Concessionária vai duplicar 400 km da Rio-Bahia

Os recursos serão aportados nos primeiros oito anos de concessão e segundo o porta-voz do grupo, Francisco Corráles, neste período serão duplicados 400 quilômetros do trecho de 680,6 quilômetros de extensão

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Em sua primeira investida em infraestrutura rodoviária no País, a espanhola Isolux Corsán, deverá investir R$ 1,3 bilhão nas rodovias federais 116 (Rio-Bahia) e 324 na Bahia. Os recursos serão aportados nos primeiros oito anos de concessão e segundo o porta-voz do grupo no Brasil, Francisco Corráles, neste período serão duplicados 400 quilômetros do trecho de 680,6 quilômetros de extensão. Além da Isolux com 75% de participação, participa do consórcio RodoBahia, a Engevix, com 20% e a Encalso, que detém 5%.

“Entre o segundo ano e o terceiro ano de concessão deveremos duplicar 84 quilômetros da rodovia. Mas, se o volume de tráfego atingir 6,5 mil veículos por dia deveremos construir a segunda pista em mais quilômetros”, explicou Corráles. Ao todo, o contrato prevê investimentos de R$ 2 bilhões ao longo de 25 anos de concessão.

Corráles acrescentou que as obras emergenciais, que deverão ser iniciadas logo após a assinatura do contrato deverão consumir perto de R$ 100 milhões. “A rodovia não está tão ruim. Temos que fazer algumas intervenções no asfalto para dar mais segurança e qualidade na estrada”, ressaltou o executivo.

Pelo edital de licitação, os contratos da segunda etapa do Programa Federal de Concessões Rodoviárias deverão ser assinados em junho deste ano. Segundo Corráles o cronograma não sofre atrasos, como na primeira parte de rodovias concedidas em 2007. “Isso nos dá condições de ir tocando os estudos e fazendo ações em busca de financiamentos para o projeto”, disse o executivo.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá financiar cerca de 50% do valor total do investimento. Corráles adiantou que a instituição bancária já está com projeto em análise. A expectativa é seja enquadrado ainda neste semestre.

“Os recursos para as obras iniciais estamos buscando junto a bancos comerciais, sob a modalidade de empréstimo-ponte. É uma operação factível já que o grupo está pouco endividado e investimentos em infraestrutura são bem vistos no momento de crise. São aportes de longo prazo”, disse o executivo. A Isolux tem como assessor financeiro o Standard Bank, da África do Sul.

Além das obras para dotar a estrada em boas condições de tráfego, Corráles disse que ao longo da rodovia, deverão ser instaladas oito balanças fixas, que ajudarão na manutenção do asfalto.

“Esse é um instrumento de conservação do piso além de reduzir muito o custo de manutenção e dar mais segurança para a estrada”, disse. Pelo projeto serão instaladas também sete praças de pedágio.

Novos projetos

“As BRs 116 e 324 na Bahia são as primeiras que conquistamos a concessão no Brasil, mas há projetos que muito nos interessam que entraremos com fôlego no leilão”, disse Corráles. Os projetos referidos por ele são a licitação do trecho da BR 116 em Minas Gerais e o trecho mineiro da BR 040.

“São estradas que têm um volume de tráfego interessante e que estão dentro de nossa área de atuação, principalmente a BR 116”, disse Corráles, ressaltando que estes trechos serão os mais concorridos na terceira etapa de concessões federais. A também espanhola, OHL Brasil, que ganhou cinco dos sete lotes licitados na primeira parte de concessões federais em 2007, também já manifestou interesse em participar do leilão dessas rodovias. O edital, segundo o cronograma do governo federal deverá ser publicado dentro de três meses.

Corráles também ressaltou que a empresa estuda o processo de licitação do governo mineiro que prevê a licitação de sete mil quilômetros de estradas divididas em 17 lotes.

“Ainda não foi definida a modelagem, mas se for sob forma de PPP (Parceria Público-Privada) com certeza vamos participar”, disse o executivo. Neste projeto também a Isolux terá como concorrente a OHL.

Fora dos projetos rodoviários, o executivo adiantou que a participação em investimentos em ferrovias também está sendo considerada pelo grupo.

“Ferrovia nos interessa muito. Estamos estudando o Expresso Aeroporto, além do trem-bala que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Temos muita experiência na construção desse tipo de ferrovia”, disse Corráles, acrescentando que a Isolux em consórcio com a Alstom, ganhou a licitação para a construção do trem-bala argentino, com 400 quilômetros, que ligará as cidades de Rosário e Córdoba.

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