Ryder abandona Brasil, Argentina e Chile

Serão dispensados 2,4 mil funcionários nos três países - 1,3 mil deles, entre diretos e terceirzados, no Brasil

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Numa decisão que surpreendeu o mercado, a Ryder anunciou o fim de suas operações no Brasil, Argentina e Chile. Serão dispensados 2,4 mil funcionários nos três países – 1,3 mil deles, entre diretos e terceirzados, no Brasil. A previsão é que em seis meses a empresa de origem norte-americana encerre definitivamente a atuação no País, após transferir seus serviços e encerrar os últimos contratos. Os empregados começaram a ser comunicados ontem das dispensas pela empresa, que chegou ao Brasil em 1996 com a compra da Translor, empresa dedicada ao transporte e carros zero km. A Ryder foi uma das primeiras operadoras internacionais a entrar no setor brasileiro de carga rodoviária.

Abalada pela crise internacional, a Ryder informou que pretende se concentrar nos mercados em que tem mais condições de crescer e superar as dificuldades. A companhia anunciou ainda cortes de pessoal e outras medidas para se reestruturar nos Estados Unidos – onde tem sua principal atuação em logística – e redução de operações na Europa.

Antes da crise, a Ryder fazia cerca de 2.200 viagens redondas entre o Brasil e Argentina – o número e viagens caiu para 700 em novembro e 400 em dezembro. .

A Ryder não explicou por que não tentou medidas alternativas antes de abandonar suas operações na América do Sul. Para fontes de mercado, a companhia poderia ter tentado vender o negócio ou criar franquias.

A saída repentina da Ryder do mercado brasileiro abre uma série de oportunidades para os concorrentes (veja box). Entre os ativos que serão desfeitos estão 600 carretas. A sede, em São Paulo, é alugada.

Em comunicado enviado pela direção da companhia em Miami, a empresa informa que as operações e contratos na América do Sul respondem por uma receita bruta de cerca de US$ 200 milhões e um rendimento operacional de cerca de US$120 milhões – 3% da receita consolidada em 2007.

De acordo com a Ryder, cerca de 45% do seu rendimento operacional no Brasil, Argentina e Chile eram provenientes do setor automotivo. Brasil e Argentina.

A cliente da Ryder Genera Motors do Brasil informou ontem que foi comunicada da decisão da Ryder e que vai buscar alternativa durante o processo de transição. A assessoria de imprensa da Toyota informou que a montadora ainda não havia sido comunicada no Brasil da decisão do fim dos serviços da Ryder na América do Sul.

A Ryder informo que o fim das operações no Brasil, Argentina e Chile irá resultar em encargo de reestruturação de US$38 milhões a US$45 milhões no quarto trimestre de 2008 “incluindo custos de demissão, indenização, redução de ativos e taxas de rescisão contratual.”

A empresa espera que boa parte dos funcionários seja aproveitada com a transferência das funções a outras empresas. “Uma vez que os contratos afetados envolvem importantes serviços e funções que apóiam de forma atuante as operações dos clientes, espera-se que o processo de transição resulte em oportunidades para que os funcionários dispensados possam continuar atendendo o mesmo cliente por meio de eventual sucessora.”

Entre as iniciativas para melhorar a sua rentabilidade, a Ryder afirma que dará maior ênfase aos mercados dos EUA, Canadá, México e Reino Unido. Também anunciou a interrupção gradual dos atuais contratos de clientes da rede de suprimento na Europa. A Ryder pretende concentrar foco nas soluções de gerenciamento de frota e operações de transportes de contratos dedicados no Reino Unido.

Com a redução da força de trabalho e de custos nos EUA para alinhamento com os níveis de negócios, a empresa espera que o resultado do quarto trimestre, após a reestruturação de impostos fique entre US$ 53 e 60 milhões. A empresa prevê ainda a implementação de demissões temporárias relacionadas à produção automotiva, principalmente nos EUA. Devido à gravidade da recentemente anunciada desaceleração da produção automotiva na América do Norte, a empresa irá demitir temporariamente, principalmente nos EUA, cerca de 1.300 motoristas e funcionários de armazéns, além de 125 funcionários assalariados, em razão dos reduzidos níveis de serviço.

“As atuais condições econômicas representam um grande desafio para empresas de praticamente todos os setores”, afirmou, por meio de nota, Greg Swienton, chairman e CEO da Ryder. “A Ryder tem um balanço patrimonial saudável, bom índice de crédito, fluxo de caixa positivo e capital em crescimento. Nós ainda esperamos que tais medidas não só nos ajudem em um período complicado, mas também nos torne uma organização mais forte depois de superada essa desaceleração”, completou.

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