Santos supera Rio Grande em interesse por dragagem

Prova do interesse desse tipo de contrato é o resultado da concorrência emergencial pela dragagem do Porto de Itajaí - parcialmente destruído pelas chuvas de Santa Catarina, e para onde serão liberados R$ 350 milhões em verbas

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Começa hoje mais um passo na corrida das empresas pelas obras de dragagem (aprofundamento do canal) nos portos brasileiros, com abertura da entrega de propostas para a licitação do Porto de Santos, que segundo a própria Secretaria Especial dos Portos (SEP), deve ter mais concorrentes do que a disputa pelo aprofundamento do Porto do Rio Grande (RS). No total, as concorrências abertas até agora pelo Governo, envolvem cerca de R$ 430 milhões, e não será surpresa, se braços de grandes construtoras como Odebrecht e Camargo Corrêa aparecerem como integrantes destes consórcios, que podem ser formados por parcerias de empresas nacionais e estrangeiras. O Plano Nacional de Dragagem (PND), contemplará 30 portos, em um total de R$ 1,4 bilhão em recursos a serem liberados.

Prova do interesse desse tipo de contrato é o resultado da concorrência emergencial pela dragagem do Porto de Itajaí – parcialmente destruído pelas chuvas de Santa Catarina, e para onde serão liberados R$ 350 milhões em verbas. Lá o consórcio vencedor foi constituído pelas corporações nacionais EIT Empresa Industrial Técnica, DTA Engenharia e Equipav Pavimentação e Comércio, incluindo a CHEC Dredging e CO, que são representantes da chinesa Shangai Dredging.

“O prazo máximo para a conclusão da dragagem é de 90 dias, entretanto, a empresa vencedora já se propôs a concluir as obras antes do prazo”, comentou o Ministro dos Portos, Pedro Brito, ao explicar que, nesse caso, usou como critérios para escolha dos vencedores, prazos apresentados para conclusão, tempo de mobilização dos e capacidade das dragas (equipamento para retirada de terra e entulho do fundo do mar). As obras devem começar ainda esta semana, segundo a SEP.

Foi a própria secretaria, responsável pelo fomento aos portos do País, que apontou que, nas atuais disputas, Santos deve te r um volume maior de interessados do que Rio Grande. As concorrências serão internacionais, e devem levar em conta, além dos aspectos técnicos, o menor valor do orçamento apresentado.

No caso do Rio Grande, o valor orçado da obra, está na casa dos R$ 196 milhões, e das 13 corporações que estiveram no local com interesse em participar do processo, cinco entregaram propostas à comissão de licitação.

Já nas docas santistas, onde começam a chegar os envelopes para análise a partir de hoje, 14 empresas estiveram em Santos. A SEP, que informou não poder revelar os nomes dos concorrentes por conta das regras da licitação, afirmou que, apesar de não ter um prazo fixado para revelar as vencedoras, poderá ter novidades em janeiro próximo. Para a dragagem no maior porto do País, o teto estipulado na licitação, está em R$ 203 milhões, pouco maior do que no Rio Grande.

Já o processo para o Porto do Recife, está mais adiantado, pois foi aberto em novembro. Lá, o valor da licitação foi mais modesto, de quase R$ 30 milhões, e de acordo com a SEP, o conteúdo dos envelopes com a documentação das empresas será revelado nos próximos dias e , a partir daí, sairá declarada a vencedora pelo menor valor, entre as habilitadas ao processo.

Entre as 30 docas que serão contempladas pelas verbas federais à dragagem, foram eleitos seis terminais prioritários: no sudeste, Santos (SP) e Itaguaí (RJ); no Sul, do Rio Grande (RS) e de Paranaguá (PR); e no Nordeste, Suape (PE) e Itaqui (MA).

Nacionais

Em matérias recentes, o DCI apontou que as empresas nacionais especializadas nos serviços de dragagem, enfrentavam dificuldades para concorrer no mercado nacional – quando a Dragaport fechou as portas vendeu as embarcações para a empresa norte-americana Great Lakes. As embarcações vendidas foram trabalhar nos Emirados Árabes, sobrando no mercado, com o know-how de fazer a dragagem mais profunda, a Bandeirantes Dragagem e a Enterpa Engenharia. Na época, profissionais do setor apontaram que a prestação de serviços era muito mais barata para as estrangeiras do que para as empresas brasileiras.

Para Ricardo Sudaiha, diretor da Bandeirantes, a entrada de empresas estrangeira é importante neste momento, mas o executivo espera ações em paralelo, por parte do Governo, que fomentem as empresas nacionais. “O plano nacional é melhor iniciativa do setor nos últimos anos, mas é preciso dar oportunidade às empresas nacionais”, contou.

Sudaiha disse que linhas de crédito, como por exemplo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), poderiam auxiliar as empresas daqui, na compra de mais dragas, o que, a longo prazo será necessário para a manutenção desses portos. (Fabíola Binas-DCI)

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