Novas tarifas entram em vigor em 135 praças de todo o Estado de São Paulo, a unidade da federação mais pedagiada do Brasil. Desde 1998, quando o programa de concessão começou, foram abertas 112 praças de cobrança. Reajuste será de 4,18% para lotes antigos e 5,22% para os novos
28/6/2010
13h43
Redação
O Estado que conta com as melhores rodovias do País, e também com as mais caras, terá, a partir de 1º de julho, novo reajuste nas tarifas de pedágio. O reajuste está previsto nos contratos de concessões rodoviárias entre o governo do Estado de São Paulo e as concessionárias, que administram 135 praças de cobrança em todo o território paulista.
Segundo os contratos, o reajuste será de 4,18% para lotes antigos concedidos e de 5,22% para os novos. Para se ter uma ideia, uma das tarifas mais altas, a da descida da Serra do Mar em direção à Baixada Santista, cobrada pela Ecovias, saltará de R$ 17,80 para R$ 18,50.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, isso se explica, em parte, pelo modelo adotado no programa de concessões paulista. As licitações, em 1998 e 2008, levaram em conta o montante que as empresas ofereciam ao Estado para ter a concessão, a chamada outorga. A vantagem é que o dinheiro pode ser aplicado em novas estradas. Por outro lado, esse valor é repassado aos motoristas.
Já o modelo adotado pelo governo federal faz a concessão àquele que oferecer a menor tarifa. O benefício é o preço mais baixo; a desvantagem, a falta de verba para investir. As Rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt, privatizadas em 2008, continuam em estado precário. Críticos afirmam que o pedágio não foi suficiente para cobrir os custos da recuperação das estradas.
O jornal paulista traz a informação de que as tarifas levaram à criação este ano do Movimento Estadual Contra os Pedágios Abusivos, por grupos que se sentem prejudicados. Eles fizeram a primeira reunião em Indaiatuba, uma das áreas afetadas. Do encontro saiu a Carta de Indaiatuba, que defende revisão dos contratos e proibição de novos pedágios sem que haja debate com a sociedade.
Custo alto para rodovias boas
O sentimento geral entre os usuários das estradas paulistas é de que paga-se um preço alto para se ter boas rodovias. Prover boa infraestrutura viária é uma obrigação dos governos e os contribuintes já pagam uma pesada carga tributária para isso, mas a realidade é que não há uma contrapartida. A Cide, por exemplo, é um tributo pago sobre cada litro de combustível que tem o destino legal de financiar obras viárias e de estrutura, mas o que a administração pública faz é manter este dinheiro nos cofres e, ainda, utilizar de concessões para fazer caixa, onerando a população e não cumprindo seu dever constitucional.
Antonio Archilha, diretor da Argius Transportes, empresa com operações 100% em território paulista, acha que os pedágios são caros e numerosos, mas ainda compensam a falta de estradas boas. “O que me assusta é que o Estado de São Paulo tem mais pedágios do que todo o restante do País. Mas eu vejo alguns benefícios nisso. O custo de pedágio pesa, mas o que pesa muito mais é não ter estradas em condições para operar. Este reajuste não poderá ser absorvido pelas empresas, terá que ser repassado para os clientes. Eu tenho certeza que o mercado vai absorver este aumento, que é autorizado pelo governo e muito divulgado. Faremos uma comunicação aos nossos clientes para que possamos ter uma comunicação clara e transparente”, diz Archilha.
Confira abaixo quais são as concessionárias de rodovias que atuam no Estado e o endereço eletrônico de cada uma delas para consulta dos novos preços de pedágio que entram em vigor no dia 1º de julho:
Por: Leonardo Helou Doca de Andrade – Redação Portal Transporta Brasil
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