Faltas ao trabalho

Elas geram intranquilidade para o empresário. Geram intranquilidade para o próprio empregado. O relacionamento torna-se difícil entre companheiros, chefia, gerência e empresa. Muitas vezes o excesso de ausências de determinado funcionário gera necessidade de substituição

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Temos que entender que na qualidade do trabalho se inclui um fato importantíssimo que é a frequência, a participação ativa. Não podemos esquecer que todo trabalho numa empresa, é em equipe, cada um participa com sua parcela. A ausência de um gera sobrecarga, insatisfação para o colega que tem que executar a atividade dele e do colega que está ausente ao trabalho.

Muitas vezes a ausência ocorre de maneira esporádica, mas tem ausências repetitivas que geram insatisfação muito grande a todos que estão participando daquela equipe ou daquela empresa.

Sabemos que existem as ausências legais, garantidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), como é o nascimento de um filho quando o pai poderá estar ausente por alguns dias, e das mães, que o após parto podem ter até quatro meses de ausência.

Falecimento de parente é outra causa comum coberto pelas leis trabalhistas, que dão três dias de afastamento do trabalho, desde que o parentesco seja de primeiro grau, entendendo-se assim o pai, a mãe, irmãos, cônjuge e filhos.

O alistamento militar é outro fato: dá um dia de afastamento para a visita ao órgão das Forças Armadas onde é feito o recrutamento de pessoal.

O casamento nos dá três dias úteis de ausência ao trabalho para que o congresso sexual se realize. A doação de sangue é outro motivo justificado para ausentar-se do trabalho. Isto gera um documento fornecido pelo banco de sangue que vai ser entregue ao departamento de pessoal da empresa.

A dispensa médica é o único documento que justifica tudo e faz com que o empregador pague integralmente o dia de falta bem como o repouso remunerado. Não interfere no período de férias ou qualquer outra situação

Essas ausências são as consideradas legais, mas existem vários outros tipos de ausências, como aquelas injustificadas, nas quais o indivíduo falta ao trabalho porque o time de futebol para o qual torce perdeu na véspera. Porque ganhou, comemorou demais e no dia seguinte não tem condições para o trabalho. As ausências injustificadas são quase sempre feitas por pessoas com características determinadas, com pouco vínculo com o trabalho, sem raízes, desmotivadas. Mais para frente vamos falar um pouco sobre estes vínculos.

Tipos de ausências por problemas pessoais, problemas sociais, são muito comuns e as faltas são em grande número. Exemplos de problemas pessoais são a insatisfação. Se você se aborreceu com o chefe, está contrariado, se teve algum entrevero com o colega, isso provavelmente será motivo para se pensar duas vezes se deve ou não ir ao trabalho. No caso de uma indisposição, uma dor de cabeça, uma dor de barriga, nós sempre imaginamos que a coisa vai evoluir e então interrompemos os procedimentos daquele dia e deixamos de executar nossas atividades por acharmos que aquilo vai evoluir. Muitas vezes o quadro desaparece espontaneamente, o dia fica belo e vemos que deixamos de trabalhar e perdemos o dia.

A desmotivação é outro fator comum de levar a ausência ao trabalho. Só podemos fazer coisas que gostamos. Brigar com o trabalho porque não gostamos de fazer aquilo não deve acontecer. Se não estou me realizando na minha atividade eu tenho que propor mudanças, tenho que chegar a realizar aquilo que realmente gosto. Dessa maneira estarei motivado.

A dificuldade para iniciar o dia é outro fato interessante que acontece com algumas pessoas. Vocês vão ver que é comum, às vezes nós temos e nem sabemos. Na realidade ocorre quando da interrupção do sono para se iniciar uma atividade. Normalmente ao tocar o despertador o indivíduo acorda, desliga o relógio, pula da cama, vai para o banheiro, toma seu café e logo em seguida já está saindo com destino à empresa. Alguns levam minutos e até horas para sair daquele estado de transição entre a interrupção do sono e o início de sua atividade. Sair dessa inércia, para uns, é terrível. A iniciação das atividades tem que ser vista como ação inversa à inércia produzida pelo sono. Esses indivíduos, ao acordarem viram para um lado, para outro, levam tempo para se ligarem e sair da cama. Isso logicamente leva a um retardo, fazendo com que inevitavelmente a saída de casa já seja atrasada. Encontra trânsito mais complicado e certamente o atraso ao trabalho será marcante. Esse chega quase sempre atrasado ao trabalho.

