INTERMODAL: Empresas atuam na contramão da crise e investem

O profissional de logística leva para as empresas a visão sistêmica de todo o conjunto de processos que, implantados, devem culminar na otimização do uso dos recursos e na redução de custos das empresas

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O termo logística tem se tornado o centro das discussões em reuniões de trabalho e encontros de executivos. Em tempos de crise econômica, a preocupação com a necessidade de excelência ao longo de toda a cadeia produtiva se torna ainda maior. E é através da eficiência na execução dos processos que iniciam com o fornecimento de insumos, passam pela produção e terminam na venda e distribuição do produto acabado, que a logística torna-se um importante diferencial competitivo.

O profissional de logística leva para as empresas a visão sistêmica de todo o conjunto de processos que, implantados, devem culminar na otimização do uso dos recursos e na redução de custos das empresas. Dados da Associação Brasileira de Logística (Aslog) indicam que a logística é responsável pela geração de cerca de 20% do PIB no País. Deste total, 12% correspondem a transporte e 8% a armazenagem, que envolve a administração de pedidos e a estocagem, seja ela de matérias-primas ou da produção final.

Em um cenário econômico adverso como o atual, a logística ganha um papel de destaque no planejamento estratégico das organizações para driblar a crise. Não apenas como forma de reduzir custos, mas também como alternativa para aumentar a competitividade. É neste contexto que está sendo realizada a Intermodal South America 2009, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Maior feira das Américas dos setores de logística, transporte e comércio internacional, a Intermodal conseguiu concretizar o que hoje é considerado o maior desafio do mercado: em um único espaço, está integrando 450 expositores dos modais aéreo, rodoviário, ferroviário e marítimo.

No evento que iniciou na terça-feira, dia 14, e se encerra hoje, o visitante poderá descobrir o que as principais empresas do setor de logística do País estão fazendo de novo, como a chegada de operadores logísticos internacionais que se fundem com empresas nacionais; também oferece a oportunidade de conhecer novos softwares de armazenagem, além de os investimentos previstos pelas empresas para este ano. “O evento é um pólo de informações sobre as melhores práticas que estão acontecendo no setor de logística”, afirma o diretor da UBM, promotora da Intermodal. Na edição do ano passado, o evento recebeu 45 mil profissionais do setor.

Mescladas entre os expositores e contrariando as previsões mais pessimistas, estão algumas empresas com atuação no Rio Grande do Sul que, na contramão da crise, anunciam investimentos e apostam em novos negócios. A Capital Realty definiu para o biênio 2009-2010 investimentos de R$ 20 milhões para a construção de 17 mil m2 de armazéns no Mega Intermodal, condomínio logístico situado em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. O local possui, atualmente, 30 mil m2 de área construída. Esta área já inclui um prédio de 6 mil m2, recentemente inaugurado. “Há uma carência enorme por áreas com infraestrutura adequada. Existem negociações para construção de novas estruturas para atender operadores logísticos nos três estados da Região Sul e em São Paulo”, afirma o diretor da empresa, Rodrigo Demeterco. “Nosso molde de investimento evidencia a relação custo-benefício e também desmistifica as vantagens de se ter sede própria, ou seja, deixa o empresário livre para investir na sua atividade principal”.

Os rendimentos da Capital Realty com a locação de áreas no condomínio somaram R$ 35 milhões em 2008 com um aumento nominal de 30% sobre o ano anterior. A meta fixada para 2009 é um crescimento entre 20% e 25%.

Exata Logística mira nos R$ 100mi

Nos últimos cinco anos, a Exata Logística cresceu bem acima da média do setor. Em 2004, contava com duas unidades – em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS) – com faturamento de R$ 14 milhões. Hoje, está entre as maiores empresas brasileiras de logística, presente em 14 estados, com 14 centros de distribuição e a matriz em São Paulo.

De acordo com o diretor-geral da empresa, Mauricio Pastorello, a Exata registrou, no ano passado, receita de R$ 70 milhões. “Em 2009, planejamos faturamento de R$ 100 milhões”, diz. A estratégia adotada é crescer dentro da base de clientes, conquistar novos e expandir geograficamente. Nos próximos meses, a Exata inaugura mais três centros de distribuição. Outros três já entraram em operação. “A Exata Logística prevê um investimento da ordem de R$ 5 milhões este ano, que será distribuído entre os três pilares que compõem a filosofia da empresa: processos, tecnologia e talentos”, ressalta Pastorello. “Vale destacar que uma parte significativa do investimento será aplicada em um novo sistema de ERP, previsto para ser implantado em prazo recorde”.

