Montadoras têm R$ 12 bi parados nos pátios

Esta quantidade de veículos parados nos pátios das fábricas e concessionárias, que é a maior desde setembro de 2001 (200 mil unidades na ocasião, para 57 dias), corresponde a 56 dias de vendas e representa um custo de R$ 12 bilhões para as montadoras

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A indústria automobilística não conseguiu reverter o fraco desempenho de outubro e fechou novembro com 305.660 carros no estoque. Esta quantidade de veículos parados nos pátios das fábricas e concessionárias, que é a maior desde setembro de 2001 (200 mil unidades na ocasião, para 57 dias), corresponde a 56 dias de vendas e representa um custo de R$ 12 bilhões para as montadoras.

Diante do cenário de incertezas e insegurança por parte do consumidor, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, fez, pela primeira vez, uma revisão para baixo das estimativas de vendas de veículos para o mercado brasileiro. De 3,060 milhões de unidades previstas anteriormente, o volume caiu para 2,815 milhões unidades. Mesmo assim será 14,33% superior aos 2,462 milhões de veículos que foram emplacados em 2007.

Já a produção, antes estimada em 3,425 milhões, atingirá 3,240 milhões de unidades em 2008, volume 8,8% superior aos 2,977 milhões de veículos que foram fabricados em 2007.

Em novembro a produção de veículos caiu 34,4% sobre outubro, de 296.871 unidades para 194.879 unidades. Mas nos 11 meses do ano está 13% maior, com 3.113 milhões de unidades produzidas.

Vendas em quedaAinda em novembro os negócios foram fracos e as vendas totalizaram 177.823 unidades, uma retração de 25,7% em relação a outubro, quando foram vendidas 239.236 unidades. “Tivemos uma freada muito forte e a velocidade da queda foi surpreendente”, disse Jackson Schneider. “O crescimento de 18% nas vendas até agora (janeiro e novembro acumulou 2,220 milhões de veículos) foi fruto do que se fez até o mês de setembro”.

Segundo Schneider, a restrição ao crédito para o financiamento de carros novos e principalmente para os modelos usados, além da maior cautela do consumidor em adquirir um carro novo, foram os fatores que fizeram as vendas cair de forma surpreendente em outubro e novembro. “O crédito vem da confiança e, se não há confiança as pessoas compram menos a crédito”. Segundo a Anfavea, o financiamento chegou a representar 65% das vendas de carros no País, principalmente os modelos populares. Agora tem 46% de participação.

O que preocupa a indústria automotiva agora é a diminuição da velocidade da média diária de vendas, que passou de 10.402 unidades em outubro para 8.891 unidades em novembro. Nesse ritmo de vendas as montadoras não vão conseguir esgotar todo o estoque até o final deste mês.

Schneider destacou que existe um momento difícil no mundo, com os mercados automotivos globais reduzindo de tamanho. A Argentina teve uma redução de 26% em novembro, o México 18%, Espanha 49%, Itália 30%, Alemanha e Japão de 18%. “Se o mercado automotivo tiver em 2009 o mesmo tamanho de 2008 será muito bom”, prevê Schneider.

Segundo o presidente da Anfavea, não é possível a indústria automotiva crescer no mesmo ritmo que vinha crescendo, em torno de 20% a 25% ao ano. “A cadeia automotiva não estava acompanhando e quando conseguia acompanhar a velocidade das montadoras pagava um custo muito alto”.

Apesar das incertezas, Schneider ainda aposta que dezembro seja um bom mês de vendas. É que, além do 13º salário, muitos trabalhadores ainda recebem a participação sobre os lucros das empresas.

“Nosso olhar ainda é de expectativa positiva. Mas ainda há preocupações em relação ao desempenho do mercado no primeiro trimestre de 2009. As montadoras vão fazer o máximo para não ter que demitir”, disse Schneider.

Perspectivas para 2009 – Para Schneider, as perspectivas positivas para 2009 levam em conta vários fatores. O primeiro deles é que o custo do carro importado vai aumentar por causa do aumento da cotação do dólar – de R$ 1,70 para R$ 2,40. E a previsão de importar 400 mil unidades no próximo ano poderá ser revista para baixo e isso ajudará a manter o nível de produção de veículos no País. Outro ponto favorável é a perspectiva de ganhar competitividade nas exportações com a alta do dólar.

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