Continua sendo absenteísmo, é na verdade uma ausência momentânea ao trabalho. É o indivíduo que atrapalha a equipe e o trabalho de todos dentro de uma empresa.

Imagine um time de futebol que vai começar o jogo e o goleiro ainda não chegou.

Os problemas sociais, como dependente doente, preocupma qualquer indivíduo. Sair de casa com um filho com dor de cabeça, ou com dor de barriga, às vezes até super valorizando as queixas tolas que desaparecem espontaneamente e acabamos deixando de ir ao trabalho. E quando levamos ao médico, este nos diz que a criança está bem, não há nada a fazer, vamos só observar. A criança na verdade estava bem e perdemos um dia de trabalho.

O falecimento de alguém da família ou de um amigo, vizinho, é coisa que nos pega de surpresa e que repercute bastante na nossa cabeça e quase sempre nos leva a ter condutas de apoio e consequentemente ausência ao trabalho.

A doação de sangue antigamente era rotina. Faltou ao trabalho: ia ao banco de sangue, fazia uma doação, pegava um comprovante e apresentava no departamento de pessoal. Estava resolvido o problema.

Tinha gente que doava sangue duas vezes por mês. Às vezes, a grana estava curta no final do mês, o banco de sangue pagava pela doação, e o indivíduo ia até lá, doava e recebia um pagamento por isso. Quebrava o galho e justificava a ausência.

Isso se repetia por muitas e muitas vezes até que a legislação aboliu esse tipo de justificativa, passando a dar permissão para tal doação, apenas uma vez por ano.

Outro problema de ordem social são os sinistros. Aparecem de repente. Uma chuva forte invade a casa , os móveis bóiam… Estamos diante de um problema para o qual temos que dar solução. A empresa posteriormente justificará nossa ausência através do serviço social.

As doenças estatisticamente vêm tendo o menor percentual de ausência ao trabalho. O predomínio é dos problemas sociais e pessoais.

O exame admissional e periódico feito nas empresas permite ao médico conhecer os problemas e saber que trabalha com pessoas sadias. Mesmo assim, sabe que os problemas infecciosos, parasitários, digestivos, acontecem no dia a dia e quase sempre são esses os motivos de ausência. São os sinais e sintomas com os quais as pessoas concluem estar doentes.

Na realidade há sinais e sintomas. A pessoa que vai até o ambulatório procurar o médico porque tem uma dor de cabeça, julgando-se incapaz para o trabalho, ao tomar um comprimido desaparece o problema e ela passa ser considerada apta para o seu exercício profissional.

O psiquismo da pessoa, o preparo individual para aquele sintoma, é coisa pessoal. Muitas vezes com uma dorzinha de cabeça leve, tolerável, que desapareceria com um analgésico caseiro, faz com que o indivíduo se ausente do trabalho. Na realidade é a susceptibilidade de cada um, é o limiar da dor de cada um, é a motivação para o trabalho que talvez não esteja bem fundamentada, levando esse indivíduo a se ausentar por motivo fútil. Outras vezes, vemos sinais e sintomas fechando um diagnóstico definido e evidenciando a incapacidade para o trabalho momentânea ou por múltiplos dias. Aí, vamos ter o atestado médico justificando esta ausência. Mas o que predomina são sinais e sintomas que vão levar o indivíduo à ausência.

A repercussão na falta ao trabalho é importante ser frisada. Quem falta ao trabalho esquece que está sobrecarregando o colega, e quem está trabalhando não fica satisfeito com aquela ausência, apesar de saber que é por motivo de doença. Ninguém gostaria que tal fato ocorresse.

É como se fosse uma equipe de futebol, onde um indivíduo importante para a equipe faltasse, como já citamos. Temos onze jogadores e chegamos ao campo com dez. Um faltou, está ausente, vai produzir uma falha no mecanismo técnico e o desempenho da equipe vai cair. A presença do colega é muito importante. A relação do colega com os demais membros da equipe é muito importante. Essa relação também com a chefia deve ser estreita. O chefe sofre quando falta alguém em sua equipe, porque tem que designar alguém para substituir ou cobrir a falta, realizando o seu trabalho e o trabalho do colega faltoso. Dessa forma está sacrificando um determinado membro da equipe. A mesma relação entre colega e chefia deve também existir com relação à gerência e a empresa.

