Venda dispara e carros já têm fila de espera

Se o consumidor quiser comprar hoje modelos populares deverá esperar de 15 a 20 dias para recebê-lo

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Depois de iniciar o ano rodeado de incertezas, o varejo automotivo superou todas as expectativas de desempenho com o advento da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que levará o setor a atingir recorde histórico de vendas, ultrapassando os três milhões de automóveis e comerciais leves vendidos, sendo que algumas concessionárias, como a paulista Viamar, afirmam que o consumidor que quiser comprar hoje modelos populares, como o Celta, deverá esperar de 15 a 20 dias para recebê-lo.

Revendedora da marca Chevrolet e com nove unidades na Grande São Paulo, a rede afirma ter superado a expectativa de vendas de setembro e não temer quedas das vendas depois de findo o incentivo. O grupo, que esperava vender 1.300 unidades de carros zero-quilômetro, vendeu 1.400.

Mesmo com volta gradual do IPI, o supervisor de vendas da Viamar, Laerte Pérsico, acredita que as vendas devem continuar muito aquecidas: “O final de ano deve ser muito bom, e acredito que vamos ter um incremento de cerca de 30% frente ao ano passado”, diz. O supervisor destaca que, como a volta não é integral, os consumidores ainda devem continuar interessados, e o final do ano costuma ter um melhor desempenho. Ele afirma que já estão aumentando encomendas e tem apoio da montadora, a General Motors ( GM), para fazer uma rápida reposição dos veículos e não faltarem modelos, além de acreditar que deverá ocorrer um aumento da produção.

De acordo com dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em setembro, houve alta de 16,7% na venda de veículos frente ao mês de agosto. Já em relação a igual mês do ano passado, foi registrado aumento de 19,85%. Para o presidente da entidade, Sérgio Reze, “este foi o melhor setembro da história no setor, indicando que o ano será encerrado com forte crescimento”.

No ano passado, foram vendidos 2,6 milhões de automóveis, e para este ano, a expectativa é alcançar no mínimo três milhões. Já no caso das categorias de ônibus, caminhão e motocicletas, o levantamento da MB Associados, consultoria em análise macroeconômica, aponta que em 2009, os setores devem acumular retração nas vendas frente a 2008.

Reze acredita que a estratégia de marketing das concessionárias não deverá mudar com a volta gradativa do IPI, mas, quando questionado se poderá ocorrer algum descompasso nas vendas no início de 2010, o dirigente da Fenabrave se esquiva e prefere “não fazer comentários agora”.

Para consultores especializados em varejo, como Nuno Fouto, professor do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), mesmo com a volta do imposto “não haverá um reflexo muito grande de queda das vendas no varejo”, já que nos próximos meses começam as compras para o final do ano.

Para ele, “no caso dos carros, o cenário foi atípico: o setor já vinha em uma situação favorável e acelerou ainda mais. O carro é um sonho de consumo, há uma demanda reprimida”, diz.

Para o professor, é até positivo que o imposto volte ao normal gradativamente, porque não é saudável que o mercado cresça de forma muito acelerada. (Danielle Fonseca e Alexandre Melo-DCI)

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