A Logística atual, ferramenta de eficiência e lucros

Nos últimos anos o Brasil se transformou. Com medidas acertadas na organização do Estado, que coincidiram com a aceleração da globalização, o país se inseriu definitivamente na economia mundial

A responsabilização e a exclusão de responsabilidade no transporte rodoviário de cargas
Descanso semanal remunerado na Lei nº 12.1619
Infraestrutura aeroportuária: o nó chegou no pente

Nos últimos anos o Brasil se transformou. Com medidas acertadas na organização do Estado, que coincidiram com a aceleração da globalização, o país se inseriu definitivamente na economia mundial.

Diante dessa nova realidade, do rápido desenvolvimento industrial, inclusive com a entrada de players que ignoravam até então o mercado brasileiro, e da inédita estabilidade financeira, as empresas se viram diante de situações anteriormente desconhecidas ou pouco relevantes. A mais importante era a sobrevivência em um cenário que, do dia para a noite, se tornou extremamente competitivo.

Companhias acostumadas a equilibrar seus balanços em engenharias financeiras possíveis diante da bagunça monetária vigente até os anos 90 perceberam que havia chegado o momento de serem eficientes. Dentro desse contexto, a logística emergiu como solução. Ficou claro que dentro de todo o processo de movimentação e armazenagem de produtos existia bastante espaço para a diminuição de custos operacionais. Para isso, no entanto, era necessário muito planejamento e especialização.

Nesse sentido, as empresas se deram conta de que para se tirar proveito da logística era necessário um grau de competência e capacidade de investimento que elas não conseguiriam (ou não compensaria) suportar internamente. A solução, na maioria dos casos, foi a terceirização. Dessa maneira, a logística deixou de ser apenas uma etapa do comércio e tornou-se, individualmente, um segmento da economia com o estabelecimento dos operadores logísticos.

Atualmente, essas companhias especializadas são parceiras das maiores empresas do país e responsáveis pela imensa maioria das inovações absorvidas pela atividade. Houve enorme evolução no planejamento, com a introdução de conceitos de gerenciamento da cadeia produtiva e de distribuição, entre outros, recursos tecnológicos são amplamente empregados para o controle das operações, aumentando a segurança e a eficiência de todo o processo e também ocorreu uma intensa capacitação da mão de obra. Os resultados para as empresas são incontestáveis.

Da mesma maneira, o segmento de operadores logísticos também prosperou. Se no início este era um ramo que apenas absorvia investimentos sem retorno imediato, hoje seus controladores começam  a colher os frutos.

Em um estudo ainda inédito da AWRO Associados Logística e Participações, “Logística, um ensaio da realidade”, foram identificadas 44 companhias do segmento com receita anual superior a R$ 5 bilhões.  Ficou constatado também que a demanda por serviços de logística cresce em um ritmo três vezes mais acelerado que o do PIB e essa equação, devido às diversas variáveis analisadas pelo estudo, vai se manter durante muitos anos. Por isso tudo, apenas a iniciativa privada, inclusive grandes fundos de investimento, pretende despejar cerca de R$ 20 bilhões em investimentos no setor.

Sem dúvida é um cenário promissor, mas, em um outro ponto significativo identificado pelo estudo, a logística se tornará a cada dia mais um negócio para poucos e grandes. O grau de profissionalismo alcançado pela atividade exige investimentos bilionários e a capacidade de esperar por retornos de médio e longo prazos que, em alguns casos, pode ser de até 20 anos.

A tendência é ocorrer uma concentração de mercado entre poucas dezenas de operadores logísticos. Fusões e aquisições se tornaram freqüentes e devem se acentuar. Os empresários interessados nesse setor devem, obrigatoriamente, considerar essas movimentações.

Enfim, a atividade logística finalmente amadureceu no Brasil. Hoje oferece ricos benefícios para aqueles que a utilizam de maneira correta e rende dividendos para os investidores. Para que o ambiente se torne ideal, basta a contrapartida governamental na reconstrução da infraestrutura. E mesmo nesse ponto, embora de maneira mais lenta, também estão ocorrendo avanços. Bons tempos aguardam o setor.

Antonio Wrobleski Filho é sócio da Awro Associados Logística e Participações. É engenheiro com pós-graduação em Finanças, MBA pela N.Y.U. e foi presidente da Ryder Logística.

awro@transportabrasil.com.br

Visite o perfil do articulista

É proibida a reprodução do conteúdo deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Portal Transporta Brasil. As opiniões emitidas nos artigos são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do Portal Transporta Brasil.

COMMENTS