Dados do primeiro trimestre mostram que o roubo aumentou 10% em relação à média do ano passado. Prejuízo com os roubos foi de mais de R$ 62 milhões nos primeiros três meses de 2009, 6% a mais que a média de 2008. Portal Transporta Brasil obteve os dados em primeira mão e conversou com um dos maiores especialistas do assunto para esclarecer algumas dúvidas sobre este crime que inferniza a vida dos transportadores e gera grandes prejuízos à sociedade
11/5/2009
0h58
Redação
O ano de 2009 começou com um aumento no roubo de cargas no Estado de São Paulo. Nos três primeiros meses, as ocorrências de roubo de cargas em território paulista tiveram um aumento de 10% em relação à média de todo o ano passado. Foram 1.849 roubos que causaram prejuízo de R$ 62.563.000,00, 6% a mais que a média de 2008.

Clique na imagem para ampliar - Infografia: Fernanda de Campos - Transporta Brasil
Os dados, obtidos em primeira mão pela reportagem do Portal Transporta Brasil, são da Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, obtidos e calculados em parceria com o SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) e com a FETCESP (Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de São Paulo). As entidades trabalham com um convênio com o Governo do Estado para o levantamento e a divulgação dos números.
O Coronel Paulo Roberto de Souza, assessor de Segurança da FETCESP e do SETCESP e um dos maiores especialistas do Brasil quando o assunto é roubo de cargas, concedeu entrevista exclusiva ao Portal Transporta Brasil e revelou alguns detalhes do panorama deste tipo de crime em nosso País.
Roubos concentrados em SP e RJ
De acordo com Souza, os números do roubo de cargas no Brasil estão concentrados nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. “Os roubos de São Paulo correspondem a 53% do total nacional e os do Rio de Janeiro correspondem a 22%. Isso perfaz 75% de todo o roubo de cargas no Brasil”, explica o coronel, que estuda o assunto há 20 anos. De acordo com ele os dois Estados do Sudeste são as únicas unidades da federação em que o roubo de cargas é realmente uma preocupação.
Isso explica porque o Estado de São Paulo montou um sistema de estatísticas sobre o crime tão detalhado. “Temos um convênio com a Secretaria de Segurança Pública que nos permite ter acesso a dados oficiais e trabalhar em conjunto para o cálculo desses dados, o que nos dá uma ótima radiografia dos eventos no Estado”, diz Souza.
“Bom negócio”?
Mas por que o roubo de cargas se tornou uma atividade tão atrativa para os criminosos? “No início da década de 90, os bancos começaram a reforçar suas estruturas de proteção, com portas giratórias, vigilância, sistemas de alarme e detectores de metal. Isso dificultou o acesso à agência bancária e o foco das quadrilhas antes especializadas em roubar bancos voltou-se para as cargas. É mais fácil conseguir dinheiro com um roubo em uma situação e que se tem um motorista, muitas vezes sozinho, levando uma carga de alto valor, raramente escoltado. Ficou mais fácil fazer a abordagem e, na medida em que se configurou o comércio paralelo e a receptação, a carga virou um bom negócio. Nesse cenário todo, ao longo destes 18 anos, o crime contra as cargas prosperou principalmente por causa da falta de resposta das autoridades”, explica o Cel. Souza, fazendo um panorama da evolução do roubo de cargas no Brasil.
Repressão
Souza considera que as esferas governamentais não têm feito sua parte para prevenir, combater ou reprimir o roubo de cargas no Brasil. De acordo com ele, faltam ações mais enérgicas e, principalmente, uma legislação mais bem estruturada para combater este crime, principalmente para inibir a receptação de cargas roubadas. “O receptador é a raiz de todo o problema do roubo de cargas. A forte atuação da receptação é incentivada, além do lucro, por penas brandas previstas pelo Código Penal brasileiro. A pena para o roubo de cargas no Brasil está vigente desde os anos 40, quando ainda não se conhecia o crime organizado, nem a estrutura organizada do roubo de cargas. Com isso, o crime de receptação é considerado de gravidade leve e a pena vai de 1 a 3 anos de prisão. Em todo crime leve, quando o réu é condenado, pode se valer do benefício da progressão de pena. Com um sexto da pena cumprida, seu advogado já pode requerer o regime semi-aberto”, diz o coronel.
Exemplos que vêm de fora
Perguntado sobre como aplacar a “festa” da receptação de cargas no Brasil, Souza fala de alguns exemplos que funcionaram na Itália e na Argentina. “A Itália deu o exemplo ao derrubar a máfia e o crime organizado descapitalizando os bandidos. Com o perdimento de bens, é possível minar todo o sistema criminoso de receptação de cargas roubadas. Na Argentina existe também um excelente exemplo que é o Descomiso, uma lei que, desde novembro de 2003, fez o roubo de cargas cair 60% com a ameaça de interdição dos estabelecimentos comerciais e auditorias caso haja um item roubado sequer em seu estoque. Parte-se do pressuposto de que, se há um artigo roubado, tudo pode ser roubado também, inclusive em todas as filiais. Imagine uma grande rede varejista fechar as portas por meses por causa de um fato desses, impossibilidade de vender. É um golpe duro. No Brasil, o roubo de cargas é uma festa por causa da inércia das autoridades e da fragilidade das leis”, explica o entrevistado.
O bê-á-bá do gerenciamento de risco - rastreador é fundamental
De acordo com o Cel. Paulo Roberto de Souza, o gerenciamento de risco bem feito em uma transportadora tem que contemplar quatro pilares primordiais:
Por: Leonardo Helou Doca de Andrade - Transporta Brasil
Leia a íntegra da entrevista com o Cel. Paulo Roberto de Souza
Leia mais notícias sobre gerenciamento de risco e roubo de cargas:
Transportadoras recorrem a rastreador redundante para prevenir o roubo de cargas
Roubo de cargas aumenta no Estado de SP
Roubos de caminhões disparam em Curitiba
2/9 13h
Gristec realiza em setembro o 3° Seminário de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento
31/8 13h
6/8 15h
15/7 16h
Publicidade
Publicidade