Infraestrutura

Caminhoneiros sofrem com prejuízos e falta de estrutura nas estradas do Mato Grosso

Reportagem do Portal Transporta Brasil foi ver de perto esta realidade dos transportadores de soja no sudeste do Mato Grosso e constatou a falta de condições de segurança das estradas e os problemas de espera para descarregar a soja em um dos terminais particulares em Alto do Araguaia, região que escoa grande produção de grãos para o porto de Santos

20/3/2009

18h22

Redação

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O escoamento da safra de soja na região sudeste do Estado do Mato Grosso, um dos pólos nacionais do agronegócio, enfrenta alguns problemas que podem prejudicar este importante elo da logística brasileira. Nas regiões de Alto Araguaia e Alto Taquari, onde ficam localizados terminais ferroviários particulares importantes para o escoamento da produção de grãos e farelo, a temporada de safra vem com uma grande movimentação de composições bitrem, principalmente na rodovia BR-364, ligação entre as cidades de Rondonópolis e Alto Araguaia.

Perigo na via

No trecho de 200 km que liga estas duas cidades, o asfalto apresenta problemas de nível, buracos, afundamento de pista e falta de sinalização horizontal e vertical. Não há placas, nem faixas de divisão das pistas em muitos trechos, o que dificulta o tráfego e transforma a rodovia em um fator de perigo para os veículos. Em todo o trecho também não existe acostamento.

Segundo dados da Associação dos Transportadores de Cargas do Mato Grosso (ATC), trafegam cerca de cinco mil caminhões na BR-364, único acesso entre as regiões produtoras e o terminal de escoamento ferroviário.

Com os buracos, os caminhoneiros que costumam fazer a viagem entre o embarque da soja e o descarregamento no terminal, chegam a trocar 20 vezes de pneus toda semana e muitos acidentes acontecem, principalmente durante a noite.

Terminal de grãos

Para agravar este problema, é frequente a formação de filas de espera na rodovia na altura da entrada do terminal de grãos em Alto Araguaia. O terminal, que de acordo com a operadora tem capacidade para descarregar 300 caminhões por dia, chega a receber 1.000 veículos, causando uma fila que já chegou a 14 quilômetros na rodovia e enchendo o pátio anexo, onde os caminhoneiros aguardam sua vez para descarregar a soja.

Os atrasos, o custo de manutenção e os gastos em alimentação enquanto esperam sua vez de descarregar trazem prejuízos para os motoristas, sejam eles autônomos ou contratados de empresas. Um dos caminhoneiros que fazem o trecho contou à reportagem que, além dos prejuízos com a falta de condições da estrada e a demora na descarga, há também o problema da permanência no local, que não tem estrutura para receber tantos motoristas. “Convivemos com banheiros sujos, falta de locais para comer e falta de condições para dormir. Quando chove, a lama invade o pátio e, quando o tempo está seco, é tanta poeira que nem podemos abrir as cozinhas de nossos caminhões para preparar nossa comida”, relata o caminhoneiro Giovanni Moreira, que trabalha há 20 anos na estrada.

Filas e falta de condições para a espera

Giovanni conta também que durante a noite os motoristas têm que ficar atentos para puxar a fila e acabam não dormindo, pois têm que aguardar a chamada de sua senha nos alto-falantes do pátio. “Além de ficarmos aqui por horas, não conseguimos descansar, pois temos que puxar a fila e cuidar para que outro não passe em nossa frente”, diz o condutor.

Na terça-feira, dia 17 de março, havia cerca de 550 caminhões em espera para descarregar soja no terminal e os motoristas, revoltados com a situação precária, decidiram fazer uma paralisação. Eles contaram com a presença do presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (UNICAM), José Araújo “China” da Silva, e suspenderam a descarga para apresentar uma pauta de reivindicações à operadora do terminal e às empresas de transporte. Além de benfeitorias na estrutura do terminal, com melhores banheiros e melhor sistema de espera e chamada, os profissionais também pediam o pagamento da estadia, que, de acordo com a Lei 11.442, tem que ser feita após a espera de 5 horas.

A gerência do terminal recebeu os motoristas para uma negociação e firmou um compromisso de obras de melhoria no pátio em um prazo de 60 dias.

Por Leonardo Helou Doca de Andrade – Transporta Brasil

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