Economia & Tributos

BNDES vai financiar até 100% do valor do caminhão

Só em novembro o banco liberou R$ 1,1 bilhão para financiar a compra de caminhões, 38% acima do mesmo mês de 2007

19/12/2008

17h00

Valor Econômico

Clipping

A freada nas vendas de caminhões em novembro, quando o número de veículos emplacados caiu 22,2% em relação a outubro, não se refletiu nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor. Só em novembro o banco liberou R$ 1,1 bilhão para financiar a compra de caminhões, 38% acima do mesmo mês de 2007. No fechamento de 2008, a instituição de fomento deverá desembolsar R$ 12 bilhões em empréstimos para aquisições de caminhões, montante quase 50% acima do ano passado.

Para 2009, o banco mantém uma previsão otimista considerando, inclusive, a possibilidade de ampliar a parcela de financiamento para aquisição de caminhões e ônibus por grandes empresas (faturamento anual acima de R$ 60 milhões). Hoje o banco financia até 80% das aquisições de caminhões dessas empresas com encargo de TJLP mais spread, um custo total de 7,65% ao ano.

Pela proposta a ser apresentada à diretoria do BNDES, 80% continuarão a ser financiados com custo de TJLP e os 20% restantes a custo de mercado, algo equivalente, hoje, a quase 16% ao ano, disse Claudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES. Moraes avaliou que o banco está ganhando participação de mercado nos financiamentos para compra de caminhões. Esse aumento explicaria, em parte, o fato de os desembolsos do banco crescerem enquanto recuam as vendas de veículos de carga.

De janeiro a novembro, o BNDES desembolsou R$ 10,8 bilhões para financiar a compra de caminhões, valor 47% superior aos R$ 7,4 bilhões do mesmo período de 2007. Nos 11 primeiros meses de 2008, as vendas de caminhões, medida pelos emplacamentos, totalizaram 113,7 mil unidades, com crescimento de 27% sobre igual período de 2007, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em todo o ano passado, foram licenciados 98,4 mil caminhões. Isso significa que, apesar da desaceleração nas vendas em novembro, 2008 ainda será um ano de recorde nas vendas para a indústria.

Moraes ponderou que a desaceleração na venda de caminhões em novembro teve a influencia da crise, que afetou as perspectivas de setores que utilizam veículos pesados de carga, como cana-de-açúcar e mineração. Ele considera, no entanto, que a desaceleração nesses setores poderá ser compensada pela demanda por caminhões na área de infra-estrutura, incluindo as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das usinas do Rio Madeira. Moraes disse ainda que o governo sinaliza com medidas positivas como a redução do IPI para caminhões.

Reinaldo Serafim, gerente da linha de caminhões semi-pesados e pesados da Volvo do Brasil, afirmou que a redução a zero da alíquota de IPI deverá impulsionar as vendas para caminhoneiros autônomos. O executivo considerou que a maior participação do BNDES nos financiamentos para grandes empresas também irá ajudar nas vendas pois a medida tem impacto no fluxo de caixa das companhias. Serafim foi conservador, no entanto, sobre as perspectivas para 2009: "Enxergamos o mercado com cautela."

Alcides Cavalcanti, diretor comercial da Iveco, também elogiou o corte de impostos. "Com o corte do IPI, a Iveco ajustou sua tabela de preços, com redução entre 4% e 5%", disse o executivo. Segundo ele, a empresa ligada ao grupo Fiat adotou, por meio do banco Iveco Capital, taxas subsidiadas de 0,73% e 1,22% ao ano nos financiamentos.

Paulo Fleury, presidente do Ilos, instituto especializado em logística, tem uma avaliação diferente. Considera que a redução do IPI pouco ajudará a recuperar o mercado pois haverá excesso de oferta (de caminhões) em relação à demanda, o que deve derrubar os preços dos fretes rodoviários.

