Falhas na infraestrutura nos terminais ferroviários de Alto Araguaia e Alto Taquari são os motivos da paralisação. A empresa de logística ALL, responsável pelas unidades de escoamento, deverá tomar medidas emergenciais para solucionar os problemas
16/8/2010
17h37
Redação
Os motoristas profissionais do Estado do Mato Grosso que escoam a produção de soja via ramal da ALL para o Porto de Santos (SP) estão em greve a partir desta segunda-feira. O movimento é liderado pela Federação dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Mato Grosso (FETTREMAT) e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres. A greve prevê a interrupção do carregamento de soja para os terminais ferroviários de Alto Araguaia e Alto Taquari, caso a empresa América Latina Logística (ALL) não atenda às reivindicações dos motoristas.
Na última segunda-feira, dia 9, trabalhadores e sindicalistas elaboraram uma pauta com 11 pedidos de reparação dos problemas nos terminais ferroviários; como poeira, turno reduzido da empresa, falta de conservação das rampas, espera de mais de 36 horas, entre outros. Tais falhas na infraestrutura prejudicam a saúde do caminhoneiro e causam prejuízos mecânicos nos veículos.
“Há muitos meses os representantes da empresa só fazem promessas que não saem do papel. Queremos uma ação concreta e definitiva para resolver os problemas dos terminais”, reivindica o presidente da FETTREMAT, Luís Gonçalves da Costa. “Já tentamos todos os artifícios, e não resta outra saída, a não ser o direito de greve, previsto pela Constituição Federal”, completa.
A greve ainda conta com o apoio da Associação dos Transportadores de Cargas do Mato Groso (ATC), do líder dos caminhoneiros autônomos e presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva (China), do Sindicam/MT e Sindicam/Sorriso.
Em nota à imprensa, a ALL explica que mais de R$ 13 milhões foram investidos em melhorias no ano de 2010. De acordo com a empresa, obras de pavimentação estão sendo realizadas com previsão de término em 120 dias.
A ALL também alegou que a paralisação não estava prevista na constituição, uma vez que os motoristas não eram seus contratados, prevendo tomada de providências judiciais contra a greve. Entretanto, a medida foi descartada pela Justiça do Trabalho de Rondonópolis (MT).
Uma liminar concedida pelo juiz Juarez Gomes Portela, da Justiça do Trabalho, obriga a ALL a providenciar em caráter emergencial medidas que melhorem as condições de trabalho dos motoristas, além de proibir a empresa de bloquear CPF’s de caminhoneiros impedindo o descarregamento das cargas transportadas. A decisão judicial também limitou o recebimento de caminhões nos terminais.
O descumprimento das medidas custará à ALL multa diária de R$ 5 mil, que será revertida em projetos sociais, campanhas educativas e preventivas dos trabalhadores. Apesar da conquista, o presidente da FETTREMAT alerta que a liminar não impedirá o movimento de paralisação.
Por Marília Brandão – Redação Portal Transporta Brasil
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