McLane no Brasil amplia armazéns

A subsidiária da americana McLane no Brasil, do grupo Berkshire Hathaway, promete alçar novos vôos no segmento logístico. A empresa vislumbra um mercado em potencial no Sul do País, a partir da ampliação do Centro de Distribuição de Canoas, no Estado. A iniciativa, que conta com investimento superior a R$ 15 milhões e expectativa de conclusão para o primeiro semestre, dobrará a capacidade de armazenamento – que movimenta 110 mil toneladas por ano.

A ampliação trará benefícios para Canoas por meio da geração de empregos diretos e indiretos. “A previsão é realizada com base no número de colaboradores do Centro de Distribuição que atuará diretamente nas atividades da companhia: haverá um aumento de 150 operadores”, ressalta o diretor de operações da McLane, Ozoni Argenton Jr.

Grupo Columbia investe no CD

Destinado a atender clientes do segmento de consumo, o Centro de Distribuição Cajamar, localizado próximo ao Rodoanel, às margens da rodovia Anhanguera, em São Paulo, foi inaugurado pelo Grupo Columbia em novembro de 2006. Para marcar os dois anos de atividade, a empresa anuncia a operação que ampliará em 5.000m² a área da unidade, que possui atualmente 34.000m². “O uso intenso da tecnologia nos processos de recebimento, armazenagem e picking somado aos altos volumes operacionalizados tornam esta operação, sem dúvida alguma, um desafio para todos”, afirma o gerente da Divisão Logística da Columbia, Marcelo Brandão.

Ultracargo agora é líder

A aquisição, no ano passado, da União Terminais, antes controlada pela Unipar (União das Indústrias Petroquímicas S.A.) consolidou a liderança isolada da Ultracargo no setor de armazenagem de granéis líquidos no Brasil. A empresa conquistou 35% de participação no mercado, garantindo sua posição de maior empresa do setor na América do Sul. Em volume de armazenagem, a aquisição representou um aumento de quase 50%, de 353 mil m3 para 528.133 m3, com a inclusão de três novos terminais localizados no Rio de Janeiro, Santos e Paranaguá.

A Ultracargo fechou o ano com uma frota de 579 carretas, 34,1 milhões de quilômetros rodados e a receita líquida de R$ 283 milhões. De acordo com o gerente de negócios sólidos da Ultracargo, José Henrique Bravo, a empresa planeja crescimento de até 10% em 2009.

Expresso Mirassol e LSI se unem e somam especialidades

Com o objetivo de oferecer ao mercado um portfólio ampliado de serviços e um conceito de soluções integradas com otimização dos custos logísticos, o Expresso Mirassol e a LSI Logística formaram uma joint venture que une as especialidades das empresas no transporte, armazenagem, movimentação de cargas e logística in house. Do casamento destas duas empresas nasce a joint venture que tem origem 100% nacional e conta com a capacidade de proporcionar aos clientes a visibilidade total da cadeia logística com informações em tempo real e grande sinergia de operações. “Queremos oferecer ao mercado soluções integradas e este é o objetivo principal da joint venture”, explica o diretor do Expresso Mirassol, Celso Salgueiro Filho.

Para dar vazão ao planejamento das duas empresas, a joint venture Mirassol-LSI estima investir um total de R$ 150 milhões na construção e estruturação de estruturas de armazenagem, Centros de Distribuição, tecnologia, ampliação e renovação de frota e equipamentos de movimentação de cargas. A união das operações das duas empresas contará no total com uma frota de 910 equipamentos de transporte rodoviário e cerca de 300 equipamentos de movimentação interna de cargas. Até 2012, as empresas empregarão cerca de cinco mil pessoas e projetam um faturamento conjunto de R$ 500 milhões.

DB Schenker faz acordo com a Global Master Lease Envirotainer

Clientes do segmento farmacêutico e de saúde – além de indústrias que têm necessidades especiais para o transporte de produtos sensíveis – poderão contar, agora, com serviços e soluções logísticas com temperatura controlada. Fruto do recente acordo com a Global Master Lease Envirotainer AB, na Suécia (fornecedora de contêineres de carga aérea com temperatura controlada), a DB Schenker passará a utilizar equipamentos e serviços especializados da Envirotainer.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Schenker AG em Essen, na Alemanha, Thomas C. Lieb, essa parceria vai alavancar o desempenho e a segurança do serviço de supply chain oferecido aos seus clientes do ramo farmacêutico e de saúde. “Com os nossos serviços aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário disponibilizados em uma única fonte, aliamos alta qualidade e agilidade nas operações especiais, conectando os mercados na Europa, nas Américas e na Ásia”, ressalta Lieb.

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