Ações de concessionárias refletem expectativas

Apesar de o mercado ter cogitado o adiamento da data, o que foi refutado pelo governo estadual, analistas de investimento acreditam que a distribuição dos trechos num período em que o crédito encolheu e ficou mais caro resultará em menos propostas por parte das concessionárias e também menor deságio

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O leilão de cinco estradas do estado de São Paulo, agendado para o próximo dia 29, gera expectativa entre os investidores de empresas de concessão rodoviária. Apesar de o mercado ter cogitado o adiamento da data, o que foi refutado pelo governo estadual, analistas de investimento acreditam que a distribuição dos trechos num período em que o crédito encolheu e ficou mais caro resultará em menos propostas por parte das concessionárias e também menor deságio.

“Este leilão afasta a competição acirradíssima que culminou em tarifas muito baixa nos leilões federais. Com restrição de crédito, haverá competição menor sobre tarifa, e as empresas aventureiras, que vimos no leilão federal, vão sumir do mercado”, considera Kelly Trentin, analista da SLW Corretora. Destacam-se entre as companhias de capital aberto, CCR, OHL e Triunfo.

Para as rodovias Carvalho Pinto, Dom Pedro I, Raposo Tavares e Marechal Rondon (trechos Leste e Oeste) o modelo de leilão é um misto do tradicional com o último usado na concessão federal em outubro. Desta vez, as companhias terão que pagar a outorga e fazer proposta sobre um preço mínimo de pedágio.

Os cinco trechos somam R$ 3,5 bilhões só em outorgas, sendo R$ 700 milhões imediatos, além do investimento pelos 30 anos de contrato. “O leilão exige pagamento de outorga com 20% na assinatura do contrato. Um prazo menor do que o obtido no Rodoanel”, compara.

Consideradas as mais agressivas, CCR e OHL são respectivamente a maior companhia do setor em receita e a maior em quilômetros administrados. Por isso, aliadas à liquidez, são as duas que estão na mira de analistas e investidores. Para este leilão, as apostas estão concentradas na CCR, empresa que tem entre os principais acionistas Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

“A CCR é hoje a favorita para levar os trechos que tem interesse, já que a OHL está com grande alavancagem pelo número de trechos assumidos no leilão federal”, considera Maria Tereza Azevedo, analista da Link Investimento. Na disputa por trechos federais, a companhia de controle espanhol ficou com cinco das sete rodovias leiloadas.

Em termos absolutos, o endividamento da OHL Brasil é de R$ 684,89 milhões, ante R$ 2,27 bilhões da CCR. Para o analista da Coinvalores, Marco Saravalle, o perfil da dívida, e não só o montante, define a capacidade da companhia.

“A OHL fez investimentos pesados no começo da operação de suas novas concessões que ainda não entraram no balanço. Além disso, o perfil de dívida da CCR é mais confortável, enquanto cerca de 50% da dívida da OHL tem vencimento no curto prazo (um ano)”, compara. No segundo trimestre, a CCR somou R$ 307 milhões em Ebtida, contra R$ 107 milhões da OHL.

Essas diferenças estão apreçadas nas ações das companhias. Enquanto OHL é negociada a R$ 13,70, a CCR vale R$ 21,78, considerando a cotação de sexta-feira. Para Saravalle, o grande interesse das duas empresas é a rodovia Dom Pedro, já que a região fornece sinergia para ambas . “A CCR deve ficar de olho também na Carvalho Pinto, por ser paralela à Nova Dutra, que é operada por ela, e os trechos de Rondon deve ter menos interessados por conta da taxa de retorno”, avalia.

Papéis defensivos

A expectativa para o setor é que as companhias, em geral, fiquem alavancadas com novos projetos e financiamentos mais caros, “mas há uma disposição do governo em disponibilizar linhas do BNDES com esse propósito”, destaca Azevedo.

Exatamente por conta do cenário, as companhias devem apresentar propostas menos díspares de preços mínimo de pedágio, já que o valor da outorga é expressivo, a taxa de retorno pode ser reduzida conforme custo do capital e há uma revisão de premissas de tráfego, estas relacionadas ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Ainda assim, OHL e CCR são recomendadas por boa parte das corretoras que cobrem o setor, já que mantêm uma margem Ebtida entre 60% e 65%. “As empresas vão sofrer no tráfego com a desaceleração global e do PIB brasileiro, mas ainda assim a elasticidade de tráfego tem sido duas vezes maior que o crescimento do País”, diz Azevedo. (Maria Luíza Filgueiras – Gazeta Mercantil)

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