Caminhões estão em mais de 30% dos acidentes nas estradas

Eles protagonizam um terço das ocorrências

Memorando do estaleiro previsto para novembro
Comissão limita venda de moto a pessoa habilitada na categoria A
Dez rodovias continuam com restrições ao trânsito de veículos em SC

Acidentes de trânsito envolvendo caminhões representam quase 30% do total registrado em rodovias estaduais que cruzam o Paraná. O número é alto e representa um grave problema social e econômico para o setor de transporte e também para os usuários das rodovias. Nas estradas federais, o número chega a 38% dos acidentes. Ocorrências com veículos de carga são trágicos e envolvem vítimas graves, além de causar o bloqueio de rodovias durante horas. A carga horária dos caminhoneiros é apontada como uma das principais causas do alto índice de ocorrências.
 
De janeiro a junho de 2008, o Batalhão de Polícia Rodoviária do Paraná (BPRv) registrou 8.160 acidentes em rodovias que cruzam o Estado. Desses, 2.353 tiveram caminhões envolvidos. A porcentagem chega a 28,8% de ocorrências. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 1.598 acidentes nos seis primeiros meses do ano envolvendo veículos de carga nas rodovias federais que cruzam o Paraná. Destes, 65,8% aconteceram  nas BRs 116 e 277, as principais rodovias que cortam o Estado. A BR-116 é a campeã com 535 acidentes no primeiro semestre.
 
Os acidentes registrados em rodovias federais tiveram um saldo de 187 feridos graves e 47 óbitos. Do total, 605 aconteceram entre caminhões e automóveis e é nesse tipo de colisão que se observa o maior número de vítimas. Foram 28 mortos e 89 feridos graves. “O número de acidentes é alto e quando envolve veículo pequeno o dano á gravíssimo. Se falamos de tombamento o problema é a interdição de rodovias durante horas. O dano sempre existe”, afirmou o inspetor Fabiano Moreno, chefe da comunicação social da PRF no Paraná.
 
Os dados apontam que dos 1.598 acidentes nas rodovias federais, 1.274 tiveram como fator determinante a falha humana, a imprudência ou imperícia do motorista. Em 42 desses casos foi comprovado que o motorista estava dirigindo alcoolizado e em 36 casos declaradamente o motorista dormiu. Porém, o inspetor da PRF afirma que os números podem ser ainda maiores.
 
“A carga horária de um motorista é altíssima e muitas vezes chega a 24 horas seguidas de trabalho. Por motivos óbvios, as grandes causas de acidentes são o cansaço, o sono e até mesmo o uso de anfetaminas ou o café com conhaque para se manterem acordados. Muitas vezes, o motorista sai de um local e precisa entregar uma determinada carga num horário fixado em um curto período de tempo e ainda voltar ao local de origem para entregar o veículo a outro motorista. É desumano”, afirmou o inspetor.
 
A colisão traseira foi o tipo de acidente mais observado em rodovias federais neste ano. Foram 499 casos que tiveram como causa a falta de atenção do motorista, defeito mecânico ou não mantiveram a distância segura do veículo à sua frente. Em segundo lugar estão as colisões laterais, com 396 casos, que acontecem principalmente em ultrapassagens mal-sucedidas. Na sequência, observa-se as saídas de pista, com 160 casos, colisões transversais, com 155 casos, os tombamentos, 125 ocorrências e as colisões frontais, com 42 casos.
 
Lados opostos — O chefe da comunicação social da PRF explica que existem dois tipos de motoristas de cargas: os autônomos, que são pessoas com caminhões mais velhos e que trabalham por conta, e aqueles que fazem parte de empresas, com carga horária. E dentre as empresas que contratam motoristas existem aquelas que zelam pelos seus condutores e as que não zelam. Existem ainda as cegonhas (que transportam carros), que seriam o top da categoria. Isso porque a carga que levam é limpa, limitada e tem de estar em perfeitas condições quando chegam ao destino. Por isso, o dono dessas empresas zela pelo seu condutor. “O problema é que a maioria não é assim. Um autônomo vira a noite dirigindo. Os motoristas de empresas fazem cargas de horário, tem hora para chegar ao destino. A situação é boa para alguns mas muito ruins para outros. Outra questão associada ao grande número de acidentes é a falta de manutenção dos veículos”, comenta o inspetor Fabiano Moreno.

COMMENTS