Todos querem prorrogar o IPI reduzido

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ainda não há decisão tomada, enquanto Miguel Jorge, do Desenvolvimento, negou que haverá prorrogação. Mas, extraoficialmente, a extensão por três meses é dada como certa.

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Diante dos evidentes sinais de recuperação nas vendas de automóveis a partir de dezembro, quando o governo reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), há um coro afinado pressionando pela prorrogação da medida, que vigoraria apenas até o final deste mês. Volkswagen e Renault são algumas das montadoras que já começaram a chamar de volta empregados com contratos ou turnos suspensos.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ainda não há decisão tomada, enquanto Miguel Jorge, do Desenvolvimento, negou que haverá prorrogação. Mas, extraoficialmente, a extensão por três meses é dada como certa. Entre as dificuldades do Planalto, estaria a perda de arrecadação de R$ 1,35 bilhão estimada para o primeiro período de vigência.

– Se não fosse a redução, não haveria venda no volume em que está. A prorrogação é essencial para continuar a sustentar a recuperação do setor. Voltar aos níveis anteriores à redução pode gerar instabilidade com impacto sério – diz José Roberto Ferro, especialista em indústria automobilística.

Um dos motivos citados para a reticência do governo em confirmar agora a prorrogação seria a perda de um poderoso argumento de vendas no decorrer deste mês. Não é o que pensa Hugo Pinto Ribeiro, diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave):

– O melhor é a decisão de prorrogar. O mercado está aquecido, o cliente está procurando carros, se a notícia for dada antecipadamente não tem problema nenhum.

Uma das hipóteses é a de que o governo exija das montadoras algum tipo de contrapartida para a manutenção da cobrança reduzida do IPI. A mais provável é de algum tipo de compromisso de cavalheiros – ou seja, sem força legal – de manutenção do nível de emprego. É a tese do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho:

– Estivemos hoje (ontem) com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e o Luiz Dulci (chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República), que disseram estar de acordo com nosso pedido de contrapartida social.

Na opinião de Julio Sergio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica, o melhor meio é negociar que se evitem exageros nas dispensas, sem imposição. Porém, ele acrescenta que seria o momento de cobrar da indústria uma redução de preços que não fosse gerada apenas pela redução tributária, mas também do repasse dos ganhos com a queda de preços das matérias-primas dos carros.

– Esse tipo de ação (a redução de impostos) é importante num momento como o que vivemos. Prova que, com preços menores, existe demanda.

Gigantes em marcha lenta

  • Nos Estados Unidos, US$ 17,4 bilhões foram liberados entre janeiro e fevereiro para a General Motors e a Chrysler, que pedem mais US$ 21,6 bilhões
  • Na Europa, as montadoras querem ajuda estatal equivalente a US$ 50 bilhões
  • No Brasil, a perda na arrecadação para os quatro meses de IPI reduzido previstos originalmente é de R$ 1,35 bilhão

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