Logística de carga pesada vai crescer até 40%

Para suprir este nível de expansão, três das maiores empresas do setor farão investimentos milionários, como é o caso das empresas Locar, que projeta investir mais de R$ 350 milhões este ano, Irga, que prevê aportes superiores a R$ 10 milhões, e Tomé Equipamentos e Transportes, que pretnede investir até R$ 120 milhões este ano em equipamentos

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Empresas de logística especializadas em transporte de superpesados miram o pré-sal, reclamam de falta de infraestrutura e preveem crescimento superior a 40% este ano, superando a expectativa do setor logístico, que espera crescer 30%. Para suprir este nível de expansão, três das maiores empresas do setor farão investimentos milionários, como é o caso das empresas Locar, que projeta investir mais de R$ 350 milhões este ano, Irga, que prevê aportes superiores a R$ 10 milhões, e Tomé Equipamentos e Transportes, que pretnede investir até R$ 120 milhões este ano em equipamentos.

A empresa Locar Guindastes e Transportes Intermodais deve faturar mais de R$ 400 milhões este ano, ante os R$ 310 milhões de 2009. Para isso, irá investir R$ 350 milhões para superar a marca de 1.000 equipamentos, ante os 840 atuais. Segundo o diretor comercial da empresa, Marcello Mari, o segredo desse crescimento é a atuação da empresa em diversas áreas deste setor, com equipamentos modernos. “Hoje a nossa frota de equipamentos é muito diversificada. Atuamos na área de transporte rodoviário especial e excepcional, chamado de superpesado, na parte industrial, na marítima, em plataformas aéreas e gruas. Nos próximos quatro meses, teremos mais de 1.000 equipamentos na frota”, comentou ele, em entrevista ao DCI.

Mari ressaltou que a empresa ainda mantém uma forte atuação no setor petroquímico, que representa 40% da receita da empresa, seguida por mineração e estaleiros, com 20%. Apesar disso, ele destacou que a Locar pretende ampliar a sua atuação na área marítima, já pensando no pré-sal, e atingir em três anos 20% do total da receita, destinando R$ 100 milhões do montante de investimentos à aquisição de mais cinco balsas e três rebocadores. “Além dos R$ 350 milhões, investiremos mais US$ 150 milhões nos próximos três anos, para nos prepararmos para a demanda relacionada ao pré-sal”, comemorou ele.

Apesar de não ter muitas informações e garantias a respeito do pré-sal, Mari está otimista em relação à participação da empresa neste processo para o transporte e a logística interna de máquinas e equipamentos pesados, seja por licitação direta da Petrobras, ou por empresas que prestarão serviços a ela. “No nosso portfólio de negócios sempre operamos sozinhos, até porque a ideia é evitar a quebra de responsabilidade. Temos toda a infraestrutura para garantir uma ótima prestação de serviços, e, quando saírem mais informações sobre o pré-sal, vamos investir ainda mais”, garantiu o diretor.

Com capital inteiramente brasileiro, a Locar, que atua há 22 anos no mercado e conta com 1.300 funcionários, adquiriu no começo deste ano 36 eixos hidráulicos, parte dos quais são autopropelidos, ou seja, não necessitam de caminhão para se movimentar. Ao todo, foram feitos R$ 20 milhões de aportes para estes eixos, e os seis primeiros chegarão ainda este mês.

“Estas carretas podem movimentar até duas mil toneladas e, agora, com as autopropelidas, daremos ainda mais mobilidade a estas cargas especiais. Com elas, podemos movimentar grandes cascos de navio ou até mesmo uma plataforma”, disse Mari.

A empresa, que conta com clientes como a Petrobras, Vale, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, entre outras, prevê um aumento de 15% do número de viagens de carga especial este ano, ante as 3.200 realizadas no ano passado.

Concorrência

A empresa Irga também está otimista. Entretanto, faz planos mais conservadores para este ano, dados principalmente os resultados obtidos no ano passado, no auge da crise econômica global. Segundo o presidente da empresa, Lupércio Torres Neto, apesar da retração de 25% na receita ano passado, que fechou com R$ 200 milhões de faturamento, 2009 foi um ano bom para a empresa.

“Depois da crise que começou no final de 2008, adotamos um pouco mais de cautela, pois temos muitos anos neste setor e já passamos por muita dificuldade. Os investimentos feitos no ano passado destinaram-se somente a cobrir depreciação. Mas, se analisarmos o balanço, 2009 foi melhor do que 2008, embora tenha havido essa redução de faturamento”, frisou Torres Neto.

O executivo contou que nos quatro primeiros meses deste ano os negócios ainda estavam abaixo do esperado, mas disse que no mês de maio já havia sinais de uma retomada. Neste ano, a Irga pretende obter o mesmo faturamento do ano passado, mas já prepara investimentos superiores a R$ 10 milhões. “Esperamos repetir os resultados de 2009, que foi muito bom para nós, e ampliar um pouco mais o investimento. No começo do ano, fizemos orçamento para investir R$ 10 milhões, só que em um cenário diferente, mais pessimista, e, como agora ele está se tornando mais otimista, vamos revisar esse orçamento, que pode superar este valor”, ressaltou Neto.

Segundo o presidente, a empresa já fechou dois importantes contratos este ano: um de transporte de motores de termoelétricas e um na área de energia eólica, e ainda está disputando outros contratos para refinarias. “Com estes contratos, teremos um segundo semestre muito bom”, finalizou.

A empresa Tomé recentemente dividiu as suas áreas de atuação, formando as empresas Tomé Engenharia e Tomé Equipamentos e Transportes, e também criou a holding Tomé Participações, responsável pela sinergia do grupo. Com isso a empresa espera formar bases mais fortes para continuar a crescer.

Neste ano, a empresa pretende faturar aproximadamente R$ 300 milhões de sua área de transportes, devendo também definir a aquisição de novos guindastes, com capacidade de içar até 1.200 toneladas, e eixos para transporte de cargas superpesadas.

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