Prefeitura de Nova Iguaçu restringe trânsito de caminhões na Dutra

A prefeitura de Nova Iguaçu publicou nesta terça-feira decreto determinando que a partir do dia 19 de junho está proibida a passagem de caminhões pela Via Dutra, nos dias úteis, das 5h às 10h, no trecho que corta o município, no sentido São Paulo-Rio

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Pouco depois das 6h de ontem, o congestionamento na Rodovia Presidente Dutra (BR 116), sentido Rio de Janeiro, já apresentava quilômetros de extensão – uma rotina para os moradores da Baixada Fluminense, que usam a via para ir ao trabalho. Para tentar solucionar o problema, a prefeitura de Nova Iguaçu publicou nesta terça-feira decreto determinando que a partir do dia 19 de junho está proibida a passagem de caminhões pela Via Dutra, nos dias úteis, das 5h às 10h, no trecho que corta o município, no sentido São Paulo-Rio.

Como o município não tem poder de legislar em assuntos de trânsito, visto que a rodovia é federal, a alternativa foi alegar questões ambientais. O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, esteve na Dutra durante toda a manhã com funcionários da Defesa Civil, entregando panfletos informando sobre a nova medida.

“Temos até 30 dias para começar a barreira ambiental e organizar o sistema de descarga. São 2.500 caminhões e carretas por dia passando por aqui”, disse o prefeito. “A lentidão do trânsito interfere na questão ambiental, mas, além disso, o trabalhador que pega a Dutra nesse horário demora em média quatro horas para chegar ao centro do Rio. A medida vai beneficiar não só aos moradores da Baixada, mas também aqueles que acessam a Avenida Brasil, outra via complicada do Rio.”

A manicure Vera Caetano, que pega o ônibus na Via Dutra para trabalhar em Duque de Caxias, aprovou a medida. “Saio às 6h30 de casa e demoro uma hora para chegar no trabalho por causa do trânsito. Quando não tem trânsito [congestionado], chego no trabalho em 20 minutos”.

Rodrigo dos Santos, morador de Belford Roxo, na divisa com Nova Iguaçu, condenou a medida. Na opinião dele, o maior problema é a falta de acostamento para os pontos de ônibus. “Como não tem um vão, uma estrutura para os pontos, quando o ônibus para e engarrafa toda a pista. Acho um absurdo prejudicar o caminhoneiro, atrasar o carregamento, todo um setor da economia da cidade do Rio de Janeiro para beneficiar alguns motoristas.”

De acordo com Lindberg, o decreto pode pressionar a concessionária que administra a Rodovia Presidente Dutra (Nova Dutra) e o governo federal a  providenciarem a construção de marginais na rodovia, nos trechos que cortam a Baixada Fluminense.  “Essa é uma batalha que começa na questão ambiental, tem repercussão no trânsito e acho que pode acabar com a grande vitória, que são as construções de marginais ao longo de toda a Dutra”, disse o prefeito.

O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Brasil, Nélio Botelho, chamou o decreto de absurdo. “O transporte de carga da regiões Sul e Sudeste passa obrigatoriamente pela Dutra, que é a principal rodovia do país. Criar essa proibição vai causar transtornos para todos os setores do Brasil. Vamos tentar dialogar com o prefeito, mas caso o diálogo não prevaleça, tomaremos medidas judiciais e, se necessário, faremos paralisação”. (Flávia Villela – AB)

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