Licitações para concessão deverão viabilizar interocêanico até 2011

A viabilização do projeto provavelmente seria por meio de licitações, em que o governo brasileiro poderá fazer concessões para a iniciativa privada

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Trabalhar de forma bilateral em busca da consolidar um corredor interocêanico, baseado em uma ligação rodoviária para integrar Brasil, Bolívia e Chile e contemplar não só o comércio exterior entre os países, mas também o desenvolvimento turístico na região, é a nova meta dos governos atentos ao perímetro compreendido pelo projeto, que parte do centro-oeste brasileiro, em um percurso que ligará tanto cargas como passageiros, entre os oceanos Atlântico e Pacífico, e motivo de diversas agendas de conversação entre os países envolvidos, que calculam o período de consolidação dessa ação de 2009 a 2011.

A viabilização do projeto provavelmente seria por meio de licitações, em que o governo brasileiro poderá fazer concessões para a iniciativa privada, como acontece com as concessões rodoviárias no País. Vale lembrar que já existem negócios bilaterais na área de infra-estrutura e transporte, como, por exemplo, a recuperação de dois trechos bolivianos feitos por empreiteiras brasileiras, com linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nessa nova etapa, porém, não se trata só de infra-estrutura.

“Temos de trabalhar no sentido de ter aduanas integradas que facilitem o trânsito comercial entre os países, permitindo o desenvolvimento do centro-oeste brasileiro, o norte do Chile e a Bolívia”, comentou Álvaro Diaz, embaixador do Chile, durante um encontro com empresários e especialistas no mercado de infra-estrutura, turismo e logística, realizado no decorrer da semana passada, em São Paulo, e denominado Semana do Chile.

Êxito

As parcerias público-privadas (PPPs) estão bem cotadas para a contribuição nesse processo. Durante o encontro, Roberto Salinas, do Departamento de Concessões Chilenas, demonstrou que o país lida com modelos avançados e, para se ter idéia, de 2008 a 2010, o país calcula investimentos de US$ 5,9 bilhões no desenvolvimento de infra-estrutura, na maioria por concessões. Nos últimos 15 anos foram aplicados US$ 11 bilhões no setor, em concessões de rodovias, edifícios públicos, terminais aeroportuários e complexos hospitalares, entre várias outras áreas. “E ainda estão na agenda, para o futuro, aplicar a estratégia no segmento educacional, habitacional e de equipamentos urbanos”, colocou Salinas, em entrevista ao DCI, durante o encontro, em São Paulo.

Para Álvaro Diaz, embaixador do Chile, os empresários precisam de uma boa infra-estrutura não só para a passagem de suas mercadorias, mas também para que possam apostar no desenvolvimento econômico do entorno do eixo interocêanico. Na opinião de Maurício Dorpher, que responde atualmente como embaixador da Bolívia, o projeto sairá dentro do prazo estipulado, uma vez que os países continuam o trabalho de forma bilateral, em termos de cooperação mútua.

A BR-262, que passa pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, será o principal elo de ligação com os países envolvidos, ao passo que dessa mesma parte do corredor os brasileiros terão acesso ao Chile.

O governo brasileiro está lançando editais para as obras de revitalização na rodovia, enquanto cada país afirma que irá se esforçar para contribuir com a empreitada. A idéia é melhorar os trechos de 2.525 quilômetros de Santos à fronteira com a Bolívia, em Porto Suarez e San Matias. Nesse projeto, do lado do Brasil está a retomada da construção de um anel viário, em Corumbá, entre outros trechos que devem ser melhorados para dar viabilidade à tão sonhada integração dos três países.

A empreitada também estabelecerá um ligação entre o Porto de Santos (SP) e os Portos de Arica e de Iquique, no Chile, passando pelo Mato Grosso, o que, segundo especialistas do setor, trará grandes benefícios econômicos ao estado. A BR-262 cortará Campo Grande, Aquidauana e Corumbá para adentrar a Bolívia, passando por Puerto Soares e Santa Cruz de La Sierra, onde a ligação adentrará o Chile, e, por fim, ligará os portos.

Recentemente, o Secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, mencionou a capacidade brasileira de exportar 135 milhões de toneladas de grãos em 2010, por conta do projeto, e ele inclui o potencial turístico das regiões envolvidas, citando as rodovias, ferrovias e hidrovias.

A ligação do Brasil a outros países também envolve o termo de construção da Rodovia Rurrenabaque-Riberalta, que terá financiamento do governo brasileiro. Em entrevista em julho, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, disse que serão liberados US$ 260 milhões para a construção de 508 quilômetros de rodovia que ligará Porto Velho, capital de Rondônia, a La Paz, capital boliviana.

Nas discussões sobre o interocêanico, o fomento ao turismo está em planejamento feito pelo Instituto Pantanal Pacífico, que pretende estabelecer uma política de incentivo a uma rota turística do centro-oeste aos demais países envolvidos no projeto, como uma rota única de viagem que incluirá possibilidades que envolvem seis países – a princípio, Brasil, Chile, Bolívia e Peru, e que contam, ainda, com a inclusão da Argentina e do Paraguai no circuito.

“Precisamos estabelecer um grande vínculo cultural, humano e acadêmico que possibilite a utilização dessa matéria-prima turística preciosa e ociosa dessa região”, comentou Val Carvalho, presidente do Instituto Pantanal Pacífico. A presidente colocou que a idéia é estabelecer “a maior aventura das Américas”, possibilitando que as pessoas possam transitar nesse eixo em seus veículos de passeio. E não é só isso: o instituto pleiteia rotas aéreas que cortem essas pequenas regiões de modo que facilitem o transito dos turistas, evitando que tenham de passar por conexões nos grandes centros aéreos. (Fabíola Binas – DCI)

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