Bolsa recua 3,95% e devolve quase todo o ganho no ano

As bolsas mundiais recuaram com força e arrastaram a BM&F Bovespa. O Ibovespa, índice de referência que reúne os 66 papéis com maior liquidez no mercado local, recuou 3,95%, praticamente devolvendo o pequeno ganho que havia acumulado no ano

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Uma série de más notícias sobre bancos, cujo conteúdo levantou possibilidades de que o setor possa trazer dados ainda piores em breve, assustou os investidores globais ontem. As bolsas mundiais recuaram com força e arrastaram a BM&F Bovespa. O Ibovespa, índice de referência que reúne os 66 papéis com maior liquidez no mercado local, recuou 3,95%, praticamente devolvendo o pequeno ganho que havia acumulado no ano. A sessão teve giro financeiro de R$ 4,4 bilhões.

“O movimento de aversão ao risco começou a se agravar logo no início do dia”, afirma o economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira. “Pesaram o relatório do Morgan Stanley, que estima que o HSBC terá de levantar cerca de US$ 30 bilhões ao longo do ano, a venda de algumas operações do Citibank e os péssimos resultados financeiros divulgados pelo Deutsche Bank “, explicou.

Isso tudo, somado às declarações do presidente do banco central norte-americano, Ben Bernanke, de que o plano do presidente dos EUA, Barack Obama, terá de se concentrar nos bancos, ajudou piorar ainda mais o ambiente.

Refletindo o pessimismo internacional, as ações de Unibanco e Itaú, que no ano passado anunciaram a fusão, estiveram entre as mais castigadas do dia. Os papéis preferenciais (PN) do Itaú recuaram 7,5%, vendidos a R$ 24,36. Já as units do Unibanco caíram ainda mais e fecharam a sessão em queda de 7,7%, valendo R$ 13,58. “Com tantas pressões nos últimos dias, há fortes evidências de que o setor financeiro está muito fragilizado no mundo todo. Embora no Brasil, esteja bastante saudável, não deixa de sofrer também, pois investidores globais que têm papéis de bancos em diversas bolsas acabam zerando posições de papéis de bancos brasileiros e os preços caem”, diz o economista da Infra Asset, Fausto Gouveia.

Apesar da queda dos papéis na bolsa, a solidez dos bancos nacionais não deve ser alvo de nenhum tipo de dúvida. A avaliação é de Rafael Paschoarelli, professor do laboratório de finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração). “Não há fundamento econômico razoável que justifique uma pressão contínua dos valores das ações de bancos brasileiros, cuja situação é muito mais sólida e bem resolvida que a do exterior”, compara.

Pessimismo ampliado

Os problemas com instituições financeiras não foram o único motivo para que o mercado local operasse em baixa. Dados negativos do desempenho do varejo nos Estados Unidos também deram sua parcela de contribuição para piorar os ânimos ao redor do mundo. As vendas no varejo norte-americano caíram 2,7% em dezembro na comparação com o mês anterior. O indicador ficou bem acima do projetado pelo mercado, que acreditava em um recuo de 1,2% nas vendas. “Já há muitas notícias ruins embutidas, precificadas pelo mercado. Mas parece ainda existir espaço para muito pessimismo e volatilidade”, lamenta Guilherme Mazzilli Pereira, analista de renda variável da Daycoval Asset Management.

Para que o contrário aconteça e boas notícias deem o tom de uma possível retomada da bolsa local será preciso que aconteça um fato positivo de grande impacto. “Mesmo que o plano que Obama levará à frente seja muito bem sucedido, os seus efeitos só começaram a surgir na economia em, no mínimo, seis meses”, prevê Álvaro Bandeira, da Ágora.

Para o executivo, embora os mercados possam incorporar alguma euforia para a posse do novo presidente norte-americano, que acontece no próximo dia 20, o movimento não é sustentável.

Altas e baixas

A maiores quedas do dia foram registradas pela Cosan, cujas ações ordinárias recuaram 9,4%, a R$ 10,60, e da empresa de logística ALL, cujas units perderam 8,6% do valor, a R$ 8,26. Na outra ponta estiveram ações de Aracruz e Redecard. Os papéis da produtora de celulose tiveram a maior alta do índice – 2,6% – com a expectativa de que a companhia chegue a um acordo com os bancos. As ações da Redecard, que tem o Citi entre seus sócios, subiram 1,9%, para R$ 26,31.

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