Governo anuncia investimentos em infraestrutura para equilibrar a matriz de transportes

Reunião em São Paulo debateu os problemas da logística brasileira e as deficiências da estrutura viária para o escoamento da produção, principalmente do agronegócio. Representantes do governo disseram que a meta é equilibrar a matriz com investimentos em ferrovias e hidrovias, além de melhorar a malha rodoviária já existente

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Investimentos anunciados pelo governo federal mostram a tendência das estratégias públicas para diminuir a dependência do transporte brasileiro do modal rodoviário e diversificar o escoamento da produção para a hidrovia e a ferrovia. Este foi um dos principais focos da reunião realizada hoje em São Paulo entre representantes da indústria, do agronegócio, de agências reguladoras do transporte, especialistas e órgãos governamentais.

A meta, segundo especialistas, é diminuir o impacto dos fretes no preço final dos produtos no mercado e ganhar velocidade no escoamento da safra até os principais portos brasileiros.”As grandes obras são necessárias para melhorar a infraestrutura para o agronegócio, por serem mais baratas e adequadas para o transporte em longas distâncias. É preciso investir mais em hidrovias e ferrovias, mas sem abandonar o modal rodoviário. Queremos dar equilíbrio à matriz de transportes”, afirmou o diretor de Infraestrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Biramar Nunes.

Estradas no Mato Grosso

Segundo Nunes, o governo planeja realizar melhorias em curto prazo nas rodovias mais importantes utilizadas no escoamento da safra no Centro-Oeste. Duas importantes rotas do Mato Grosso, principal produtor nacional de grãos, serão asfaltadas: um trecho de 400 km da BR-168 até 2010 e outro, de 1.000 km, na BR-193, com previsão para 2011

Ferrovias

Agricultores das cinco regiões do Brasil serão beneficiados com os investimentos anunciados na ampliação da malha ferroviária. A iniciativa promete incluir 2 milhões de hectares de áreas produtivas na cadeia logística nacional, com a construção de 9,7 mil quilômetros de ferrovia prevista para 2011. Só este ano, já foram alocados pouco mais de R$ 3 bilhões para um trecho de 1,3 mil quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, até a cidade de Anápolis, em Goiás.

Quando pronta, a ferrovia sairá do Porto de Itaqui e cortará os Estados do Maranhão, Pará, Tocantins, Goiás e, em 2011, chegará ao município de Estrela d’Oeste, em São Paulo. A Valec, empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pelas obras, já conta também com mais R$ 547 milhões em recursos para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste no trecho que ligará Ilhéus ao Município de Luís Eduardo Magalhães, ambos na Bahia.

Para essas obras está prevista a formação de 17,5 mil empregos diretos e 50 mil indiretos. “Com a crise, o governo tomou a decisão de colocar recursos públicos. Até o ano que vem grande parte da Norte-Sul e Bahia vão operar a todo vapor”, garante, José Francisco das Neves, diretor presidente da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., que afasta a possibilidade de interrupções nas obras mesmo com a postergação das licitações. Em 2011, após aplicar recursos da ordem de R$ 6,2 bilhões, a Valec entregará a parte final do trecho Ilhéus-Luís Eduardo Magalhães, que deve terminar 2009 faltando 500 quilômetros para ser concluído, e Anápolis-Estrela d’Oeste.

Atualmente, os gastos com frete no Brasil correspondem a 20% do custo de produção, enquanto em países como Estados Unidos e Canadá o custo é de aproximadamente 7%. Segundo Lima, o produtor do Mato Grosso chega a receber até R$ 2 a mais por saca de soja transportada escoada pelas rodovias até Colinas de Tocantins, no Tocantins, e que de lá segue pela Ferrovia Norte-Sul até o Porto de Itaqui. “O Mapa entende que se resolver o problema do Mato Grosso outras regiões serão beneficiadas”, disse. O diretor do Mapa, destaca a importância dos produtores terem alternativas para escoar a produção. “Só no dia em que ele estiver com isso nas mãos vai estar estabelecida a competitividade no setor”. Hoje, sem a plena utilização dos modais o governo tem que subsidiar parte dos produtores, utilizando o prêmio de equalização.

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