GM pára Gravataí pela 3ª- vez

A montadora já agendou um novo período de paralisação entre os dias 19 de janeiro e 6 de fevereiro para os 5,2 mil metalúrgicos, que ainda estão parados e só voltam ao trabalho dia 5 de janeiro

Odebrecht leva contrato para construir “Linha Laranja” em Miami
Federação paulista prevê queda de 40% nas exportações de industrializados
Aumento da exportação para Norte da África depende de melhoria de transporte

Uma das fábricas tida como modelo da General Motors no Brasil, a unidade de Gravataí (RS) vai ter um terceiro período de férias coletivas em menos de três meses. A montadora já agendou um novo período de paralisação entre os dias 19 de janeiro e 6 de fevereiro para os 5,2 mil metalúrgicos, que ainda estão parados e só voltam ao trabalho dia 5 de janeiro. Em novembro, a unidade gaúcha só trabalhou 1 dia; em dezembro foram 5 dias e, em janeiro, vão trabalhar menos de dez dias úteis para ajustar a produção à demanda em queda .

“A questão é saber o que virá depois (do período de férias coletivas)”, afirma Edson Dornelles, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, filiado à Força Sindical. “Todos estamos muito apreensivos e preocupados com o futuro, já que o mercado não está respondendo como deveria aos incentivos fiscais e às promoções”, disse.

Dornelles afirmou que, até setembro, a discussão era a implantação do terceiro turno em Gravataí. “Agora estamos tentando preservar os empregos”, disse. “Com todas essas paralisações, já esgotamos o nosso banco de horas. O nosso maior receio é com um janeiro e fevereiro ainda mais fracos em vendas.”

De acordo com o sindicalista, os trabalhadores já começaram a ser comunicados do terceiro período de férias coletivas. Com cerca de 90% da mão-de-obra local, a General Motors já é uma das principais molas da economia de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre.

A unidade de Gravataí fabrica o Celta e o Prisma, com motor 1.0 e 1.4 flex fuel. A produção em 2007 atingiu cerca de 200 mil unidades – 126 mil Celtas. Neste ano, a produção já beira os 190 mil veículos – 47 mil Prismas.

Em 2006, a General Motors investiu US$ 240 milhões para dobrar a capacidade da fábrica, que atualmente pode produzir anualmente 230 mil carros.

Dos 5,2 mil empregados, 2,8 mil são contratados pela montadora. O restante responde a sistemistas, que fornecem conjuntos e subconjuntos para a montagem dos carros. A maioria dos empregados mora em Gravataí, 30 quilômetros distante da capital gaúcha.

Antes da crise, havia fila de espera de até três meses para se comprar o Prisma, um sedã de dimensões pequenas. Um dos objetivos da fábrica de motores que a GM constrói em Santa Catarina é incrementar o fornecimento para Gravataí, que agora sofre processo inverso. A direção da GM diz que não vai interromper os investimentos da fábrica de motores

Feirões – De acordo com Dornelles, o último feirão da GM dentro da fábrica em Gravataí, já com redução de IPI, vendeu cerca de 771 carros, enquanto a produção diária é de 880 veículos.

O gerente de marketing para a Grande São Paulo, Rodrigo Romi, afirmou que no último feirão na fábrica da GM, em São Caetano (SP), as vendas subiram 30%. Segundo eles, a linha 1,0, que inclui Celta, Prisma e Classic, já respondem por 52% das unidades vendidas.

Pela primeira vez em sua história no Brasil, a GM realizou seis feirões consecutivos em sua fábrica de São Caetano. O último evento começou na sexta-feira, em vez de sábado.

COMMENTS