Setor de carga abre espaço e trilhos para os trens turísticos

O resultado são novas rotas, como no caso da Serra Verde Express, que estuda mais dois trechos, um deles na área da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), do grupo Vale, além dos atuais que já opera, no Paraná e no Pantanal

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Os trens turísticos ganham cada vez mais espaço para deslizar sobre os trilhos das companhias de carga no País. O resultado são novas rotas, como no caso da Serra Verde Express, que estuda mais dois trechos, um deles na área da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), do grupo Vale, além dos atuais que já opera, no Paraná e no Pantanal, dentro da malha da América Latina Logística (ALL).

O setor de viagens ferroviárias tem crescido cerca de 10% ao ano, com a perspectiva de saltar de 3 milhões no último ano para 5 milhões de turistas em 2010. Os dados são da Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos Culturais (ABOTTC), que tenta resgatar valores históricos e culturais do setor para garantir parcerias junto às operadoras logísticas. São elas que investem na expansão e manutenção das ferrovias concedidas pelo governo.

Estes esforços têm garantido a recuperação gradual da atividade. A própria Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), divulgou ao DCI levantamento em que revela ter autorizado, entre 2004 e 2008, a passagem de 20 trens eventuais e outros 32 trens comemorativos. Só em 2009, foram autorizados “7 trens comemorativos e 1 trem eventual, o Trem do Pantanal” no 1º semestre, sendo que existem ainda outros oito pedidos de autorização em análise pela Agência. Três destas solicitações são para roteiros de passeio na malha da FCA; outros quatro, comemorativos, para as ferrovias da América Latina Logística (ALL) e um último que passaria pela Ferrovia Novoeste.

“A implantação do trem turístico traz benefícios sociais aos municípios por onde também passam as cargas. Também é uma fonte de relacionamento com a comunidade que contribui com a imagem da empresa”, disse Roberto Teixeira, gerente dos trens turísticos da FCA. Ele contou, ainda, que a empresa mantém por conta própria dois roteiros nas regiões históricas de Outro Preto e São João Del Rei, em Minas Gerais, havendo outros 14 pontos mapeados para ali se implantar a atividade turística.

Os novos trens turísticos na malha da FCA podem ser implantados tanto pelas parcerias com as empresas de turismo ferroviário como pela própria companhia. “A definição será de acordo com as características de cada localidade”, explicou Teixeira.

Oportunidade

A Serra Verde Express é um caso de operador turístico que quer dar continuidade à abertura de novos trechos. “Queremos ir de Miranda a Corumbá ainda este ano”, disse Adonai Arruda Filho, diretor comercial da Serra Verde, referindo-se à continuação do percurso do Trem Pantanal, que passa pela malha da ALL. Os planos não param por aí, já que a empresa está de olho na operação do Trem da Montanha, roteiro identificado na serras do Espírito Santo – área ferroviária da FCA.

Para dar andamento aos projetos, a Serra Verde pretende obter uma linha de crédito junto à Caixa Econômica Federal, que oferece até R$ 5 milhões a empresas de turismo. Hoje, a frota total da companhia paranaense é de 20 vagões, que transportam 140 mil passageiros ao ano, número que deve saltar para 150 mil turistas em 2009. A empresa também tem planos de abrir um hotel e uma agência de turismo em São Paulo.

Corcovado

Para Sávio Neves, presidente do Trem do Corcovado (RJ) e da associação do setor, a ABOTTC, as grandes operadoras descobriram que o trem turístico é uma forma de retribuir suas oportunidades de negócios “com a revitalização e o resgate da cultura ferroviária”, como comentou.

A empresa, que administra o Trem do Corcovado, contabiliza 600 mil turistas por ano e tem planos de investir R$ 46 milhões na compra de quatro novos trens, além de estudar a operação de três outros trechos, entre Lídice-Angra, Rio de Janeiro-Petrópolis e o Trem Costa do Sol, todos no Rio de Janeiro. (Fabíola Binas – DCI)

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