Santos Brasil abre com perda a safra de balanços trimestrais

No acumulado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 47,1 milhões, ou 49,2% a menos do que os R$ 92,7 milhões do período anterior

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Abrindo a safra de balanços referentes ao quarto trimestre de 2008, a Santos Brasil Participações, controladora da empresa de logística Santos Brasil, informou ao mercado que teve prejuízo de R$ 11,5 milhões entre outubro e dezembro de 2008, contra ganho R$ 35,7 milhões verificado no mesmo período de 2007. No acumulado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 47,1 milhões, ou 49,2% a menos do que os R$ 92,7 milhões do período anterior. Já a Santos Brasil viu seu lucro líquido atingir R$ 31,5 milhões no último trimestre, com queda de 11,8% sobre os R$ 35,7 milhões do mesmo período de 2007.

Conforme documento encaminhado ao mercado, o comportamento da holding foi negativamente afetado por prejuízos registrados na Tecon Imbituba, Convicon e Mesquita. Além disso, foram registrados no quarto trimestre gastos não-recorrentes que totalizaram R$ 13,9 milhões, despesa essa advinda, entre outras coisas, de provisões para encargos envolvendo questões trabalhistas. Já a Santos Brasil justifica que o lucro caiu na comparação anual porque o resultado de 2007 foi positivamente afetado pela reversão de provisão do Imposto Sobre Serviços, que totalizava R$ 26,9 milhões.

Os impactos negativos das companhias deve seguir pelos próximos resultados. O consenso entre analistas é que o colapso financeiro internacional afetará a economia como um todo, mas que o destaque virá com os segmentos de bens de consumo duráveis – tanto no que diz respeito ao comércio quanto à produção -, especialmente os ligados ao setor automotivo e de construção civil.

“As atividades que são mais dependentes do crédito devem apresentar um declínio em seus ganhos no quarto trimestre”, ponderou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. O estreitamento do crédito arrefeceu as vendas de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, automóveis e imóveis. “Excluindo aquelas empresas que tiveram prejuízo com operações financeiras, deve haver um declínio nos ganhos de maneira geral, mas nada que comprometa todo o desempenho de 2008. O quarto trimestre não teve força suficiente para anular os demais resultados positivos”, considerou. Analista da corretora Gradual, Eduardo Cortez concorda com Agostini, e avalia que os fracos resultados do último trimestre do ano passado serão apenas uma mostra do que está por vir. “O primeiro trimestre de 2009 será, realmente, o retrato da crise, porque antes disso tem os efeitos de 2008. O único setor que adiantou esses reflexos negativos foi o de construção civil”, avaliou, citando que diversas companhias anunciaram a redução no número de lançamentos e de vendas contratadas já em 2008, por conta do desaquecimento da demanda. Segundo levantamento da corretora Coinvalores, as empresas do segmento por ela acompanhadas acumularam um lucro líquido total de R$ 339,4 milhões entre julho e setembro de 2008, o que mostra um avanço de quase 70% sobre os R$ 201,2 milhões verificados no mesmo período de 2007. Se esse incremento irá apenas desacelerar ou se tornar uma queda, os analistas preferem não afirmar. “Esse é um setor que de maneira geral sofrerá bastante”, continuou Garcez.

Bom desempenho

Por outro lado, as empresas do ramo de shoppings centers serão aquelas onde os reflexos da crise praticamente não existirão nos resultados do quarto trimestre. “As vendas foram muito forte, com crescimento de 20% sobre o mesmo período de 2007. Com certeza os dados vão surpreender os acionistas”, previu.

Dessa forma, a primeira metade de 2009 ainda é vista com incertezas. “Isso, principalmente em relação aos Estados Unidos, que acaba de iniciar um novo governo. Precisamos ver qual será o efeito disso na confiança do consumidor. Ainda vai ser um período de arrumação de casa para depois verificar os resultados”, completou o economista-chefe da Austin Rating.

Para o especialista, as expectativas positivas dos compradores norte-americanos e, principalmente, brasileiros, são essenciais para que o giro da economia. “Se não há confiança, a pessoa não consome, porque fica insegura sobre o futuro de seu emprego”, explicou, indicando que os bens duráveis são os mais prejudicados neste caso, por conta da contração de dívida. O aumento no número de demissões, como é visto no cenário brasileiro a partir de dezembro último, também é um fator determinante para a queda da demanda.

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