Encomendas para janeiro já recuam 40% nas autopeças

"Com a queda nas vendas em outubro, o esforço das montadoras agora é esgotar o estoque de 290 mil carros e fechar o ano com o menor volume possível", disse Carlo Vendramini De Simoni, diretor de vendas automotivas da SKF, fabricante de rolamentos

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Com uma redução média de 30% a 40% nos pedidos para o mês de dezembro, a indústria de autopeças aguarda janeiro para ter uma avaliação mais consistente sobre a reação do mercado automotivo ao longo de 2009. “Com a queda nas vendas em outubro, o esforço das montadoras agora é esgotar o estoque de 290 mil carros e fechar o ano com o menor volume possível”, disse Carlo Vendramini De Simoni, diretor de vendas automotivas da SKF, fabricante de rolamentos.

A expectativa do diretor da SKF é que a indústria automobilística feche 2008 com a venda de 2,9 milhões de veículos, volume 20% superior aos 2,462 milhões de unidades que foram emplacadas no ano anterior. “Já a produção deverá atingir um pouco mais de 3,3 milhões de unidades, 10,8% superior aos 2,977 milhões de veículos fabricados em 2007. “Mesmo assim será um bom volume de produção”, avalia De Somoni.

Apesar do momento preocupante com a forte redução nas encomendas de componentes para o final do ano, fornecedores ainda mantém otimismo para 2009.

“O grande parâmetro sobre como ficará o mercado automotivo no próximo ano será a programação que as montadoras farão até o dia 20 de dezembro para os meses de janeiro e fevereiro”, disse Celso Liberal, diretor-comercial da Eletromecânica Dyna, fabricante brasileira de limpadores de pára-brisa que tem grande participação na indústria automobilística.

Mesmo com o corte médio de 30% a 40% nos pedidos para dezembro a Elring Klinger, que faz juntas para motores, não alterou os planos para o próximo ano. “Já estou trabalhando com material importado para atender a produção da indústria automobilística até abril. Se o mercado não reagir vou ter muitos problemas”, disse Luiz Alberto Timm Mirara, gerente comercial da empresa.

Tanto a Elring Klinger, quanto a SKF e a Dyna estão ajustando a produção de suas fábricas para adequar ao ritmo menor das montadoras.

“A empresa está trabalhando hoje de forma controlada, consegui deslocar os volumes que eram destinados ao mercado interno para a exportação e estamos mantendo o mesma equipe de funcionários, pois se o mercado reagir estamos preparados para retomar a produção rapidamente”, disse o diretor da Dyna.

A SKF dobrou a capacidade de produção nos últimos 5 anos. Em 2007investiu R$ 10 milhões na implantação de um novo canal de produção. A divisão automotiva, que responde por 50% dos negócios da empresa no Brasil.

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