GNV deixa de ser vantajoso para os taxistas

O taxista Edvandro Carvalho, proprietário de um Siena TetraFuel, afirmou que, a este preço (R$ 1,89), o GNV não compensa

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O taxista Edvandro Carvalho, proprietário de um Siena TetraFuel, afirmou que, a este preço (R$ 1,89), o GNV não compensa. “É preferível continuarmos com o álcool. Não é justo para com a nossa classe ter um GNV com este custo, não foi isso o prometido pelo Estado”. Em uma conta rápida: o taxista argumenta que com R$ 20 ele abastece pouco mais de 16 litros de álcool hidratado, o suficiente para rodar cerca de 110 a 120 quilômetros.

Taxista há cerca de 16 anos em Cuiabá, Eduardo Gomes foi abastecer seu Fiat Uno, mas o posto não estava operando ontem, por conta de falhas técnicas. Ele observa que a diferença de R$ 0,30 entre o preço antigo e o atual faz ‘peso’ sobre o orçamento no final do mês. “Eu decidi: não usarei mais GNV. O governo prometeu e não cumpriu. Quem tem carro a álcool está tranqüilo. Eu ia adquirir mais um carro a gás, mas mudei de idéia e fica aí o investimento de R$ 4,8 mil no kit GNV que adquiri”, reclama. O taxista faz uma observação que poderá aumentar as perdas dos proprietários de carros a gás. “Já que os postos estão com problemas pelo intervalo de tempo que ficaram sem operar, será que nós não vamos ter de desembolsar cifras extras para nosso kit gás? Quem garante que não teremos necessidade de revisão e manutenção depois de mais de dois meses de espera?”.

Outro taxista, José Newton Costa, foi mais radical: retirou o kit gás do seu Santana. “Era peso à toa. O álcool até R$ 1,40 ainda é mais competitivo em relação a qualquer outro combustível”.

O presidente do Sindicato dos Taxistas, Antônio Bodenar, disse que a categoria estava analisando o impacto da alta. “Fomos pegos de surpresa”. Hoje, eles estarão reunidos para decidir o que farão e a quem vão pedir a intervenção. “Podemos recorrer ao Ministério Público e até mesmo à Companhia Mato-grossense de Gás, a estatal responsável pelo comércio e distribuição do gás no Estado”. Mas de antemão, Bodernar disse que vai questionar o valor repassado à bomba. “Tive informações de que o metro cúbico do gás, ao preço que foi acordado entre o Estado e a Bolívia {US$ 9,60 por milhão de BTU}, custaria cerca de R$ 0,16 a R$ 0,17. Como pode o preço chegar então a quase R$ 1,90 na bomba?”.

Bodernar frisa ainda que de fato o kit GNV se tornou um ‘peso’ de verdade ao taxista, já que só de equipamento são 80 quilos que se carrega todos os dias. “Eu, que faço ponto no Atacadão, carrego o peso do kit e das compras dos clientes. Minha despesa com amortecedor é tremenda. Então, de nada compensa o peso para ter no final economia de 15% a 20%”.

Em Cuiabá e Várzea Grande são 782 taxistas, dos quais 482 instalaram o kit gás.

Ainda sobre a alta, o gerente do posto Santa Elisa, Ronaldo Aparecido Silva, disse que o valor do gás já vem da distribuidora e que o estabelecimento não tem como intervir no valor de bomba, como é feito com a gasolina, álcool e o óleo diesel.

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