Passagens aéreas estão mais baratas na internet

A venda de passagens aéreas em agências de viagens pode estar com os dias contados. Isto

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A venda de passagens aéreas em agências de viagens pode estar com os dias contados. Isto porque, nestes estabelecimentos, os bilhetes já estão no mínimo 10% mais caros do que na internet. Através de acordo entre as companhias aéreas e a Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav), ficou estabelecido que as empresas parceiras cobrarão a taxa de comissão em separado. A primeira empresa a adotar o novo modelo foi a TAM, desde janeiro deste ano. A Gol também promete utilizar a nova metodologia a partir do próximo dia 1º de setembro. Pelo acordo, também ficou estabelecido que o valor mínimo para a taxa de agenciamento será de R$30, para passagens com valor de até R$300, Acima deste valor, é cobrado o percentual de 10%. A medida é válida também para lojas próprias e call center das companhias.

Embora a transferência de responsabilidade da cobrança da comissão ter sido um pleito da Abav, muitos agentes reclamam do acordo. O proprietário da Galápagos Viagens e Turismo, José Menezes, por exemplo, diz não estar satisfeito com a decisão. ‘Antes, a gente vendia a passagem e se resolvia com a TAM. Hoje, temos que informar ao consumidor que ele que terá que arcar com a comissão. A situação acaba gerando um certo constrangimento, pois parece que nós estamos cobrando um valor a mais’, revela. Para ele, a medida só tende a diminuir gradativamente a demanda de emissão de bilhetes aéreos nas agências. ‘É lógico que as pessoas vão preferir pagar menos na internet’, completa.

A proprietária da Ândora Viagens e Turismo, Adriane Virgílio, também reclama do novo procedimento. ‘Parece até que a Abav está pedindo isso em nome das agências de viagens’, protesta. Ela conta que a iniciativa reduziu seu faturamento mensal em torno 30% e só não está sendo pior porque a maior parte dos seus clientes é de corporativos. ‘Muitos clientes meus, fiéis, me ligam dizendo que consultaram o preço da passagem na internet e acabaram comprando porque estava mais barato. Daí agenciei somente o hotel’, diz, complementando que a solução para amenizar as perdas será a venda de pacotes fechados, incluindo as passagens aéreas.

Consumidores reprovam procedimento

O empresário baiano Paulo Souza, que viaja a trabalho pelo menos duas vezes por semana à capital paulista, comenta que, de forma discreta, a TAM assumiu um modelo em que as agências e os balcões da própria companhia passam a ser remunerados pelo cliente final e não pela empresa aérea. ‘Essa medida acaba forçando os clientes a comprarem os bilhetes sozinhos, via internet, pois só desta forma eles não precisam pagar mais caro pela comissão’, pontua ele, acrescentando que a intenção das companhias é acabar definitivamente com o intermediário na compra.

‘É um absurdo o consumidor ter que arcar com a comissão dos agentes, uma vez que a TAM mantém o preço das passagens’, reclama a atriz Cristina Costa. Sempre atenta aos preços das passagens aéreas, ela diz que normalmente compra os bilhetes direto nos sites das companhias. ‘Além de não pagar a mais pela comissão, na web eu posso comparar os preços e ainda pesquisar os destinos e horários mais baratos’, revela, complementando: ‘Por que vou pagar mais caro se eu posso pagar mais barato? Não compro de jeito nenhum.’

Em nota, divulgada por meio de sua assessoria de imprensa, a TAM informou que o procedimento para pagamento da remuneração dos agentes de viagens determina ‘que o valor devido ao agente seja especificado no próprio bilhete em conjunto com o preço da passagem, assim como os demais preços cobrados e repassados pela transportadora, sem gerar nenhum aumento de tarifa para o consumidor final.’ Segundo a companhia, a regra é aplicada também para vendas realizadas pela TAM em suas lojas e sistema de call center.

Abav justifica decisão

Enquanto os agentes protestam, o presidente da Abav-BA, Pedro Costa, garante que o novo contrato de remuneração não traz nenhum impacto negativo na venda de bilhetes aéreos emitidos pelas agências de viagens. ‘Quem opta por comprar numa agência, opta por segurança. Além disso, não podemos esquecer que quando uma companhia vai compor o preço da passagem, ela inclui vários fatores’, opina ele. De acordo com o dirigente, na Bahia existem cerca de 600 agências de turismo, totalizando aproximadamente seis mil agentes.

Costa explica que a medida simplesmente ‘deslocou’ a comissão dos agentes, uma vez que, na prática, a taxa de serviço era embutida no preço do bilhete. ‘Digamos que o valor da passagem custasse R$300. O consumidor pagava o valor total para a agência e esta repassava para a TAM R$270, abatendo os R$30 da comissão’, declara. Hoje, o cliente que optar por não comprar a passagem no site da TAM paga o valor do bilhete mais R$30 ou 10% de taxa de serviço. ‘Quando você compra pela internet, você não conta com um serviço personalizado. Já nos outros locais, sim’, finaliza.

O diretor comercial da Gol, Eduardo Bernardes, confirma que a companhia também vai aderir à nova metodologia, uma vez que eles estão de acordo com o entendimento da Abav: ‘Para a Abav, toda vez que a compra das passagens envolver recursos humanos, tem que incidir a taxa de serviço’.

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