Sexagenária Dutra

Neste artigo sobre a Via Dutra, que acaba de completar 60 anos de história, o Dr. Dirceu Rodrigues Alves Jr. traz uma reflexão: “A Dutra precisa parar de ser fornecedora de matéria-prima para hospitais e necrotérios"

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Consultando as organizações que deveriam ter dados estatísticos mostrando um perfil dos acidentes ocorrido na Via Dutra desde a sua fundação e em consequência ter soluções definitivas para a alta sinistralidade que ali ocorre, nada encontramos para respaldar o nosso texto.

Inaugurada em 1951, a Via Dutra vem sendo responsável por grande parte dos acidentes rodoviários no nosso país. Trata-se de extensa rodovia que nos seus 402 km atravessa 33 municípios responsáveis por 52% do nosso PIB (Produto Interno Bruto). O movimento é intenso, matéria prima, produtos manufaturados, alimentos tudo segue nos dois sentidos, Rio de Janeiro e São Paulo. Múltiplos pedágios, postos da Polícia Federal, postos de socorro mecânico e de resgate. É na realidade hoje uma rodovia sofisticada em termos de apoio. Com tudo isso ainda morrem pessoas, surgem feridos e é necessário o resgate para hospitais da região.

Gerou ao longo desses 60 anos milhares de vítimas, mortes e sequelados. Muitas foram as celebridades que perderam a vida de maneira violenta quando transitavam nessa rodovia.

Passaram-se anos, nada se conseguiu para redução dessa sinistralidade. Não se conseguiu conscientizar o usuário dos perigos, dos riscos embutidos na mobilidade sobre rodas, melhorar a formação dos condutores, educar, treinar com relação aos riscos inerentes a essa atividade, reciclar e outros.

O homem é o único agente de segurança dentro do seu veículo.

Todos sabem que existem fatores de risco como negligência, imprudência, imperícia que colocam a vida a beira da morte e entre eles destacamos:

  • velocidade
  • fadiga
  • sono
  • rebite
  • falta de atenção
  • álcool
  • drogas
  • fiscalização
  • manutenção
  • e outros

As montadoras insistem em produzir veículos cada vez mais velozes quando nossas vias, ruas, avenidas e rodovias não têm capacidade de aceitar velocidades acima de 100 km/h.

Baseado em dados recentemente publicados pela Concessionária Nova Dutra, estimamos que nesses 60 anos tenham ocorrido milhares de acidentes.

Veja nossa estimativa:

Nos 45 anos anteriores a administração da Nova Dutra, 27.000 óbitos devem ter ocorrido, sendo que após a nova administração tivemos uma redução acentuada caindo para 3.420 acidentes fatais. O total nesses 60 anos foi de 658.800 acidentes, 283.860 feridos e óbitos ocorridos foram de 30. 420.

A redução acentuada de 15 anos para cá, com investimentos pesados, não foi o suficiente para o que se espera que é a proximidade do acidente zero para termos uma mobilidade segura.

Não temos dúvida que além do investimento feito pela Concessionária Nova Dutra se faz necessário outro grande investimento no principal agente causal dos acidentes (o motorista). Esta é à essencial razão para evoluirmos para o acidente zero.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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