Fúria no Trânsito

Por que as agressões gestuais, verbais e físicas? Por que tamanho desrespeito ao homem e à vida?

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A fúria no trânsito é a soma do estresse físico, psicológico e social com a direção agressiva acompanhada de distúrbio comportamental e característica própria de cada um, podendo ter agregada doença mental adormecida. Esses componentes estão presentes invariavelmente em todos os conflitos de trânsito e que são estampados na mídia como fatos policiais.

A explosão de tudo isso acontece porque o indivíduo perde a capacidade adaptativa e defensiva e parte para o ataque que pode caracterizar-se por gesto obsceno, palavrões, luta corporal, agressão com artefatos encontrados no meio ou mesmo uso de alguma arma, com consequências desastrosas.

Milhares de brigas de trânsito com vítimas ocorrem em todo o mundo

Na cidade de São Paulo, o telefone 190 da PM recebe em média 30 chamadas por dia para incidentes desse tipo.

Estimamos que 15 % a 20 % dos motoristas sejam portadores de doença mental primária e que jamais deveriam ter sido habilitados para a direção veicular.

Cerca de 18% não conseguem adaptar-se ao estresse provocado pelo trânsito evoluindo para uma fase defensiva que terminará com as agressões gestuais e verbais.

Outros 12% comportam-se evidenciando a direção agressiva, dando fechada, invadindo farol fechado, não respeitando sinalização horizontal e vertical, colando na traseira, jogando farol alto, buzinando, etc.

Concluímos que 50% dos nossos motoristas necessitam melhor avaliação psicológica e psiquiátrica. Tornam-se intolerantes, repressivos e sempre na posição de ataque. Claro que não é agradável ficar preso no trânsito, mas transformar esse desconforto em agressividade é ultrapassar os limites do respeito, da tolerância, de humanidade, do carinho, da gentileza daquele que igualmente sofre as consequências do engarrafamento, da lentidão.

A máquina sabemos ser perigosa quando fixa. Quando móvel, na mão desses 50% vira uma arma extremamente perigosa. Há que se ter ações mais rígidas na seleção de tais indivíduos que como dissemos necessitam além de uma boa avaliação clínica, avaliação psicológica detalhada e alguns até encaminhamento ao psiquiatra.

O teste psicológico não evidencia o suficiente, necessitamos de etapas prolongadas dessa avaliação com objetivo de estudar impulsividade, compulsão, agressividade, distúrbios comportamentais diante de situações, chegando-se a doente em potencial.

Esses são os agressores do nosso transporte. É o jovem que faz racha, que usa o veículo para exibicionismo e eventuais conquistas, é o que xinga, que gesticula de maneira ostensiva, que agride, que da fechada e que é capaz de matar ou morrer em meio ao trânsito tão complexo.

“O veículo é seu carro de combate”

Nem todos têm as condições mínimas para a direção veicular. No entanto não conhecemos casos de reprovação, se existem devem corresponder a 0,05%.

Necessitamos, para contribuir na redução dos 40.000 óbitos, 380.000 vítimas e 100.000 sequelados no trânsito, de uma seleção mais adequada com um filtro potente capaz de impedir o acesso e remover aqueles que já dirigem por esse Brasil afora em condições anormais.

Não podemos aceitar que máquinas móveis extremamente perigosas possam transitar conduzidas por portadores de distúrbios que os levam a agressividade, a perda do equilíbrio já que esses fatores são incompatíveis com a direção.

Nem todos os indivíduos que se candidatam a piloto de avião, de navio, maquinista de trem e outros estão aptos. Da mesma forma posso afirmar que nem todos estão aptos a dirigir um veículo sobre rodas.

Necessitamos de correções na legislação para que a especialidade de psicologia possa ter progressões no seu trabalho ampliando horizonte a ponto de estudar detalhadamente o perfil do candidato com amplo apoio do psiquiatra.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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