Pague Menos ganha musculatura para abrir capital

Com o crescimento médio de 20% em faturamento que vem mantendo nos últimos anos e a abertura de 20 lojas por ano, quer chegar a 2012 com uma participação de mercado de 10% (o dobro da atual)

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Com o faturamento de R$ 1,29 bilhão registrado em 2007 a cearense Pague Menos assumiu a liderança do ranking da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O proprietário, Deusmar de Queirós, comemora o resultado, mas quer mais do que isso. Com o crescimento médio de 20% em faturamento que vem mantendo nos últimos anos e a abertura de 20 lojas por ano, quer chegar a 2012 com uma participação de mercado de 10% (o dobro da atual), uma empresa de 380 unidades espalhadas em 130 cidades e preparada para a abertura de capital.

A S.A. de capital fechado e 27 anos de operação tem a maior presença geográfica do setor: 24 estados e Distrito Federal. Em 15 dias vai abrir uma unidade no Acre e só não está presente em Roraima e no Amapá por uma questão de logística, segundo Queirós. “Não há muita disponibilidade de vôos para esses Estados, o que impossibilita o abastecimento de lojas”, afirma.

A empresa acaba de investir R$ 30 milhões em um novo centro de distribuição em Fortaleza. Com inauguração oficial programada para dezembro, o CD já está, no entanto, em operação desde o último dia 22.

O novo CD pode armazenar até 40 milhões de unidades e tem capacidade para 15 dias de estocagem de mercadorias.

A empresa chegou a estudar a possibilidade de abrir o CD na Grande São Paulo, mas chegou à conclusão que os custos seriam 30% superiores. “Hoje, seriam ainda maiores com as restrições de trânsito para caminhões na capital paulista”, diz.

Com 30 mil m de área construída, quase quatro vezes maior que o do CD anterior, o centro de distribuição foi erguido em uma área de 110 mil m.

É de lá que partem todos os produtos vendidos pela rede, com exceção de alimentos perecíveis, cuja distribuição é feita pela própria indústria direto para as farmácias. De Belém do Pará à Bahia, a distribuição é feita por uma frota de 100 caminhões, apenas 10 próprios. Para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e outras cidades do Norte, a logística de distribuição é feita via aérea.

Hoje, das 297 lojas, 229 lojas estão localizadas no Nordeste. O foco do plano de expansão da varejista farmacêutica agora é o interior de São Paulo e Minas Gerais. A expectativa é que até 2012, o Sudeste, que hoje representa 25% do faturamento da empresa, responda por 40% de suas vendas.

Foco em vendas

Filho de comerciante, economista por formação e com experiência no mercado financeiro (é dono da Pax Corretora), Queirós é favorável à venda de produtos não farmacêuticos em drogarias, assim como fazem as redes nos Estados Unidos. “Por que não posso vender uma sandália, uma toalha?”, questiona. Hoje, refrigerante, gelo, sorvete são encontrados em algumas de suas unidades. “Em alguns lugares, vendemos por meio de liminares”, diz.

Na média, 75% das vendas da rede são de medicamentos e os outros 25% de não medicamentos (o que inclui produtos de higiene e beleza). Mas em alguns lugares, onde não há pressão forte de supermercados, a venda de não-medicamentos chega a 40% do total, segundo o empresário. “Já tivemos pressão grande para vender cerveja, mas isso jamais faremos. É paradoxal já que somos uma unidade de saúde”, afirma o diretor financeiro da rede, Geraldo Gadelha.

Os preparativos para a abertura de capital já foram iniciados. A partir do próximo ano a empresa começa a ser auditada. O contrato ainda não está fechado, mas as negociações estão avançadas com a KPMG. Além disso, a Ernest Young adequará a empresa aos processos de governança corporativa.
A Pague Menos é a única empresa nordestina a aparecer na lista das 21 maiores redes do Brasil. Da segunda à quinta colocação, três empresas são do Estado de São Paulo (São Paulo, Drogasil e Droga Raia) e uma do Rio de Janeiro (Pacheco).

Droga Raia

Esta semana, a rede Droga Raia, anunciou a sociedade com a Pragma Patrimônio e o GIF II, fundo gerido pela Gávea Investimentos. Cada um comprou 15% de participação na empresa. Com aporte de recursos, o objetivo é impulsionar os planos de crescimento da empresa para os próximos anos.

No final de 2007, a Droga Raia já havia protocolado a abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas decidiu interromper o processo, com as indefinições do cenário econômico mundial
No ano passado, a Droga Raia inaugurou 48 lojas, um incremento de 32% sobre o total de 150 lojas com que a rede iniciou 2007. Em 2008, a empresa inaugurou 45 lojas e pretende abrir mais 16 até o final do ano. A empresa projeta faturar R$ 1,1 bilhão este ano, um crescimento superior a 35% em relação a 2007. (Valéria Serpa Leite – Gazeta Mercantil)

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