O gerente sofre porque a produção cai. A empresa sofre porque deixa de atingir suas metas. O país sofre porque muitas pessoas deixaram de produzir naquele dia.

Precisamos criar vínculos com o trabalho. Precisamos correr atrás da motivação para o trabalho. Precisamos gostar do que fazemos , fazer aquilo que gostamos , temos que estar motivados para o trabalho permanentemente. O trabalho gerará a satisfação para o trabalhador. Se estou fazendo alguma coisa que não gosto, tenho que procurar dentro da empresa aquilo que satisfaz as minhas necessidades, a minha vontade, e satisfazer logicamente o meu Ego. Eu tenho que fazer aquilo que gosto. Desenvolver minha atividade em sua plenitude, com garra, com gana, com vontade. Se motivado para o meu trabalho eu não tenho como faltar, porque com sinais, com sintomas, com queixas, problemas sociais, e outros eu jamais deixarei de estar presente.

Precisamos ter vínculos com o colega. Vínculos de amizade, de carinho onde o trabalho precisa ser de alto nível, mesmo que haja uma briguinha, um relacionamento difícil com o colega. Temos que ter flexibilidade para superar a situação, pedir perdão ao colega ou ser perdoado. Continuamos a nossa amizade, o nosso carinho, respeito e mantermos auxílio mútuo no trabalho que desenvolvemos.

Com isso teremos uma melhor qualidade de vida no trabalho.

Quando eu tomo raiva do colega, eu começo a desenvolver ambiente impróprio para eu mesmo. Às vezes, o ambiente fica tão pesado que começa a gerar insatisfação . Olhar o colega com quem briguei é ver que não tive jogo de cintura para poder tornar aquela briguinha numa coisa comum, pedir desculpas, perdoar e retomarmos a posição inicial.

E com as chefias! Sabemos existir vários tipos de chefes. Conhecemos o chefe amigo, austero, punitivo, democrático. São vários tipos, lidar com cada um deles é difícil. Precisamos ter o jogo de cintura para poder enfrentar a “fera”, saber o que ele quer fazer o que ele deseja e assim conseguimos mostrar nossas intenções, nossas posições e desta forma demonstrar o nosso valor, a nossa qualidade para que possamos ser escutados. Temos que saber conviver com todos. As pessoas são diferentes entre si. Os comportamentos são os mais diversos. Uns gostam de brincar , outros nem “bom dia” falam , são características individuais. Temos que aceitá-los e nos desdobrarmos para atender o chefe. Ponderar, sugerir quando for o caso, mostrar idéias, de maneira mais dócil para manter o respeito e a amizade.

Quando nos indispomos com a chefia o ambiente de trabalho se torna terrível. A indisposição com o chefe nos obriga a pensar duas vezes se vamos ou não ao trabalho. A indisposição com a chefia e com o colega, muitas vezes vai ser o elemento responsável pela nossa ausência ao trabalho.

Precisamos ter vínculo com a empresa. Isto é muito importante. Além de fazermos o que gostamos, temos que manter uma estrita relação com o chefe e com o colega. O ambiente de trabalho tem que ser agradável. Criadas raízes eu passo a ter amor ao meu trabalho e à minha empresa. Sou capaz de brigar para defender meu ambiente de trabalho.

O ambiente passa a ser prolongamento da minha casa, eu super valorizo tudo que é feito na minha empresa e divulgo para todos, me orgulho de trabalhar nessa empresa. É como torcer pelo Corinthians ou Palmeiras. Você cria vínculos. Você nunca falará mal do seu clube, você defende a idéia do bom desempenho da equipe , você jamais criticará , estará enraizado ao seu clube, enraizado também na sua empresa curtindo a bandeira que você ama e da qual tira o seu sustento.

Os vínculos geram ajuda mútua e espírito de equipe permitindo uma produção melhor. Tudo isso que acabamos de comentar, os vínculos com o colega, com a chefia, com a empresa, geram o espírito de equipe. Estamos no mesmo barco e temos que lutar por ele. Precisamos estimular os vínculos para produzirmos melhor, satisfeitos e felizes. Com isso estaremos vestindo a camisa da empresa, reduzindo absenteísmo e aumentando a produção de nossa empresa e do nosso país.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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