Exportações cearenses despencam quase 30%

´A alta de abril foi conjuntural, não uma tendência consolidada´, diz Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN)

GM fabricará modelo popular em Gravataí
Ferroeste coordenará Fórum de Integração Logística Sul-americana
Gafor entra para mercado de auto-adesivos

Após um mês atípico, em que as exportações bateram a casa dos US$ 100 milhões, o Ceará voltou a registrar queda em suas vendas para o exterior. Em maio, foram exportados US$ 71 milhões, retração de 29,4% sobre o resultado de abril e de 21,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados, ontem, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

“A alta de abril foi conjuntural, não uma tendência consolidada”, diz Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN). Segundo ele, não é possível saber o que causou esse comportamento da balança comercial. Uma possibilidade é que os países desenvolvidos tenham reabastecido seus estoques.

No acumulado de janeiro a maio, as exportações também arrefeceram 16,7%, somando US$ 410,7 milhões, contra os US$ 493,2 milhões em igual período do ano passado. Um cenário que pode se agravar, se o dólar continuar sua trajetória de queda. “O câmbio a menos de R$ 2,00 é uma calamidade para o exportador”, frisa Bezerra, para quem o patamar ideal fica entre R$ 2,20 e R$ 2,50.

A situação do Ceará é um pouco melhor do que a verificada nas exportações nordestinas, que foram 52,1% menores do que em maio de 2008. No total do País, as vendas somaram US$ 11,98 bilhões — queda de 37,9% sobre US$ 19,3 bilhões no mesmo mês do ano passado. Nos cinco primeiros meses do ano, o acumulado no Brasil é de US$ 55,48 bilhões, 23% abaixo dos US$ 72 bilhões do mesmo período em 2008.

Importações

No mês de maio, o Ceará importou US$ 97,7 milhões, 32,7% abaixo do apurado em abril e 20,2% inferior ao mesmo mês de 2008. Apesar disso, é superior ao valor adquirido no exterior no começo do ano (US$ 81,6 milhões, em janeiro, e US$ 56,2 milhões, em fevereiro). No acumulado, a queda é de 10,7% (passando de US$ 571,4 milhões para US$ 510,1 milhões).

“O montante ainda é alto e supera as exportações. Mas não é ruim porque mostra que o programa de investimentos no Estado não foi severamente afetado pela crise”, argumenta Eduardo Bezerra, que destaca as compras de equipamentos para a geração de energia térmica e eólica. A balança comercial cearense segue negativa em maio (-US$ 26,7 milhões) e no ano (-US$ 99,4 milhões).

As importações brasileiras foram de US$ 9,33 bilhões (queda de 38,7%), em maio, e de US$ 46,12 bilhões no acumulado (-27,3%). O saldo comercial, porém, se mantém superavitário em US$ 2,65 bilhões e US$ 9,36 bilhões, respectivamente. Na comparação com maio de 2008, os dados são distorcidos por uma greve que provocou acúmulo de exportações naquele mês.

Publicação anterior

COMMENTS