e sem candidatos para preenchê-las.

Mas, afinal, o que está acontecendo com esta profissão tão conhecida de todos. Será que ninguém mais quer ser caminhoneiro no Brasil? Parte desta resposta está na boca dos motoristas de caminhões que o Portal Transporta Brasil entrevistou na última semana. Em sua maioria, os profissionais estão cansados das condições de trabalho que a profissão oferece.

A própria carreira está em baixa, com sua imagem arranhada e com falta de motivação e atrativos para novos adeptos, fator que atrapalha a formação de toda uma nova geração de caminhoneiros.

De fretes baixos a estradas ruins, passando pelo roubo de cargas, pelas péssimas condições para a descarga de mercadorias, os maus tratos por parte de alguns embarcadores e pela falta de perspectivas, o caminhoneiro brasileiro hoje não quer recomendar a carreira, não quer passar seu legado profissional para os filhos.

“Prefiro que meus filhos estudem e não passem pelo que passei”, respondem os caminhoneiros em uníssono. Mas quem estuda não pode ser caminhoneiro? Esta profissão não requer um bom nível de conhecimento e formação.

Parece que os valores estão deturpados e que o transporte e a logística brasileira terão que fazer muito mais do que organizar eventos com palestras para expor o problema ou manter o assunto em pauta em seus veículos de comunicação. O problema é basal, requer soluções drásticas que não aparecerão em curto prazo.

Onde estão as cabeças pensantes do setor, que podem ajudar a propor novas soluções?

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