Logística estrangula avanço da produção local

Diante desta perspectiva de expansão, como observa Silveira, fica claro que os gargalos logísticos só tendem a aumentar

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Exportar mais e ver Mato Grosso no topo da produção brasileira são notícias mais que positivas para quem está nos bastidores da safra. “Mostra o potencial que temos e só ratifica o franco desenvolvimento do Estado”, pontua o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja/MT), Glauber Silveira. Porém, tanto gigantismo assim, já causa nos produtores estaduais – e há muito tempo – apreensão, pois, a cada tonelada extra que se colhe, mais estrangulado e oneroso fica o escoamento da produção. “A logística, que é o foco da Aprosoja/MT, precisa mais do que nunca avançar na mesma velocidade em que a demanda mundial por Mato Grosso avança. Não é possível esperar, pois logo, não haverá condições de dar vazão a um estado que pode ampliar em 50% sua produção, sem derrubar uma árvore sequer, apenas reaproveitando áreas de pastagem degradadas e outras que hoje estão subutilizadas”, exclama Silveira.

Diante desta perspectiva de expansão, como observa Silveira, fica claro que os gargalos logísticos só tendem a aumentar. “E quando se fala em logística, não falamos de escoamento por rodovias, hidrovias e ferrovias, falamos em estrutura para armazenagem também. Atualmente, 27% da produção de soja de Mato Grosso é armazenada em caminhões”, revela o presidente da Aprosoja.

Atrás da vocação agrícola e de tanto dinamismo e gigantismo, a falta de logística deixa para Mato Grosso um rastro de prejuízos. “O gasto com o frete, atualmente em torno de US$ 120 até Paranaguá, consome 38 sacas de soja, ou seja, temos de colher 38 sacas apenas para custear o frete, fora os outros gastos com insumos”.

A conta vai mais longe. A falta de condições adequadas de escoamento está tirando da economia estadual cerca de US$ 1 bilhão por safra. “Se o produtor conseguir economizar cerca de US$ 20 em frete por tonelada de soja escoada, Mato Grosso terá circulando aqui dentro, cerca de US$ 1 bilhão a cada safra e ao longo de dez anos, serão US$ 10 bilhões. Por isso, não há outro foco para a Aprosoja/MT, se não, o da logística”, acentua o presidente da Entidade. E completa: “Diante de tanto potencial, são há outro papel às entidades do segmento, a não ser o de focar soluções para o fim deste gargalo. E muita coisa pode ser feita a médio prazo, como a conclusão da BR 163, obra que por sinal, não é vital apenas para Mato Grosso, como também para o país”.

AÇÃO – A liderança na produção de grãos e fibras e a constatação de que apenas Mato Grosso pode continuar avançando, é para Silveira, motivos mais que evidentes para o governo federal acelerar obras de infraestrutura. “Vamos aproveitar do mote da Copa do Pantanal, para mostrar que Mato Grosso não é apenas reconhecido pelo seu Pantanal, e sim, pelo seu prestígio de celeiro do mundo”.

Como ele antecipa, a Aprosoja/MT irá organizar um grande movimento pró-logística que contará com apoio de outros estados brasileiros, como Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia, para pressionar o governo federal para que os investimentos em logística saiam urgentemente do papel, que se crie e recupere estradas que liguem a região central do país ao litoral, para a desobstrução de portos, construção de ferrovias e hidrovias. “Sabemos que os produtores continuarão produzindo, mas é preciso consciência governamental da importância do setor produtivo para o país. No caso de Mato Grosso, atualmente os dois principais gargalos são a falta de investimentos para aumentar o potencial de armazenagem e em infraestrutura”, elenca. Entre obras urgentes, além da BR 163 estão as hidrovias Tocantins/Tapajós e Paraguai/Paraná, as ferrovias Senador Vicente Vuolo e a Leste Oeste, como também a conservação das rodovias existentes.

EXPORTAÇÕES – O quadro de oferta e demanda brasileira passa a apresentar uma posição bem ajustada, particularmente, quanto ao nível dos estoques finais que deve representar uma redução de 37,1% em relação à safra 2007/08.

Este cenário (baixo nível dos estoques finais) aliados aos fatores positivos no mercado internacional como: quebra da safra de soja da Argentina, uma demanda externa acima das expectativas iniciais do mercado, principalmente por parte da China e baixos estoques norte-americanos, criam as condições favoráveis para a ampliação das exportações brasileiras, que devem apresentar um aumento de 2% (500 mil t a mais) passando para 25 milhões de toneladas.

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