Frete em queda tira embarcações de linha

Essa queda do valor do frete marítimo provocou a revisão de planos e estratégias no setor

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A queda no fluxo do comércio internacional com a crise econômica que assola o mundo fez despencar os fretes marítimos que deixaram o patamar de 11.400 pontos no índice BDI (Baltic Dry Index) em maio de 2008 para 2.055 pontos em 11 de fevereiro. Essa queda do valor do frete marítimo provocou a revisão de planos e estratégias no setor.

O diretor da Hamburg Süd no Brasil, Julian Thomas, disse que a queda rápida nos últimos meses de 2008 inviabilizaram algumas operações. “A situação está realmente preocupante. Os volumes caíram de forma significativa. A capacidade instalada nos navios de todo o mundo estava dimensionada para os níveis de outubro. Há ociosidade no setor”, disse Thomas.

Segundo ele, muitos embarcadores estão parando a operação de alguns navios para ajustar a capacidade à demanda. Ele estima que 6% da frota mundial esteja parada. “Na Hamburg Süd ainda não tomamos essa medida, as rotas de longo curso ainda são viáveis, mas na cabotagem tivemos que tirar de operação dois navios de pequeno porte”, afirmou Thomas.

A Hamburg Süd, que para operar rotas dentro do País com a subsidiária Aliança Navegação e Logística, tem 10 navios na costa brasileira. Com a queda na demanda de cargas, tirou de linha 20% da frota. Essa queda na demanda e consequentemente no frete marítimo deverá ter uma pequena reação no próximo mês. “Os estoques do agronegócio estão acabando, assim haverá uma procura maior pelo transporte marítimo. Observamos, na empresa, que esse movimento está voltando de maneira tímida”, ressaltou Thomas. O executivo acredita que a partir do segundo semestre deste ano os fretes deverão atingir os níveis de 2008.

O diretor executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Elias Gedeon, disse que ainda não é possível fazer previsões para o setor. “A crise é sentida por todos, afetando a demanda pelo transporte marítimo de carga e ainda não é possível avaliar seus efeitos a longo prazo”.

Segundo ele, o Centronave, que congrega 30 empresas de navegação, está buscando junto a entidades ex port ador as soluções para a t e n u a r o s efeitos da crise no setor brasileiro. “Estamos procurando contatos com entidades como Fiesp, Abifina, Abifarma, Abecafé, Abecitrus, Abicalçados, Anfavea, Eletros, IBS entre outras, num diálogo que tende a se intensificar. O nosso intuito é potencializar o aperfeiçoamento de nossa infraestrutura, integrando os diferentes modais e proporcionando redução de custos para economia nacional”, afirmou.

Gedeon afirmou que mais de 90% do comércio exterior brasileiro é feito pelo transporte marítimo. “Mas este é um setor que não pode ser visto isoladamente. Fazemos parte de uma cadeia logística”.

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