Produtor poderá exportar soja pelo porto de Itaqui

O produtor de soja brasileiro do Centro-Norte do País poderá ganhar até R$ 2 por saca

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SÃO PAULO, 12 de agosto de 2008 – O produtor de soja brasileiro do Centro-Norte do País poderá ganhar até R$ 2 por saca (60 quilos) no ano que vem com a exportação do produto pelo Porto de Itaqui (MA) Atualmente, com o envio pelos portos do Centro-Sul o sojicultor de Mato Grosso, por exemplo, perde até 25% no preço em relação ao paranaense.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) garante que o escoamento da próxima safra das regiões Centro-Oeste e Norte será por Itaqui, que passará a ter uma capacidade de 6 milhões de toneladas de grãos, o triplo da atual. Neste ano, das 17,9 milhões de toneladas da oleaginosa embarcadas até o último dia 1º, 52,4% (9,4 milhões de toneladas) saíram pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) que, apesar de estarem a 2 mil quilômetros de distância do Centro-Oeste, ainda são as vias de escoamento mais usadas por essa região. Em 2007, esses dois portos movimentaram 41,9% do total embarcado.

“Há anos se discute a importância de investimentos para dar condições de embarque de grãos aos portos localizados no Norte e Nordeste. Mas, nada é feito, e a safra continua descendo até o Sudeste de caminhão e depois subindo de navio até os mercados finais”, indigna-se Sérgio Mendes, diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Segundo cálculos da entidade, o valor médio de transporte da tonelada de grãos no Brasil na safra que está sendo escoada é de US$ 89, cerca de 50% maior que os US$ 59 médios do ciclo anterior.
Por conta dessa dificuldade, um produtor do Norte de Mato Grosso recebe cerca de 25% menos pela saca de soja que um agricultor no Paraná. Ainda, a falta de um modal de transporte mais eficiente para essa região também faz com que os insumos, como adubos, cheguem mais caros. O adubo em Sorriso custa, por exemplo, 5,4% mais que em Cascavel (PR), de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP).

Saída por Itaqui

Biramar Nunes de Lima, diretor de Departamento de Infra-estrutura e Logística do Agronegócio do Mapa, explica que vários projetos de logística estão sendo implantados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da iniciativa privada, sendo que alguns vão beneficiar a produção agrícola já na próxima safra. O mais importante deles é a ampliação da capacidade de embarque de grão no porto de Itaqui para 6 milhões de toneladas, ante as 1,8 milhão existentes hoje. “O setor privado está investindo R$ 120 milhões nos terminais de grãos e, o setor público, mais R$ 120 milhões nos berços de atracação de navios”. assegura Lima.

A alternativa, de acordo com Lima, é viável para escoamento de grãos do Noroeste de Mato Grosso, Sul do Pará, Sul do Maranhão e do Piauí, parte do Oeste da Bahia e Tocantins, na região conhecida como Pedro Afonso. “A distância dessa região até o porto de Itaqui é, pelo menos, 1 mil quilômetros menor do que até Paranaguá. Isso vai significar um aumento no preço da soja nessas localidades de R$ 1 a R$ 2 por saca”, calcula Lima.

De Mato Grosso, já saem 400 mil toneladas de soja por esse corredor de exportação ao Norte. O grão sai de caminhão pela BR-158, passa por Caseara, na divisa de Tocantins com o Pará e segue até Redenção. Entra por Conceição do Araguaia e entra na BR-153 em Colinas até encontrar a ferrovia da Vale do Rio Doce, em Carajás. A carga é embarcada na ferrovia, de onde segue até o porto de Itaqui, em São Luís. “No ano que vem a ferrovia vai chegar em Colinas, e o caminho de rodovia será encurtado”, avisa o representante do Mapa.

Nesse trajeto há ainda um trecho sem asfalto de 400 quilômetros, entre o município de Ribeirão Cascalheira (MT) e a divisa com o Pará, que devem ser pavimentados para uso para escoamento da safra do ano que vem, segundo Lima. “Temos previstas restaurações de outros trechos para dar melhor condições de tráfego até Itaqui que, até 2012 estará embarcando 12 milhões de toneladas de grãos”, prevê. (Fabiana Batista – Gazeta Mercantil).

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