Caminhoneiro sem saúde trabalha com sacrifício

Trabalho de sacrifícios do homem e da família. De submissão, restrições ao bem estar físico, mental e social nos leva a concluir que o trabalho é penoso. Ainda por ser submetido a múltiplos fatores de risco nos conduz a necessidade de redução da jornada de trabalho já que não se tem como reduzir as condições inseguras, geradoras de doenças e acidentes na atividade

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Desde 1985, pesquisamos o trabalho desenvolvido por motoristas e a repercussão sobre seu estado físico e mental, e desde então, já recomendávamos redução das jornadas. Nossa pesquisa evoluiu a ponto de muitas vezes observarmos que além do trabalho como condutor fazia o carregamento e participava do descarregamento.

Desde então, passamos a aceitar como limite máximo tolerável seis horas para esse trabalho.

A lógica, após pesquisa, mostrou que o trabalho era submetido a cinco fatores de risco: físico, químico, biológico, ergonômico e de acidentes. Além disso, era submetido ao estresse físico, mental e social.
O trabalhador dava mais do que podia. Chegava ao seu limite de tolerância, resistindo, outras vezes se adaptando a uma condição de trabalho inusitada.

A busca ao ambulatório médico sempre foi freqüente, o absenteísmo intenso, as queixas e os acidentes se somam, as ações trabalhistas e judiciais acumulam-se. A qualidade de vida no trabalho e na vida social precárias. A relação com a família prejudicada pelo afastamento, jornadas longas e a não participação no convívio com a esposa e filhos.

A vida isolada, sofrida, trazendo verdadeiro martírio para produção de um salário que não traduz as agressões sofridas nessas jornadas.

Sofre o homem e a família

Dentro de uma cabine, onde trabalha, come e dorme, sem as condições de higiene necessárias com relação ao sono, a confecção do seu alimento, na eliminação dos despojos, na higiene corporal, sem o lazer, isolado e confinado em ambiente tão restrito e hostil para tal. E mais, submetido às doenças endêmicas e tropicais por onde circula. Temos que concluir que tal trabalho pode ser configurado como trabalho forçado, bem próximo do trabalho escravo.

A falta de liberdade diante das opressões, bem como essas características de condições subumanas de vida e de trabalho, ainda de absoluto desrespeito à dignidade de uma pessoa, pela imposição de chefias, gerências, tanto do remetente como do destinatário.

É pressão de todo lado, é o martírio do nosso motorista rodoviário, caminhoneiro e carreteiro.

É a saúde física, mental e social comprometida. Lembramos que saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o bem estar físico, mental e social.

Concluímos conseqüentemente que nossos caminhoneiros e carreteiros não gozam de saúde e não sabemos como resistem a tantos sacrifícios.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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