Fleury considera que o BNDES pode estar correspondendo a uma demanda que se consolidou há alguns meses, por isso o banco não tenha sentido ainda a queda nas vendas de caminhões em novembro. Fleury afirma que existe um espaço de tempo entre a decisão de aumentar a frota e a compra do caminhão propriamente dita. Cerca de 60% das cargas no Brasil são transportadas via rodoviária.
Valor Econômico - 19/12/2008
A freada nas vendas de caminhões em novembro, quando o número de veículos emplacados caiu 22,2% em relação a outubro, não se refletiu nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor. Só em novembro o banco liberou R$ 1,1 bilhão para financiar a compra de caminhões, 38% acima do mesmo mês de 2007. No fechamento de 2008, a instituição de fomento deverá desembolsar R$ 12 bilhões em empréstimos para aquisições de caminhões, montante quase 50% acima do ano passado.

Para 2009, o banco mantém uma previsão otimista considerando, inclusive, a possibilidade de ampliar a parcela de financiamento para aquisição de caminhões e ônibus por grandes empresas (faturamento anual acima de R$ 60 milhões). Hoje o banco financia até 80% das aquisições de caminhões dessas empresas com encargo de TJLP mais spread, um custo total de 7,65% ao ano.

Pela proposta a ser apresentada à diretoria do BNDES, 80% continuarão a ser financiados com custo de TJLP e os 20% restantes a custo de mercado, algo equivalente, hoje, a quase 16% ao ano, disse Claudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES. Moraes avaliou que o banco está ganhando participação de mercado nos financiamentos para compra de caminhões. Esse aumento explicaria, em parte, o fato de os desembolsos do banco crescerem enquanto recuam as vendas de veículos de carga.

De janeiro a novembro, o BNDES desembolsou R$ 10,8 bilhões para financiar a compra de caminhões, valor 47% superior aos R$ 7,4 bilhões do mesmo período de 2007. Nos 11 primeiros meses de 2008, as vendas de caminhões, medida pelos emplacamentos, totalizaram 113,7 mil unidades, com crescimento de 27% sobre igual período de 2007, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em todo o ano passado, foram licenciados 98,4 mil caminhões. Isso significa que, apesar da desaceleração nas vendas em novembro, 2008 ainda será um ano de recorde nas vendas para a indústria.

Moraes ponderou que a desaceleração na venda de caminhões em novembro teve a influencia da crise, que afetou as perspectivas de setores que utilizam veículos pesados de carga, como cana-de-açúcar e mineração. Ele considera, no entanto, que a desaceleração nesses setores poderá ser compensada pela demanda por caminhões na área de infra-estrutura, incluindo as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das usinas do Rio Madeira. Moraes disse ainda que o governo sinaliza com medidas positivas como a redução do IPI para caminhões.

Reinaldo Serafim, gerente da linha de caminhões semi-pesados e pesados da Volvo do Brasil, afirmou que a redução a zero da alíquota de IPI deverá impulsionar as vendas para caminhoneiros autônomos. O executivo considerou que a maior participação do BNDES nos financiamentos para grandes empresas também irá ajudar nas vendas pois a medida tem impacto no fluxo de caixa das companhias. Serafim foi conservador, no entanto, sobre as perspectivas para 2009: "Enxergamos o mercado com cautela."

Alcides Cavalcanti, diretor comercial da Iveco, também elogiou o corte de impostos. "Com o corte do IPI, a Iveco ajustou sua tabela de preços, com redução entre 4% e 5%", disse o executivo. Segundo ele, a empresa ligada ao grupo Fiat adotou, por meio do banco Iveco Capital, taxas subsidiadas de 0,73% e 1,22% ao ano nos financiamentos.

Paulo Fleury, presidente do Ilos, instituto especializado em logística, tem uma avaliação diferente. Considera que a redução do IPI pouco ajudará a recuperar o mercado pois haverá excesso de oferta (de caminhões) em relação à demanda, o que deve derrubar os preços dos fretes rodoviários.

Fleury considera que o BNDES pode estar correspondendo a uma demanda que se consolidou há alguns meses, por isso o banco não tenha sentido ainda a queda nas vendas de caminhões em novembro. Fleury afirma que existe um espaço de tempo entre a decisão de aumentar a frota e a compra do caminhão propriamente dita. Cerca de 60% das cargas no Brasil são transportadas via rodoviária.

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